sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Apagando a luz do fim do túnel

Texto escrito por Rodrigo M. Pereira.

O decreto 7.567 publicado hoje no Diário Oficial da União apaga definitivamente a luz que se acendia no fim do túnel do mercado de automóveis no Brasil. O decreto, é na verdade uma costura da ANFAVEA junto com o Ministério da Fazenda para mais uma vez lesar o consumidor brasileiro, e defender os interesses do cartel das montadoras. Com ele, aumenta-se muito o IPI sobre os carros das fábricas asiáticas. Carros que pela primeira vez na história da indústria automobilística brasileira conseguiram incomodar as montadoras tupiniquins, sempre protegidas da concorrência externa. O imposto de importação, por exemplo, é de 35% e já está no limite máximo permitido pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Aumentá-lo traria retaliações comerciais ao Brasil. É aí que entra a inventividade do cartel tupiniquim: basta aumentar o IPI para todas as marcas, com cláusulas de isenção desenhadas na medida para beneficiar os associados do cartel. E continuar a vender Milles, Kombis, Celtas e Ka´s sem ser incomodado por esses veículos moderninhos que vêm do oriente. Um detalhe: dos pouco mais de 400 mil carros importados que entraram no Brasil em 2011, mais de 300 mil foram importados pelo cartel tupiniquim, basicamente de suas fábricas mexicanas e argentinas. Esses serão isentos do aumento de IPI.
As quatro grandes montadoras locais (Fiat, VW, GM e Ford) são um grande monopólio: elas têm juntas 73% do mercado. Em qualquer outro grande mercado automobilístico do mundo as quatro maiores empresas sequer chegam perto de ter tamanha fatia do mercado. Como em todo monopólio, os preços ao consumidor são altos. Nesse caso, muito altos. A diferença de preços dos carros brasileiros para modelos idênticos vendidos no resto do mundo é grotesca, absurda. Qualquer carro produzido no Brasil custa entre duas a três vezes o que custa no resto do mundo. Bastam alguns minutos para entrar em sites da Ford Norte-Americana, da Nissan Sul-Africana, da Renault francesa, da VW Mexicana, ou da GM Chilena, e comparar os preços de modelos idênticos aos vendidos no Brasil. Isso quando a comparação é possível, porque muitas carros brasileiros são tão ruins, com projetos tão defasados, que não têm mercado em nenhum lugar do mundo, exceto o Brasil. A diferença de tributação não explica a diferença de preços. A explicação está no lucro, o chamado Lucro Brasil (conforme artigo recente de um renomado jornalista automotivo). E esse lucro é tão alto, que mesmo com uma enorme barreira à entrada na forma de um imposto de 35%, vem atraindo os concorrentes asiáticos.
Ainda é possível que o decreto seja considerado ilegal, uma vez que ele tem efeito imediato, inclusive para automóveis que já foram embarcados para o Brasil, com contratos fechados. Ou então que as empresas lesadas recorram à OMC, pois trata-se claramente de um aumento do imposto de importação disfarçado de aumento de IPI. Em todo caso, é incrível como ainda no Brasil um grupo consegue defender tão bem seus interesses ao custo de uma piora do bem-estar de milhões de consumidores. Ou alguém duvida que uma vez aniquilada a concorrência asiática as montadoras locais vão voltar a aumentar preços? E assim vai se apagando a luz no fim do túnel.

20 comentários:

Anônimo disse...

Depois defendem o liberalismo inconsequente, nesse seria um caso do Estado intervir, de qualquer forma, e acabar com esse absurdo. absurdo!, absurdo!...Não dá pra confiar no mercado mesmo, é um selvageria cheio de falcatrua e antiética.

Anônimo disse...

Depois defendem o liberalismo inconsequente, nesse seria um caso do Estado intervir, de qualquer forma, e acabar com esse absurdo. absurdo!, absurdo!...Não dá pra confiar no mercado mesmo, é um selvageria cheio de falcatrua e antiética.

Lucas Dayrell de Almeida disse...

Gasolina no Brasil é mais caro, carro no Brasil é mais caro e consequentemente Ipva no Brasil é mais caro, mesmo em uma indústria competitiva, bando de exploradores!

Anônimo disse...

Essas montadoras usam de seu influxo para explorar os consumidores, que são mal-informados, além do carro ser um bem altamente-fundamental num país onde o transporte geral é um lixo, muitos se acostumaram com esse preço distorcido dos automóveis, e alguns não tem nem idéia que aqui é 2, 3 vezes mais caro que no resto do mundo. Além da questão cultural de todo mundo se realiza com o carro e a casa.

