quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Desvalorização Cambial e Inflação

Nos últimos dias o real sofreu uma expressiva desvalorização frente ao dólar americano (desvalorização de 8,7% em 10 dias). Com isso surgiram especulações sobre o efeito dessa desvalorização cambial sobre a inflação no Brasil. O nome técnico disso é pass-through, isto é, o grau de repasse aos preços domésticos de uma desvalorização cambial.

A idéia de que uma desvalorização cambial pode afetar a inflação é simples: boa parte dos bens consumidos no Brasil ou vem de fora do país ou são produzidos com insumos externos (ou ainda tem seus preços definidos no mercado internacional). Dessa forma, uma desvalorização cambial aumenta o preço de tais bens, e em última instância, afeta a inflação.

Apesar de fazer muito sentido, devemos lembrar que nem toda desvalorização cambial é repassada aos preços domésticos. Existem diversas razões para isso não ocorrer (sendo a existência de contratos a principal delas). Outro detalhe importante é que nem toda desvalorização cambial é uma tendência, muitas vezes o câmbio desvaloriza hoje mas volta a se valorizar no mês seguinte. Alguns estudos técnicos também afirmam que o grau de pass-through depende do estado da economia, ou seja, em ambientes de estabilidade econômica esse efeito é baixo. Também cabe ressaltar que o IPCA (que é o índice utilizado pelo Banco Central no regime de metas de inflação) costuma ser rígido a mudanças cambiais. Vários estudos técnicos têm, inclusive, dificuldade de encontrar efeitos significativos de desvalorizações cambiais sobre o IPCA para horizontes curtos de tempo.

De maneira geral, acho ser pouco provável que a atual desvalorização cambial afete diretamente a taxa de inflação para 2011. Contudo, tal desvalorização pode ter efeitos mais severos em 2012. Sobretudo por um canal indireto: a desvalorização cambial pode afetar as expectativas de inflação, e estas sim tem impacto forte e rápido sobre a taxa de inflação.

33 comentários:

Anônimo disse...

Professor Adolfo,

É possível termos um indicador, nesse nível de detalhe, aqui no Brasil?

Veja:

http://www.nytimes.com/interactive/2008/05/03/business/20080403_SPENDING_GRAPHIC.html

Grato!
Marcos

Anônimo disse...

Depois dizem que economia é ciência exata.

Chutando a Lata disse...

Chega a ser ilária essa discussão cambial. Não queriam muitos que o cambio nao se valorizasse?

Anônimo disse...

O Marco Aurélio tem razão. Além disso, se o câmbio é livre, tem de ser livre para baixo e para cima. Inflação é um fenômeno monetário e não um fenômeno cambial.

J. Coelho

Anônimo disse...

Poxa, Professor, que legal!!!
Mas, espera aí, você não tinha defendido com todas as letras que inflação seria sempre um fenômeno monetário? Até mostrou a atual estado das artes em economia monetária (a teoria quantitativa da moeda de 1853) para provar que P só se eleva com aumento do M?
Agora, estou muito confuso. O que será que aqueles economistas sérios, jóias e não fanáticos, os austrianos, diriam, hein?
Saudações

Blog do Adolfo disse...

Caro Anonimo das 13:35,

Voce parece ser uma pessoa voluntariosa, assim vou tentar te ajudar: releia o que escrevi.... voce vera que no post atual me refiro a inflacao do IPCA.

No post anterior (que voce se refere) eu falava sobre inflacao no contexto original do termo (e nao atrelada a um indice em particular).

Continua estudando, e nao desanime.

Adolfo

Anônimo disse...

Anônimo - 15 de setembro de 2011 13:35

Concordo com tudo que voçe disse, e só um adendo, economia quando mais se estuda mais dúvida voçê tem, eu estudo economia a uns anos e poucas certezas absolutas tenho sobre ela, economia é uma matéria totalmente interpretativa, nada de exata.

Anônimo disse...

Economia nada mas é do que geografia fundamentada, para mim economia é uma especialização da geografia com um pouco de história, para mim economia deveria ser um pós de geografia! Pois para entender economia é preciso entender muito geografia, história e geopolítica, a essa matemática aprofundada na economia não concordo, a matemática seria só uma ferramenta, tá virando a base do curso, nada a ver.

Anônimo disse...

