quarta-feira, 25 de maio de 2011

O Novo Código Florestal e a Estrutura do Congresso Nacional

Ontem foi aprovado o novo Código Florestal Brasileiro, e sua aprovação traz uma lição importante sobre a estrutura política do Congresso Nacional. O governo era claramente contrário ao Código Florestal, dada a enorme maioria governista na Câmara dos Deputados, seria de se esperar que o mesmo não fosse aprovado. Contudo, o que se viu na votação foi uma verdadeira goleada contra o governo: foram 410 votos a favor, 63 contra e 1 abstenção. Resumindo, o governo levou uma tremenda surra. Isso mostra que no Brasil não existem partidos políticos, existem bancadas.

Para reforçar meu ponto, vamos fazer um exercício simples: pegue um deputado petista mediano e o coloque no DEM, alguém vai notar a diferença? Faça agora o contrário, pegue um deputado que represente o pensamento mediano no DEM e o transfira para o PT, alguém vai notar algo estranho? Ou seja, a afiliação política no Brasil não se dá por afinidades ideológicas, mas pura e simplesmente por interesses de maximizar suas chances de eleição, ou de maximizar sua chance de ter um cargo no governo. Sim, este não é um fato novo. Sim, praticamente todos concordam que isso ocorre. Contudo, parece que poucos prestam atenção nas implicações disso. A implicação direta desse raciocínio é que o PT não tem essa maioria toda que acredita ter, o PT não tem essa força toda que seus adversários lhe atribuem. Barrar os projetos petistas é muito mais fácil do que parece, tal como a aprovação do Código Florestal mostrou.

Outro exemplo recente é a posição da presidente Dilma contrária a distribuição do polêmico kit anti-homofóbico (popularmente conhecido por kit gay). Bastou a bancada evangélica reclamar que o governo petista teve que retroceder nesse ponto. O Brasil é assim, não tem partidos políticos, tem bancadas. Dessa maneira, para derrubar o projeto petista de poder, não devemos nos basear na afiliação política (que pouco representa em termos de afinidade ideológica), mas focar esforços nas bancadas. São as bancadas que representam a coesão ideológica ou de propósitos. As bancadas evangélica e ruralista já infligiram importantes derrotas ao governo, e mostraram que o PT não tem essa força que muitos lhe atribuem.

A convergência ideológica, ou de interesses, no Brasil ocorre a nível de bancadas. Aqui reside o calcanhar de Aquiles petista. É aqui que a fraqueza do projeto de poder petista deve ser detido.

4 comentários:

Gabriella Cecília Pereira Pouso disse...

como sempre, ótima explicação! mas como lembrete: o CN que aprovou a lei, ainda passará pelo crivo do Dilmão, a qual parece querer vetar algumas coisas... fazer o que!!! Dilma X Marina! esse é o Brasil sil sil sil sil

Anônimo disse...

Oi foi a 3ª vez que li o teu espaço online e adorei tanto!Espectacular Projecto!
Até à próxima

Anônimo disse...

1) Se for o governo for derrotado também no Senado, a presidente terá como alternativa, vetar o projeto no todo ou em parte.
2) Se vetar, pode ter o veto derrubado, também, no Congresso.
3) O mais provável é que vete para tentar reaver o poder de mando, mesmo indo contra uma maioria acachapante de sua base de apoio que votou a favor do Código Florestal.
4) Difícil entender por que há tanto medo do PT.
5) Já faz tempo que suas teses não pegam, porém, o partido consegue manter o que acha ser hegemonia política.
6) Isso, talvez, por ter vencido na guerra da informação ou contra-informação ou inculcado o pobrismo e o politicamente correto na veia de muita gente.
7) Ao vetar o tal kit, a presidente mostrou que não acompanhou um assunto tão polêmico de uma área importante.
8) Com o veto, tenta demonstrar que está atenta, mas só o estaria de fato, caso tivesse afastado o ministro que autoriza algo de tal monta sem apresentar à sua avaliação.
9) Isso, além de tudo, só é possível pelo fato das famílias estarem alheias ao verdadeiro experimentalismo ideológico que está sendo oferecido como Educação a seus filhos.
10) A continuar assim, dependendo de bancadas, como se categorias fossem, bem ao gosto do PT, em breve voltarão à tona kits, controle social da mídia, revisão da Lei de Anistia...Isso porque bastará agradar bancadas, mais dóceis do que milhões de familiares indignados. Quem enfrenta uma mãe indignada?
Dawran Numida

Anônimo disse...

Concordo com você e adorei seu post. Infelizmente nossa política não passa de jogos de interesse.

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