Anônimo disse...

Essas horas que tinham que colocar pressão neles, ou baixam os preços ou fecha as portas, ia causa desemprego mas tenho certeza que eles iam negociar sendo que o Brasil certamente é um dos maiores mercados consumidores nessa indústria do mundo.

Anônimo disse...

Tudo no Brasil é mais caro por causa de impostos e o lucro-brasil alto, que tem em vários setores, como o de jogos de videogame por exemplo, querendo ou não o empresário brasileiro é ganancioso e faz cartel a cara-dura, lei de oferta e demanda, concorrência, valor de mercado, nada disso pareçe valer nesse cenário, querendo ou não quem decide os preços na vitrine são eles.

Anônimo disse...

*e não o mercado, complementando o post anterior.*

Anônimo disse...

Um absurdo esse aumento no IPI, aqui no Brasil até o tapete do carro é considerado "item opcional" e nosso governo ainda tem a cara de pau de dizer que o aumento é para o bem do País... desse jeito vamos ter que andar nessas carroças por muito tempo

Anônimo disse...

Brasileiro tem mais é que andar de Uno mesmo pra largar de ser burro e aprender a votar. (O proplema é que para muitos o uno já seria demais)

Anônimo disse...

Alguém, em sã consciência, duvida que a CUT e a Fiesp são parceiros? Sempre foram.

Anônimo disse...

Poucas vezes pude concordar tão facilmente com você Adolfo, não é preciso ser um liberal para notar o absurdo nessa medida.

Anônimo disse...

Rodrigão,

Excelente argumento. O que esperar da combinação das idéias desses dois cérebros "bright" em economia, Margarina e Bigodão? O Reinaldo Azevedo tem uma frase ótima para clebrar o ocorrido: é o resultado da cruza de vaca com jumento. Nada contra a combinação. Até poderia ser boa, se resultasse em uma vaca que puxa carroça. O problema é que o resultado parece um jumento com chifres.


Abração.

J. Coelho

Finanças Inteligentes disse...

Não tem jeito, somente se o brasileiro (a grande massa da população) tomar consicência destes fatos é que poderá ser feito algo para melhorar a situação. Como por exemplo, não comprar mais carro novo, mesmo que por um mês. As montadoras iriam à joelhos.

Anônimo disse...

Depois reclamam da ascensão comunista em situações como essa, mas é lógico num país onde nós somos explorados desse jeito voçe quer que eles pensem o que?

Anônimo disse...

``Essas montadoras usam de seu influxo para explorar os consumidores, que são mal-informados, além do carro ser um bem altamente-fundamental num país onde o transporte geral é um lixo, muitos se acostumaram com esse preço distorcido dos automóveis, e alguns não tem nem idéia que aqui é 2, 3 vezes mais caro que no resto do mundo. Além da questão cultural de todo mundo se realiza com o carro e a casa.``

Economia de forma simples e sem complicações, lembra muito o livro ``o economista clandestino`` e as palestras do Ricardo Amorim

Chutando a Lata disse...

Gostei do post. Querem ressuscitar o modelo de substituição de importação da ditadura. Coisa de Celso Furtado e Maria COnceicao Tavares que como sabemos só gerou ineficiencia, concentracoa de renda e corrupçao a torto e a direito. Claro, isso é coisa da elite (americana, paulista, nordestina..?) que luta para manter seus privilégios. Obviamente ilegal, em tudo. Onde assino o manifesto?

Chesterton disse...

O industria automobilistica nacional é a união de governo, sindicatos e empresários contra o contribuinte-consumidor.

Anônimo disse...

É interessante notar a união entre o capital monopolista e seus trabalhadores para explorar o resto da sociedade... É nesse ninho que lulas se criaram...

Anônimo disse...

Qualquer porcaria que colocam pra vender no Brasil gera lucro. Não posso deixar de tirar essa duvida: Tem certeza que o ‘Anônimo’ do primeiro comentário leu a mesma coisa que nos?

Ginno

Anônimo disse...

Concordo com o Ginno, acredito que o autor do primeiro comentario não leu o mesmo post que nós. Se o problema é o poder exagerado do governo então como este resoveria alguma coisa?

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O Brasil é o unico país do mundo que incentiva a industria nacional ferrando a estrangeira.

Porque não abaixar os impostos dos nacionais? Isso sim seria uma medida louvável.

Mas é assim mesmo, temos os governantes que merecemos.

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