Economia e psicologia são áreas muito interessante, a gente estuda sem saber exatamente o que tá estudando, completamente abstrato. Dizem que os economistas entendem como o mundo funciona, discordo, isso é o mesmo que afirmar que o mundo é apenas emprego e mercado, economia ensina como o sistema funciona, e o sistema certamente influencia a vida das pessoas, mas não é a única coisa.

Anônimo disse...

Economia além de ser abstrato é infinita suas possibilidades, se suas possibilidades são infinitas, fica difícil ter o controle de como aplica-la.

Anônimo disse...

(15 de setembro de 2011 15:41) <---- quanta besteira.....

Anônimo disse...

Segundo o cara aí de cima eu passei 4 anos estudando placas tectônicas e relevo de planícies e nem sabia, devo ter faltado muita aula mesmo kkkkkk

Anônimo disse...

15 de setembro de 2011 17:23 - Anônimo

Por que besteira? quero argumento...

15 de setembro de 2011 18:13 - Anônimo

Eu espeçifiquei as áreas de economia e psicologia, nada a ver seu comentário.

Anônimo disse...

Frase da economista Dilma Roussef: "Nós provamos que o Brasil não quebra mais."

É mole?

Anônimo disse...

Meus caros,
Foi só uma provocação inocente. Economia é uma ciência difícil onde afirmações fortes (dificilmente) são válidas. Quem quer saber economia estude sem preconceitos. Ao mesmo tempo, é importante fugir de igrejinhas (que são sempre patéticas). O uso da matemática é fundamental porque estamos estudando a interação de forças muito complexas (a velha frase: "usamos matemática porque somos burros, e não porque somos inteligentes). No caso específico da inflação (não é minha área), a interação complexa entre choques exógenos, espectativas dos agentes e políticas monetária e fiscal implementadas geram trajetórias distintas para cada situação específica distinta. Daí a pouca utilidade de afirmações fortes e a necessidade de se estudar muito.
Saudações.
PS: Para os estudantes que por aqui frequentam. Inflação é um conceito abstrato. É possível tentar medi-la através de índices concretos sempre imperfeitos (lógico). Isto serve para qualquer conceito abstrato. Entretanto, dizer que algum índice específico sempre sobre-estima a inflação (ou o contrário) não tem sentido (a não ser a discussão estatística de qual cesta utilizar, índice de paasche ou de Laspeyre, estas coisas - nem sei se escrevi corretamente estes nomes). Caso o IPCA (foi este o citado?) sistematicamente fosse maior que a inflação verdadeira, isto significaria uma mudança eterna dos preços relativos desta economia, com os preços dos bens utilizados no índice citado crescendo sempre acima dos preços dos demais bens da economia. Notem que, caso isto fosse verdade, a inflação (e a oferta de moeda) teriam impactos reais inegháveis modificando os preços relativos da economia PARA SEMPRE.

Ricardo UnB disse...

A Geovana acabou de referenciar esse post na aula falando sobre pass-through, Adolfo. Cobre royalties dela no próximo almoço.

Anônimo disse...

Adolfo, eu acho que é muito facil entrar no seu blog e colocar posts com comentários, opinioes, criticas e etc.
Mas eu acho que pelo menos uma vez por ano vc deveria "dar o troco", criar o "trofeu comentário imbecil 2011".
Seria a sua vez de responder aos "Anônimos Jumentos" que passam por aqui... Poderíamos fazer a eleição do comentario mais imbecil.
Eu por enquanto voto no cara que disse que Economia é uma especialização da Geografia...

(nao vale falar que o seu voto seria neste meu comentario imbecil...)

Anônimo disse...

Anônimo,

Matemática é uma liguagem. Acho que o seu problema é deficiência em MATEMATIQUÊS.

Anônimo disse...

TOdos sabem que o pessoal da Geografia é chegado no consumo de drogas ilícitas. Mas fumar um e vir escrever no blog é f...

Anônimo disse...

Anônimo eu estudei geografia durante muito tempo e depois economia, e te digo que entender geografia foi fundamental e muito facilitador para entender economia, e foi só uma opinião, o que seria do mundo sem opiniões? Não falei como demerito da economia, só acho que seria melhor se economia fosse pós de geografia, até pq economia é mais difícil que muita pós, eu amigo meu fez gestão de negócios como pós e era ridiculo se comparado a economia.

