sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O Escandaloso caso do PanAmericano

Passa sem alardes na imprensa, e na comunidade científica, um dos maiores escândalos da era Lula/Dilma: o salvamento do banco PanAmericano. As operações para salvar o PanAmericano começaram ainda na presidência de Lula, com um estranho relacionamento entre Caixa Econômica Federal e PanAmericano. Recentemente, já na administração de Dilma, o presidente do Banco Central participou de uma reunião no Fundo Garantidor de Crédito objetivando salvar o PanAmericano para evitar uma “crise sistêmica”.

Vamos aos fatos:

1) A CEF fez aportes de recursos no PanAmericano e teve pesados prejuízos. Existem fortes indícios de que as contas do Panamericano tinham sido maquiadas para esconder a real situação do banco. Pergunta-se: a) quem na CEF será responsabilizado por essa operação?; b) ocorreu interferência política no processo, ou a péssima decisão da CEF foi baseada apenas numa avaliação errônea de seus técnicos?; e c) Quem será preso no PanAmericano? Afinal, “maquiar” contas é o mesmo que fraudar o balanço do banco, o que é crime.

2) O Fundo Garantidor de Crédito é privado. Contudo, 1) exatamente o que o presidente do BACEN estava fazendo numa reunião para salvar o PanAmericano?; 2) O BACEN se comprometeu de alguma maneira com o Fundo Garantidor de Crédito no sentido de ajudar os bancos envolvidos no salvamento do PanAmericano?; 3) Desde quando um banco tão insignificante quanto o PanAmericano pode representar risco sistêmico?; 4) Se o BACEN se preocupa tanto com a quebra de um anão, exatamente o que o BACEN irá fazer se um dos grandes (Itaú ou Bradesco por exemplo) tiverem problemas?; 5) Se você estiver na gerência de risco de um banco grande, como você vê essa preocupação do BACEN?; 6) A atitude atual do BACEN é um sinal de que bancos grandes em dificuldades sempre receberão ajuda do governo?; 7) Como a atitude do BACEN, de pressionar pelo salvamento do banco PanAmericano, altera o perfil de risco dos bancos?; e 8) Uma das funções do BACEN é monitorar a solvência financeira dos bancos. Quem falhou, e quem será punido, no BACEN por permitir tal situação no PanAmericano?

3) Em 1998, o FED de Nova York, também usando bancos privados, orquestrou o salvamento do LTCM (um nanico que, tal como o PanAmericano, nem de perto representava um risco de crise sistêmica). Isso sinalizou para todo o sistema financeiro como agiria o FED em caso de crise: ajudaria todo mundo. Isso estimulou os bancos americanos a assumirem um perfil de risco muito mais agressivo. Será que iremos cair na mesma armadilha?

14 comentários:

Anônimo disse...

Rídiculo aquele falso e picareta do Silvio Santos ainda chegar e falar: ``Eu pago pra ver`` alegando que o Estado nao teria coragem de deixar um banco como esse quebrar, ele se acha acima do bem e do mal eh? faz como qualquer cidadao pega emprestimo e paga como um uma pessoa decente, nao um otário e estrelinha como ele eh!

Anônimo disse...

Não me atrevo a dizer que cairemos na mesma armadilha que caiu os EEUU. Mas que estamos trilhando o mesmo caminho, parece não haver qualquer dúvida.

Anônimo disse...

LTCM um nanico? Porra Adolfo, depois vc reclama quando o "O" pega no seu pé!

Anônimo disse...

Anônimo K. Wicksell disse...

Caros,

Estou chocado.

A maioria dos posts são uma merda absoluta!!!!

É óbvio que emitir moeda desenfreadamente causa inflação. Mas isso não que dizer que emissão de moeda seja a única causa de inflação. E nem tampouco que a emissão de moeda tem uma relação linear com a inflação.

Se fosse assim todos os Bancos Centrais do Mundo estariam controlando inflação por controlar emissão de moeda e nossos problemas com a inflação teriam acabado.

Friedman propôs uma regra de emissão monetária dizendo que regras de juros não seriam práticas... E,.. bom... hoje todos usam regras de juros pois descobriram que regras de emissão de moeda não funcionam, afinal a demanda por moeda é instável..

Isso não quer dizer que Friedman não foi importante. Mas quem acha que a evolução da teoria econômica parou ali vira alguém tão ignorante quanto quem acha que a teoria econômica parou em Keynes... Acordem.. a ciência econômica progrediu!!!!

abraço,

K. Wicksell

amauri disse...

Bom dia Adolfo!
Na revista Exame da semana passada, foi falado sobre o comprador do Panamericano. Em certa altura da reportagem, foi dito do relacionamento do dono do banco comprador com Palocci e Mantega. Há algo no ar?

