quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Perder riqueza é bom negócio?

Meus jovens, imaginem que vocês tenham uma riqueza equivalente a 200 reais. Quando o real perde valor isso significa que vocês ficaram mais pobres. Se o real valorizar vocês ficam mais ricos. Simples assim. Será que alguém poderia me explicar por que tem tanto país querendo desvalorizar sua moeda?

Desvalorizar a moeda doméstica implica em empobrecer a população, implica em deixar o pobre mais pobre. Aliás, alguém sabe o nome dado a desvalorização da moeda? O processo pela qual uma moeda perde valor chama-se inflação. Alguém poderia me explicar exatamente por que gerar inflação irá tornar um país mais rico?

A idéia dos Estados Unidos de inundarem o mundo de dólares só irá empobrecer os americanos. Mas não é porque os americanos decidiram saltar de uma ponte que devemos fazer o mesmo. Sim, é verdade que outros países do mundo fazem o mesmo. Mas o fazem movidos por um fraco entendimento da teoria econômica.

Se desvalorizar a moeda é a solução, então basta o governo brasileiro jogar o gasto público lá em cima (política fiscal expansionista), e pagar essa conta imprimindo papel moeda (política monetária expansionista). Qual a dificuldade de se fazer isso? Nenhuma, não existe dificuldade em fazer isso. Mas, se essa fosse a solução então os problemas do mundo tinham acabado. Bastava o governo gastar e imprimir dinheiro para pagar a conta.

Imprimir papel moeda não é a solução para nada. Desvalorizar a moeda só irá embobrecer ainda mais nosso país.

10 comentários:

Anônimo disse...

É nisso que dá botar um monte de keynesianos para decidir. Alguém é capaz de apostar que não vai dar m****? Nessa altura, o Kid Margarina deve estar exultante em ver os gringos fazerem a mesma porcaria que ele sempre sugeriu.

Anônimo disse...

Professor, eu não entendi este post. Comparando-o com o post cambio de equilíbrio, http://bdadolfo.blogspot.com/2010/10/cambio-de-equilibrio.html
Fiquei confuso. Então o país não deve imprimir moeda para não gerar inflação, pois dessa forma ele se empobreceria com a desvalorização do Real? Então, porque escuto dos jornais economistas afirmando ser ruim para o Brasil o Real está valorizado? Segundo a sua postagem sobre o cambio deveríamos abrir a economia para o Real se desvalorizar, mas ele se desvalorizando empobreceria o país do mesmo jeito, não? Bem, eu não entendi. Por favor, responda-me! Porque em uma situação o real se desvalorizar é bom e em outra é ruim?

Blog do Adolfo disse...

Caro Anonimo,

Ao se abrir a economia esta-se excluindo uma restricao ao comercio. A economia torna-se mais competitiva e cresce mais.

Essa abertura comercial aumenta a demanda por produtos estrangeiros aumentando a demanda por dolares e desvalorizando o real.

Ou seja, o real foi desvalorizado dentro de um processo de mercado.

No post atual, o que o governo quer fazer eh desvalorizar o real por maneiras artificiais (controle de importacoes, impostos sobre capital estrangeiro, etc.). O que eu argumentei antes eh: se o governo quer desvalorizar a moeda deveria fazer isso dentro de um processo de mercado. Caso contrario ficaremos apenas mais pobres.

Adolfo

Minimega disse...

Espera aí um pouquinho. Penso que são dois assuntos, separados: desvalorização interna (inflação) e desvalorização cambial (negócio entre moedas).
A desvalorização interna vai refletir um descompasso entre produção e consumo. Isso está ocorrendo e vai crescer.
Quanto à cambial, é a desvalorização da moeda de alguém, face à de outro. Dizem que isso é muito bom - para o próprio e não para o outro.

Anônimo disse...

É mais ou menos o que eu havia entendido. mas o que eu quis dizer foi: Ficar pobre é ficar pobre, a causa não faria diferença na consequência. Então porque o meio artificial de empobrecer ou de fazer o dolár se valorizar seria uma forma pior do que abrindo o mercado? Quais as outras consequências a abertura de mercado traria sem ser apenas o empobrecimento com a valorização do dolár? *É sabido que para um economia ser apenas importadora não é bom.
[Agradeço as explicações!]

