segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Mais impostos para as pessoas de sucesso

O presidente americano, Barack Obama, parece ser favorável a aumentar a taxação dos ricos, e deve enviar proposta ao Congresso Americano nesse sentido. Tal idéia, que é antiga, ganhou força com o bilionário Warren Buffet argumentando que pagava pouco imposto. Em minha opinião, taxar grandes fortunas, ou taxar pesadamente os salários mais altos, é uma má idéa. Esse post tenta endereçar os problemas associados a esse imposto.

Em primeiro lugar, devemos lembrar que Buffet paga pouco imposto porque gasta muito dinheiro tentando se livrar de tais impostos. Já que ele acha que paga pouco imposto, então ao invés de sugerir que o governo cobre mais dos outros deveria ele mesmo pagar mais impostos. Uma maneira simples de fazer isso era determinar a seu contador que evitasse fazer uso das deduções legais.

Em segundo lugar, devemos nos lembrar da questão moral: qual é o argumento moral para se cobrar mais impostos de quem teve mais sucesso? Deveríamos cobrar mais impostos dos mais bonitos? Afinal, eles também se beneficiam dessa vantagem. Devemos lembrar que o sucesso, na grande maioria das vezes, é consequência de escolhas passadas: estudar mais, trabalhar duro, se esforçar nos finais de semana, evitar virar a noite na farra, etc. Ora, por que deveríamos cobrar mais impostos de quem fez escolhas sensatas no passado? Por que preguiçosos e bebuns no passado teriam o benefício de pagar proporcionalmente menos impostos?

Em terceiro lugar, devemos olhar a questão dos incentivos: pessoas de sucesso costumam ter jornadas intensivas de trabalho. Seu sucesso, na maior parte das vezes, é consequência de sua produtividade mais alta. Isto é, temos pessoas de alta produtividade trabalhando muito. Isso aumenta a produtividade e a eficiência da economia. Taxar a mais tais pessoas equivale a reduzir sua oferta de trabalho e, em última instância, reduz a produtividade e o crescimento de toda economia.

Em quarto lugar, devemos lembrar que taxar grandes fortunas tem um problema adicional: desestimula a poupança na economia. Afinal, pra que poupar se o governo vai taxar isso? Melhor ir pra praia e gastar mais com lazer. Em resumo, como diria Abraham Licoln: não se melhora a situação do pobre piorando a situação do rico.

20 comentários:

"O" Anonimo disse...

“Em primeiro lugar, devemos lembrar que Buffet paga pouco imposto porque gasta muito dinheiro tentando se livrar de tais impostos.”

Isso é falso. Ele paga pouco imposto porque dividendos e ganhos de capital tem tratamento favorável.

“Em segundo lugar, devemos nos lembrar da questão moral: qual é o argumento moral para se cobrar mais impostos de quem teve mais sucesso?”

O argumento moral é o mais fácil de se fazer, pois o que você chama de ‘sucesso’ é parte esforço, parte sorte (nascer de pai rico ajuda e muuuuito).

“Deveríamos cobrar mais impostos dos mais bonitos?”

Existe um caso moral bem forte para isso, mas é tecnicamente difícil de se implementar (quem definiria beleza?)

“Afinal, eles também se beneficiam dessa vantagem. Devemos lembrar que o sucesso, na grande maioria das vezes, é consequência de escolhas passadas: estudar mais, trabalhar duro, se esforçar nos finais de semana, evitar virar a noite na farra, etc. Ora, por que deveríamos cobrar mais impostos de quem fez escolhas sensatas no passado? Por que preguiçosos e bebuns no passado teriam o benefício de pagar proporcionalmente menos impostos?”

Novamente, a sua premissa é errada. A grande maioria dos ricos– nos EUA e no Brasil – são ricos porque herdaram, não porque trabalharam mais. Eu conheço muito mais milionários que nunca trabalharam do que milionários que trabalham duro.

“Em quarto lugar, devemos lembrar que taxar grandes fortunas tem um problema adicional: desestimula a poupança na economia. Afinal, pra que poupar se o governo vai taxar isso? Melhor ir pra praia e gastar mais com lazer. Em resumo, como diria Abraham Licoln: não se melhora a situação do pobre piorando a situação do rico.”

Isso não é necessariamente verdade. Sugiro que leia o trabalho do pessoal de Minnesota em Dynamic Public Finance (Kocherlakota e outros).

Anônimo disse...