Anônimo disse...

Off-topic, mas acho que seria interessante, tendo em vista a sua opinião sobre o assunto, que você pensasse sobre isso:

I was looking at the GDP deflator data and noticed an interesting pattern. During my entire life (I was born in 1955) the GDP deflator rose by 1% or less only twice. Any guesses? Hint, they were the two years when many right wing economists predicted skyrocketing inflation as a result of the Fed’s supposedly ”easy money” policy of late 2008. The period right after they doubled the monetary base in just a few weeks. That’s right, only 2009 and 2010 saw a GDP inflation rate of 1% or less.

Anônimo disse...

OK. Economia e política são, digamos, dois gigantes que se entrelaçam. Ou talvez melhor, têm suas intersecções.

Governos - bons ou maus - vigiam, afetam e interferem para que a economia jamais entre em pânico, exatamente para que isso não leve a população a odiar quem está no poder e procurar bodes expiatórios. Kadafi que o diga. As consequências podem ser imprevisíveis.

CEF, BC & Cia agiram assim por um motivo único e simples: detêm várias camadas de espessas gorduras financeiras, inexigíveis, principalmente, ao longo do prazo. Tipo marolinha que passou.

j.a.mellow disse...

E NEM UM SÓ COMENTÁRIO ATÉ AGORA DR.SACHSIDA. É,realmente,foi para mim altamente preocupante desde o inicio, quando começou a se delinear essa situação do Panamericano. E parece estar passando ao esquecimento da maioria e não digo dos "mesmos" não; é da imprensa, dos intelectuais e tecnicos, economistas etc. Quase ninguém comentou nada. Eu cheguei a fazer uma continha rápida, de engenheiro: eram 2.5 bi que passaram p/ 4 bi e 50% disto dá os 2 bi que fazendo uns pequenos ajustes ou desajustes dará mais ou menos o que se precisou para com a CEF tapar todo o buraco, restando apenas 400 mi para fazer passar despercebido que a caixa não comprou sozinha pois parece-me que ela ficou dona de 49% quase os 50% mas que na realidade é tudo estava em jogo.Fêz-se uma quimica!
Afinal de contas o "apresentador" tem um valor bastante alto numa terra de poucas luzes! O Edemar Cid Ferreira não teve a mesma sorte...

Erik Figueiredo disse...

Poxa, pensei que fosse sobre o Pan do Rio. São tantos escândalos.

JGould disse...

Adolfo, a CEF fez e continua fazendo. Se não me engano, algo em torno de R$8 a R$10 bi em aportes para o Panamericano, já nas mãos do BTG, é só dar um google. Não foi só o banco do ex-camelô, teve tbm o Votorantim(BV financeira), ajuda do BB à Sadia, devido aos derivativos e etc. O slogan desse governo deveria ser; "Pai do pobres e mãe dos poderosos".

Abs

Anônimo disse...

Anônimo K. Wicksell,

Suspeito que você, contariamente ao Wicksell original, jamais levou economia monetária a sério. Em uma equação monetária há duas variáveis relevantes: juros e o agregado monetário. Nesse caso, ao fixar uma delas, a outra flutua de acordo com os o mercado. Afinal, como já o disse Lucas e cia, os resultados serão equivalentes usando taxa de juros como instrumento ou usando o agregado monetário como instrumento. O que se pode questionar é qual desses instrumentos provoca maior variabilidade no produto. Mas isso, aqui na selva, não é possível medir: os senhores do Bacen não divulgam estatísticas sobre as reservas (livres) dos bancos, o que impossibilita qualquer estimativa séria dos parâmetros da curva de oferta de moeda.

Quanto á instabilidade da demanda por moeda, há controvérsias muito mais sérias do que você pode imaginar. Aconselho você a ler os trabalhos sobre demanda por moeda e inovações financeiras. Se isso não deixar satisfeito, leia os trabalhos sobre demanda por moeda de Helmutl Lutkepohl, Timo Terasvirta e outros do gênero. Creio que terá uma grata surpresa.

Anônimo disse...

Ahh...Faça-me o favor! Quando o picareta do FHC salvava bancos falidos ninguém falava nada. O picareta injetou mais de 30 bilhões de dólares para banqueiros e todo mundo caladinho. Agora falam desse caso do Panamericano que o Sílvio Santos colocou seu patrimônio como garantia. Brasileiro não tem passado mesmo...

Anônimo disse...

Ahh... Faça-me o favor! Comparar o Proer com o caso Panamericano, mais do que falta de conhecimento, é de sacanagem de petista gordo.

Anônimo disse...

Sobre a besteira que você escreveu ao chamar o LTCM de nanico, recomemdo a leitura de "when the genius failed".

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