quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O Ajuste Fiscal de Dilma

Lendo sobre o ajuste fiscal proposto pela equipe econômica de Dilma tem-se a impressão de que a coisa é séria: serão cortados 50 bilhões de reais do orçamento durante o ano de 2011. Na minha opinião isso é tudo papo furado. Quem conhece contas públicas sabe que só existem 5 maneiras de se realizar um corte tão grande num único ano: 1) cortar investimentos; 2) cortar gastos sociais; 3) congelar o salário mínimo; 4) aumentar impostos; e 5) inflação.

Cortar investimentos públicos é aliás a alternativa padrão para se produzir superávit primário no Brasil, foi assim tanto com FHC como com Lula em 2003. Contudo, a equipe econômica liderada por Mantega já disse que não cortará investimentos públicos.

Cortar gastos sociais é impopular, mas pode dar resultados fiscais rápidos. Principalmente quando se restringem os gastos com educação e saúde. Mas, novamente, a equipe econômica já avisou que não irá cortar gastos sociais.

Congelar o salário mínimo ajuda muito nas contas da previdência e nas contas de alguns estados e municípios. Cada 1 real de aumento no salário mínimo pode impactar nas contas públicas em algo em torno de 280 milhões de reais/ano. Um salário mínimo de 550 reais ao invés de 545 reais (como quer o governo) gera um gasto adicional ao redor de 1,4 bilhão de reais por ano nas contas do governo. Ao que tudo indica o governo tem grandes chances de perder a batalha do salário mínimo, se complicando ainda mais em sua situação fiscal (que já é calamitosa).

Aumentar impostos é a outra maneira tradicional de se ajustar as contas públicas no Brasil. Só a volta da CPMF poderia gerar mais de 40 bilhões de reais/ano aos cofres públicos. Contudo, nada se mencionou sobre aumento ou criação de novos impostos no anúncio do pacote fiscal.

Por fim, temos a maneira mais simples de se ajustar o orçamento público: gerar inflação. Uma inflação ao redor de 8% ao ano dificilmente descontentaria Dilma ou Mantega, ao mesmo tempo uma inflação dessa magnitude poderia trazer considerável alívio nas contas públicas (dado que os gastos do governo geralmente não são indexados, mas geralmente as receitas públicas são).

Resumindo, temos apenas 4 alternativas: 1) o governo não faz a menor idéia de como fazer um ajuste fiscal; 2) o governo não disse toda a verdade e gastos sociais e de investimentos serão cortados; 3) o governo se “esqueceu” de mencionar, mas pretende aumentar ou criar novos impostos (tipo a volta da CPMF); e/ou 4) o governo pretende ajustar o orçamento público via inflação. Certeza temos apenas uma: do jeito que o pacote fiscal foi anunciado ele simplesmente não gera os 50 bilhões de reias de economia que o governo anunciou.

19 comentários:

Pedro H. Albuquerque disse...

Dá para notar que a Dilma estudou as lições do Mestre Obama com afinco...

Anônimo disse...

Criticar o governo é sempre fácil. Eu quero ver vocês apresentarem alternativas de onde deveria ser o ajuste fiscal. Adolfo, que tal se você for o primeiro?

Anônimo disse...

É isso aí, Adolfo. Se somar dois com dois e o resultado não for quatro, a conta está errada.

Anônimo disse...

E enquanto aos cortes nos gastos publicos com concursos publicos?

Chesterton disse...

"Gastos correntes são VIDA"...quem é o autor(a) dessa pérola?

Blog do Adolfo disse...

Caro Anonimo,

Desde o ano passado alerto sobre o descontrole das contas publicas. Voce deve cobrar eh de quem jurava de pe junto que as contas publicas estavam ok.

Adolfo

Anônimo disse...

É verdade. Quem afirmava estar a economia no "estado da arte", "o crescimento sustentado estava garantido" e "vivia-se um momento mágico" é quem deve explicar, justificar e principalmente, resolver o assunto.
Dawran Numida

Karyme disse...

As opções são tão boas , que só consigo sentir uma coisa: medo.

Anônimo disse...

Adolfo,
Acho que a unica verdade no discurso do ministro foi quando ele falou "esse ano não vamos recorrer a artificios contabeis para maquiar os resultados". Ou seja assumiu em público que o governo já recorreu a estes aritificios. E da lhe Dilma !!
Diogo

Anônimo disse...

