quarta-feira, 8 de junho de 2011

Professores, Cidadãos e a Questão do Crivo Moral

Tendo lecionado em diversas universidades, por muitos anos, observei um fenômeno curioso: quanto pior o professor mais ele criticava abertamente a qualidade dos alunos. Por mais de uma vez vi professores fazendo chacota sobre respostas de alunos, mas tenho minhas dúvidas se tais professores saberiam responder o que cobravam. Um ditado antigo dizia que “todo professor deveria ser obrigado a saber responder sua própria prova”. Disso tiramos uma lição importante: devemos aplicar a nós mesmos os crivos que aplicamos aos outros.

Noto numa parcela significativa de pessoas preocupações com a pobreza e com o meio ambiente. Contudo, elas parecem mais interessadas num papel midiático do que propriamente de ação. Na frente das câmeras desfilam um discurso, mas na prática agem de maneira diferente. Num regime capitalista a maneira de dizer que se importa é simples: paga-se. Você dá valor ao meio ambiente? Ótimo, pague por um shampo mais caro no supermercado. Quer ajudar aos pobres? Contribua na igreja. Se você tem resistências a pagar 2 reais a mais por um produto que preserva o meio ambiente, então você não valoriza tanto assim este bem.

Noto também pessoas aplicando um crivo moral a outras, mas se aplicassem esse mesmo crivo a elas mesmas estariam em sérios apuros. Pessoas estacionando o carro em vagas de deficiente físico, professores que não cumprem seus horários de aula, alunos que mentem para obter vantagens, entre outros, são exemplos simples de como vários membros de nossa sociedade estão mais interessados em regular o comportamento alheio do que em liderar pelo exemplo.

Antes de você xingar seu namorado(a), mandar seu chefe para aquele lugar, reclamar de seu professor, ou esculhambar um político, pergunte-se: se eu aplicar esse mesmo crivo a mim mesmo, como eu me sairei? Cuidado, sua resposta pode indicar que você não é assim tão diferente dos que você critica.

7 comentários:

rodrigo disse...

Se vc passar pelo crivo poderá xingar?

William dos Reis - Economista e Pós-graduado em Administração Financeira disse...

Vale uma reflexão para nossas atitudes.
Quando fui militar uma frase gravada no pátio da companhia tem grande singificado pra mim até hoje. Ela dizia: "As palavras conduzem, mas o exemplo arrasta"

abraço,

William dos Reis

Anônimo disse...

Post interessante. Mas esse blog é de economia ou de auto-ajuda?

Anônimo disse...

Adolfo vc eh contraditório as suas idéias hein, um cara que prega a liberdade acima de tudo, principalmente liberdade de expressão, agora critíca isso...
Francamente nao faz sentido.
Além do que vc critíca deus e mundo no blog...

Nessa disse...

É a "intelligentzia"...todos muito dispostos a encaixar situações e pessoas no codigo ensinado pelas grandes elocubrações filosóficas mas dificilmente disponiveis a auto-crítica.Uma série de "Malinowski's" dispostos a entender o "nativo" moderno

Luciano disse...

Excelente, Adolfo. Não vejo nenhum contradição desse artigo com sua posição, pois a liberdade de cada um vai até o momento onde não prejudica a dos demais. Ser liberal não significa que cada indivíduo faça o que quiser...

Valdecy Alves disse...

PISO DOS PROFESSORES PARA 2013 x PISO DO MEC 2013 - QUAL ENTRE OS POSSÍVEIS PISOS PIRATAS O MEC ADOTARÁ? PORQUE O MOVIMENTO SINIDCAL DEVE DEFENDER O PISO LEGAL PARA 2013 - CONFORME A FÓRMULA DA LEI DO PISO - PISO DO MEC ALÉM DE ILEGAL - VIOLA LEI E NÃO TEM CRITÉRIO FIXO SÓ GERA INSEGURANÇA E INJUSTIÇA - NUNCA SERÁ SUPERIOR AO VALOR DO PISO CALCULADO CONFORME A FÓRMULA DA LEI JULGADA CONSTITUCIONAL PELO STF: http://valdecyalves.blogspot.com.br/2013/01/piso-legal-x-piso-do-mec-piso-nacional.html

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