Anônimo disse...

Repetindo, eu quis dizer que matemática deveria ser apenas uma ferramenta no curso, muito utilizada por sinal, só acho que já ta virando a base, e esqueçendo o lado mais imporante pra mim de economia que é o de ciências humanas, economia é pura interpretação, senão não haveria erros, e pelo que vemos há vários erros.

Anônimo disse...

``TOdos sabem que o pessoal da Geografia é chegado no consumo de drogas ilícitas. Mas fumar um e vir escrever no blog é f...``

Escreveu isso porque, falta de argumento?

Anônimo disse...

Anônimo,

Não há inflação em uma economia sem moeda. Sabe por quê? Porque inflação é um fenômeno monetário.

Não há de quê!

Anônimo disse...

Todo comuna se diz contra o uso da matemática no estudo da economia. Isso é assim até aparecer algum "economista" comuna capaz de usar matemática. Dias atrás vi um desses seres ridículos, feliz da vida, comentando um texto do Michio Morishima que "prova" as assertivas da mais-valia. São uns escrotos.

Anônimo disse...

A base da economia, os princípios dela, não é matemática, e outra toda vez que voçes se vêm sem argumento atacam os comunistas, não sou comunista. Para o outro anônimo, em uma economia sem moeda, no caso de troca, há inflação também, quanto mais abundante fosse um objeto meio-de-troca, menos valor ele teria. Ou ainda, dependendo da região, da época do ano, da população, dos desejos, necessidades, tudo, os valores iam se alterar.

Sérgio Ricardo disse...

O melhor comentário foi o último dentre tantos comentários besteirol. Ri demais com esses comentários...

Abraço Adolfo.
Sérgio Ricarod

Anônimo disse...

Anônimo,

O que é um meio de troca?

Anônimo disse...

Anônimo das 22:21,

Teus argumentos têm três problemas: deficiências em português e matemática, além de lógica.

Anônimo disse...

Besteirol é voçe que vem na comunidade só pra dar uma opinião dessa? E Anônimo meio-de-troca é qualquer objeto que possui um valor, entendeu ou quer que eu desenhe?

Anônimo disse...

Sérgio Ricardo riu porque, e outra a qual comentário voçê se refere, é muito fácil entrar no blog e fazer um comentário desse, sem falar nada de relevante, se tem alguma opinião pra falar fale, com argumentos, e não desmereça os outros.

Anônimo disse...

"...meio-de-troca é qualquer objeto que possui um valor, entendeu ou quer que eu desenhe?"



Adolfo,

A mediação dos comentários está deixando passar coisas "impassáveis" (só para lembrar uma expressão magriana) em um blog de economia. Acho que a sugestão do Anônimo do dia 16/09 está, pelo menos, no rumo correto: o troféu "Asno do Ano" poderia ser instituído. A criatura que escreveu a resposta acima, tem o meu voto.

J. Coelho

Anônimo disse...

Anônimo,

Você é difícil de entender coisas simples. Tá bom. Vou desenhar. Moeda é tudo que serve como meio de troca. O valor (intrínseco) não é uma exigência. Por exemplo, conchas do mar tem algum valor? Mesmo o papel-moeda não tem qualquer valor. Responde à pergunta: quanto custa produzir R$ 1? E R$ 100? Resposta: o custo (marginal) é o mesmo e, provavelmente, próximo de zero. Então qual é a razão de R$ 100 valer mais do que R$ 1? Se valor fosse tão importante, por que algúem usaria conchas do mar como meio de troca? Claro que quanto mais abundante (inflado) for um meio de troca (moeda), menor será o valor desse meio de troca. Daí a razão de a inflção ser um fenômeno monetário. Agora faz o seguinte: para de encher o saco e vai estudar.

Anônimo disse...

Explicar inflação para quem não entende é a mesma coisa de explicar chines, eu falo ``inflação é desvalorização da moeda pelo excesso da mesma``, mas isso falando assim realmente não faz muito sentido, 10 reais pra mim sempre vai ser 10 reais independente da quantidade de moeda circulando, muitos falam, muita coisa na economia é díficil de entender,além de não fazer sentido a primeira vista, excesso de moeda desvaloriza ela, mas porque? em que proporção? quem define esse valor?

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