Professor Adolfo, existe muita critica a respeito do Consenso de Washington, onde para a maioria desses críticos, o Consenso teria sido uma espécie de "armadilha" criada, na década de 1980, pelos países desenvolvidos de então para impedirem que os países subdesenvolvidos e, em especial, aqueles que estavam emergindo do bloco comunista, conseguissem atingir os mesmos níveis de desenvolvimento do então Primeiro Mundo.
Minha pergunta é: 1º - até que ponto isso é verdade?
2º - Esse consenso teve alguma influência nas atuais crise, com a crise da ásia e a crise de 2008?

Faço esta pergunta diretamente a você, porque não conheço nenhum outro economista que tenha tal conhecimento e uma reputação ilibada para me responder estes questionamentos.

Fico no aguardo.

Edvaldo Frazão

Anônimo disse...

caros, concordo com Abraham Licoln, Mas desde que os pobres também tenham a chance de se enriquecer, mas ao taxar aos mais ricos qual o incentivo para os pobres ficarem ricos? Concordo com o colega acima que disse que a grande maioria dos bilionários nascem rico, mas para manter-se bilionários não é necessário ter inteligência para isso? quantos ganhadores de grandes prêmios milionários ficaram pobres da noite pro dia? e por fim concordo com o professor adolfo, isso com certeza vai diminuir a poupança do país e também a produtividade.

alessandra santos

Eek! disse...

Não só concordo com o "O" como complemento: os ricos são, em sua maioria, ricos por herança... e os pobres também! Na maioria dos casos, não é falta de vontade (ou preguiça, como o Adolfo chama aqui) que faz com que um filho de morador de rua, ou um filho de um pequeno agricultor pobre, deixem de ir à escola: é a falta de oportunidade... esses não fizeram a escolha de não ir, a escolha foi feita sem o consentimento deles, pois o primeiro teria que pedir esmola no farol e o segundo teria que trabalhar duro no campo para se sustentarem... é muito fácil chamar de vagabundo quem ganha menos, dizer que foi falta de esforço pessoal, e esquecer que muitos não tiveram oportunidades...

"O" Anonimo disse...

“caros, concordo com Abraham Licoln, Mas desde que os pobres também tenham a chance de se enriquecer, mas ao taxar aos mais ricos qual o incentivo para os pobres ficarem ricos?”

Somente se eu fosse um mentecapto eu consideraria que um imposto sobre grandes fortunas afetaria os meus incentivos para trabalhar – e estou bem longe de ser pobre.

Urban Demographics disse...

Adolfo,

ia rebater seus pontos, mas acredito que "O" anonimo ja fez isso. bem. De qualquer forma, para quem se interessar, o Michael Sandel de Harvard tem uma aula bem didatica com os argumentos.

http://www.justiceharvard.org/2011/02/episode-three/#watch

Urban Demographics disse...

Adolfo,

ia rebater seus pontos, mas acredito que "O" anonimo ja fez isso. bem. De qualquer forma, para quem se interessar, o Michael Sandel de Harvard tem uma aula bem didatica com os argumentos.

http://www.justiceharvard.org/2011/02/episode-three/#watch

Anônimo disse...

Adolfo não se esqueça que o Estado muitas vezes e em muitos países(Brasil não é o caso) dá toda a oportunidade e estrutura para o sujeito crescer na vida, Buffet pareçe que reconheçeu isso, no Brasil não sou a favor de impostos altos, sou a favor de impostos altos em lugares que eles fossem bem aplicados, sinceramente se eu fosse rico não me importaria se taxassem 1/3 da minha fortuna se melhorasse a saúde, educação e segurança pública.

Anônimo disse...

``Em segundo lugar, devemos nos lembrar da questão moral: qual é o argumento moral para se cobrar mais impostos de quem teve mais sucesso? Deveríamos cobrar mais impostos dos mais bonitos? Afinal, eles também se beneficiam dessa vantagem. Devemos lembrar que o sucesso, na grande maioria das vezes, é consequência de escolhas passadas: estudar mais, trabalhar duro, se esforçar nos finais de semana, evitar virar a noite na farra, etc. Ora, por que deveríamos cobrar mais impostos de quem fez escolhas sensatas no passado? Por que preguiçosos e bebuns no passado teriam o benefício de pagar proporcionalmente menos impostos?``

Isso é muito subjetivo,cada um obtém sucesso de vários jeitos, ter inteligência, bom senso e saber a área que tem aptidão é tão importante quanto. Num sei porque tanta ranzisse. Eu se ganhasse um salário milionário sinceramente não me importava de pagar metade dele por um país melhor, não trabalho só por dinheiro, trabalho porque gosto, mas voçe sinceramente me gera dúvidas.