Por enquanto tá sendo a "2":

http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/02/11/corte-no-ministerio-da-educacao-sera-de-1-bilhao-em-2011-923782221.asp

abraços

Anônimo disse...

Caro bajulador do governo PT!
NUNCA NA ESTÓRIA DESTE PAÍS HOUVERAM TANTOS TOLOS ILUDIDOS POR MIGALHAS!Nós todos (povo que trabalha e paga impostos) apenas colheremos o que foi plantado!
Agora esta aparecendo a ponta do "iceberg" e toda a sujeito que estava debaixo do tapete e formou uma montanha maior que o Everest vai cair em nossas cabeças!!!!!

j.a.mellow disse...

Êste era realmente o momento mágico, só que o abestalhado do povo como sempre não entendeu nada.
Era a mágica do ladrão: esvazia o seu e enche o meu.
Agora já está perto de resolver. Se a volta da CPMF dá 40 Bi só falta arranjar 10 aí com qualquer inflaçãozinha, por que cortar o que não existe é que não dá prá entender: investimentos?

GAbiRu disse...

corte nos concursos públicos pode ser considerado no corte dos gastos? acho que não, né?, vc evitar de gastar mais não diminui seus gastos atuais, vc apenas deixa de piorar as coisas

Anônimo disse...

Off Topic:

By Mao Visivel: http://maovisivel.blogspot.com/2011/02/teoria-quantitativa-da-moeda-morta-e.html


"Teoria Quantitativa da Moeda, morta e enterrada?
(...)

Este que vos escreve explicou que MV = PY não é de muita utilidade como teoria para a inflação, enquanto outros retrucaram que o crescimento da base monetária nos EUA levaria a um aumento da inflação."

(...)

"No último número da American Economic Review, que se tornou disponível eletronicamente ontem, Thomas J. Sargent (New York University and Hoover Institution) e Paolo Surico (London Business School and CEPR) [1] revisitam um artigo clássico de Robert E. Lucas Jr [2] que validava a teoria quantitativa da moeda como relação de longo prazo para dados da economia dos EUA de 1955 a 1975."
(...)

Zé luiz 20 disse...

É meu caro, como postado anteriormente pelo senhor não vejo outra alternativa a não ser a volta da inflação por esse governo.

Anônimo disse...

Gabiru,
Também me perguntava a mesma coisa, ainda não tenho a resposta mas acho que esses cortes seriam sobre os gastos programados para acontecer em 2011 mas não tenho certeza.
Se alguem puder esclarecer sobre este assunto ficaria muito grato.

Anônimo disse...

Caro Anônimo, de14 de fevereiro de 2011 21:40,

Os que "mataram e enterraram" a TQM estão a anos luz de praticar ciência. Acho que devem ler o trabalho de Williamson-Wrigth, na terceira edição do Handbook of Monetary Economics. Terão uma senhora supresa. É um texto longo, mas muito bom de ler. Acho que haverá choro e ranger de dentes.

Abraços,

José Coelho

Ronaldo Ferreira disse...

Caro Sachsida
Tenho acompanhado seu blog com interesse.Sei que quem tem muito a falar tem pouco a dizer, mas mesmo assim você poderia publicar um pouco mais. Matéria prima não falta.

João disse...

hi... chegei tarde.

mas acredito que a moeda deve ser emitida para atender a demanda de circulação de produtos no amplo sentido...

ou seja, não existe emitir moeda para cobrir gastos públicos.

a emissão e reposição de moeda gera custo e não ganhos, conforme relatório do bacen.

a emissão de papel moeda é apenas uma das forma de realizar troca, atualmente, se todos os brasileiros quisessem sacar o seu salário não teriamos cédulas suficiente. Viva o uso do cartao!

e qualquer gasto de verba ou fonte de receita, está prevista no orcamentoe emissão de moeda, não está no orçamento. o aumento do meio circulante de ser conforme aumenta a quantidade de bens de capital produzidos, considerando a capacidade de consumo da sociedade.

a inflação nada mais é que a lei da oferta e procura, somada ao custo brasil e outros n fatores.

acho que é mais ou menos assim...

Google+ Followers

Gadget

Este conteúdo ainda não está disponível por conexões criptografadas.

Follow by Email