segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Regime de Metas de Inflação?

Recentemente o Banco Central anunciou a decisão de baixar a taxa de juros para 12% ao ano (um corte de 0,5 pontos percentuais em relação a antiga taxa). Muitos analistas se mostraram chocados com tal decisão. O motivo é simples: a inflação atingiu 6,9% no acumulado dos últimos 12 meses, isto é, acima do teto da meta de inflação (que é de 6,5%). Dessa forma, esperava-se que o BACEN mantivesse uma agressiva política de juros para combater o processo inflacionário.

Particularmente, nunca fui um grande fã do sistema de metas de inflação. Contudo, acredito que seja melhor mantê-lo do que ir para algum regime sem rumo. O objetivo desse post não é discutir se a decisão do BACEN (de baixar os juros) foi correta ou não. O objetivo aqui é mostrar o óbvio: o regime de metas de inflação só existe no papel, na prática deixou de existir.

Existem motivos para justificar a decisão do BACEN: possível retração da economia, a redução dos juros melhora a situação fiscal, entre outros, são alguns bons argumentos que podem sustentar a queda dos juros. Ou seja, existem motivos honestos que justificam a decisão do BACEN. Contudo, é difícil aceitar tais motivos DENTRO de um regime de metas de inflação. O regime de metas de inflação depende, em larga escala, de sua habilidade de ancorar as expectativas futuras de inflação. Mas, nas circunstâncias atuais, a redução dos juros atua justamente na direção oposta: diminui a credibilidade do BACEN, fazendo deteriorar as expectativas futuras de inflação.

Tal como esse blog já alertou há um bom tempo atrás, o regime de metas de inflação deixou de operar no Brasil. Desnecessário dizer que José Serra, aquele que deveria ser o líder da oposição no Brasil, aprovou a decisão do BACEN. Com uma oposição como essa, fica difícil ao BACEN manter uma posição de independência. Afinal, parece que tanto o governo quanto a oposição querem o mesmo: mais inflação e menos rigor no combate do processo inflacionário.

4 comentários:

Anônimo disse...

O Zé Serra pertence à classe dos PTnomistas.

Chutando a Lata disse...

Estou, embora não seja um fã incondicional dessa tal de inflation target, na mesma linha de pensamento que voce. Porém faço uma ressalva: o que importa, no contexto de regime de metas inflacionarias, é a expectativa futura de inflação que os agentes sinalizam para o BACEN. Assim sendo, se essas, num futuro próximo, endossarem o que o Bacen fez acho que nada em essencial mudará. Mas se tais expectativas, catalogadas conforme usualmente o BACEN faz, apontarem para outra direção ai então haverá, de fato, um problema para ser equacionado.

Anônimo disse...

para você que gosta da ideia de moeda privada:
http://www.technologyreview.com/computing/38392/

Luciano disse...

Adolfo, o que me diz dessa afirmação do Werlang?
"Um dos principais responsáveis pela implementação do regime de metas de inflação no Brasil, Sergio Werlang, diz que o Banco Central não colocou o sistema em xeque ao surpreender os analistas e reduzir na semana passada os juros de 12,5% para 12% ao ano. Para ele, "surpresas esporádicas" fazem parte da condução da política monetária, desde que não sejam frequentes. Ex-diretor de Política Econômica do BC e hoje vice-presidente-executivo do Itaú Unibanco, Werlang classifica a decisão do BC como "ousada", mas diz que ela "pode ser perfeitamente justificada, principalmente se o crescimento dos países europeus e dos EUA for baixo e a diretriz de austeridade fiscal for rigidamente obedecida".

Grande abraço, Luciano

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