Marcio disse...

O problema é que no momento todos os países do mundo querem adotar o mesmo modelo de crescimento, elevando as exportações com a moeda barata e dessa maneira mantendo o atual nível de déficit. Ou seja, ninguém quer poupar. A pergunta de 1 trilhão de dólares é como se resolve isso ?

Leo disse...

Adolfo,

Eu, quando jovem, trabalhei por 6 meses de graça para uma empresa, que escolhi a dedo, pois era da área de consultoria em economia e queria trabalhar nela. Fiz isso porque queria aprender, sabia que tinha potencial, mas também sabia que a empresa não iria me pagar para trabalhar, pois ela não me conhecia, nem teria como saber meu potencial. Depois dos 6 meses, ao invés de ser contratado como estagiário, fui contratado como chefe da seção onde trabalhava. Se não tivesse feito isso e só tivesse trabalhado onde me pagassem, muito provavelmente hoje não estaria onde estou.

Uma empresa pode passar pela mesma situação. Ela pode começar oferecendo seu produto a preços mais baratos, ou até de graça, para começar a conquistar mercado. E, depois que ganhar a expertise e o mercado, passar a cobrar mais caro.

Um país, se bem coordenado, também pode escolher fazer mesmo - trabalhar de graça, como fazem os chineses, para ganhar mercado e expertise. Obviamente que a conta será paga por menor consumo presente e haverá transferência de renda do trabalhador para o empresário, mas isso não deixa de ser uma escolha política que, se bem aplicada, pode gerar ganhos significativos de aprendizagem para a indústria.

Blog do Adolfo disse...

Caro Leo,

Seu argumento é bom, mas esconde um truque: a famosa passagem "SE for bem aplicada".

Veja que seu exemplo pessoal é diferente. No seu exemplo, voce escolheu o que é melhor para voce mesmo. No caso de paises, NAO É o individuo que escolhe trabalhar de graca, é o governo que faz tal escolha em SEU NOME. Note que essa diferenca nao é trivial.

Alem do mais, na grande maioria dos casos a famosa deixa "SE for aplicada" esta longe de ser valida.

Adolfo

Leo disse...

Concordo e na grande maioria dos casos faz-se muita demagogia. Eu, por exemplo, sou completamente contra o que a China faz com o seu povo. E quando alguém vem falar que devíamos fazer o mesmo (geralmente é alguém da esquerda vulgar) eu pergunto: então você também topa em acabar com o bolsa-família, com a previdência social, reduzir o salário mínimo e desvaloriza o câmbio, dobrando de um dia para o outro a quantidade de miseráveis no país? Aí, geralmente, essas pessoas se calam.

E como todos os economistas decentes sabem e o Mansueto cansou de bater é que o que se faz aqui no Brasil não é política industrial. Utiliza-se o discurso fajuto da esquerda escocesa para como pretexto para se justificar as barbaridades que fazem com o dinheiro público.

Mas não sou contra política industrial. Só que aqui no Brasil estamos dominados por um bando de analfabeto funcional que tem orgasmos lendo o texto do Chang achando que é exatamente o que se faz no Brasil. Que acham que quem critica o BNDES ou fundo soberano é neoliberal. E o debate inteligente sobre a lógica, que pode ser muito coerente, de uma política industrial, morre.

Sérgio Ricardo disse...

Gostei dos argumentos do Leo, do aparte do Adolfo e da complementação de ideia do Leo. Acredito que no Brasil existe muito analfabeto funcional e criticam quem realmente busca o debate para o verdadeiro desenvolvimento econômico e social.

Se hoje o câmbio está valorizado a culpa é do estado brasileiro, que se financia via taxa de juros, é expansivo e ineficiente e diminui a competitividade.

Acreditar que os Estados Unidos resolverão o problema do Brasil, valorizando o dólar, é lunático e só entra na cabeça dos keynesianos do governo.

O que falta ao Brasil é uma política de mercado, a redução da burocracia e o respeito as liberdades de escolhas.

Parabéns professor e ao colega Leo pelo bom debate construtivo.

Abraço!
Sérgio Ricardo

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