Anônimo disse...

``caros, concordo com Abraham Licoln, Mas desde que os pobres também tenham a chance de se enriquecer, mas ao taxar aos mais ricos qual o incentivo para os pobres ficarem ricos? ``

Cara se o ideal da sua vida é somente ficar rico voçe é pobre de alma viu, eu quero ser um jornalista competente e realizado profissionalmente, não por incentivos de ficar rico.

Lucas Dayrell de Almeida disse...

Não Adolfo, buffet é apenas alguém humilde o suficiente para conheçer o mundo em que vive e o país de onde veio, quem dera todo mundo pensasse como ele, o mundo inegavelmente seria melhor.

Anônimo disse...

Teve essa discussão no programa da globo news Manhattan Connection e por incrível que pareça até o Diogo Mainardi concordou com isso, quem não concorda é esses egocêntricos seguidores de Ayn Rand.

Anônimo disse...

Não sei pra que tanto radicalismo, dá para chegar num acordo, tem muitos além do buffet disposto a pagar, e se for bem planejado e administrado e claro a direção desse dinheiro provavelmente muitos irão concordar, o que eles não querem é sustentar gente corrupta e incompetente, ou um país ineficiente com suas finanças.

JV disse...

Buffet nasceu rico? O pai de Bill Gates era milionário?
Onde está a moral em impedir que o filho herde do pai sua riqueza?

JV disse...

Isso é falso. Ele paga pouco imposto porque dividendos e ganhos de capital tem tratamento favorável.

JV- o capital que gera dividendos já foi pesadamente taxado.


O argumento moral é o mais fácil de se fazer, pois o que você chama de ‘sucesso’ é parte esforço, parte sorte (nascer de pai rico ajuda e muuuuito).

JV- se sorte justifica a moral de cobrar impostos, o azar justifica a compensação, o imposto negativo. Como sorte e azar dependem de escolhas acertadas e errôneas logo estariam premiando escolhas infelizes.


Existe um caso moral bem forte para isso, mas é tecnicamente difícil de se implementar (quem definiria beleza?)

JV- não há caso moral para a injustiça cósmica.



Novamente, a sua premissa é errada. A grande maioria dos ricos– nos EUA e no Brasil – são ricos porque herdaram, não porque trabalharam mais. Eu conheço muito mais milionários que nunca trabalharam do que milionários que trabalham duro.

JV- pai rico, filho nobre, neto pobre, essa é a realidade de familias ricas cujos descendentes não trabalham. Ainda assim, qual a moral de impedir que filhos herdem as riquezas de seus pais?


Isso não é necessariamente verdade. Sugiro que leia o trabalho do pessoal de Minnesota em Dynamic Public Finance (Kocherlakota e outros).

JV= http://en.wikipedia.org/wiki/Optimal_taxation

JV disse...

Teve essa discussão no programa da globo news Manhattan Connection e por incrível que pareça até o Diogo Mainardi concordou com isso, quem não concorda "é" esses egocêntricos seguidores de Ayn Rand.

JV- na verdade o século 20 provou que o povo deve aos empresários seu bem estar. O estado os substituindo leva o povo à miséria.

j.a.mellow disse...

Caros Amigos;
Dessa discussão toda eu só acho uma coisa, é que o imposto sobre a renda, êste deve ser realmente cobrado progressivamente dos mais ricos, agora de uma forma não expropriatória. Os outros impostos, sobre grandes fortunas e etc., isso realmente é um total desestimulo, pois é no patrimonio que se criam novas riquezas e ninguém de sâ consciencia vai querer um patrimonio morto, sem produzir renda. Portanto, o patrimonio tem que ser preservado como um premio pela conquista, como fruto do trabalho.
Mesmo nas heranças, quando não há competencia empresarial as próprias leis de mercado que são incorruptíveis, resolvem e fazem as mesmas mudarem de mãos.
Os pobres com educação, serão os executivos dos endinheirados de berço, não vos preocupeis!
blogdojamellow.blogspot.com

Anônimo disse...

Anônimo,

Você é (ou quer ser) jornalista?
Então, meu caro, aprenda a lidar com a última flor do Lácio, incluta e bela. É o mínimo que se espera de você.

Anônimo disse...

Sou jornalista, e realmente acredito no que falei, vejo dinheiro como consequencia e necessário, porém não é tudo na minha vida, penso assim, voçe pode pensar do jeito que quiser.

Anônimo disse...

Anônimo,

Falando (e escrevendo) assim, dificilmente alguém o chamará para tomar sorvete.

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