quinta-feira, 29 de março de 2012

O Envelhecimento Populacional Brasileiro

Há 30 anos o Brasil era considerado o país do futuro. Boa parte dessa crença era baseada num constatação demográfica da população nacional. Éramos uma população jovem. Com o passar dos anos essa população foi envelhecendo. Tal envelhecimento gerou um fato conhecido por “Dividendo Populacional”.

Dividendo populacional é um fenômeno demográfico que gera efeitos econômicos positivos para uma nação. Em primeiro lugar, o envelhecimento populacional diminui o percentual de crianças em relação ao total da população. Isso diminui os gastos com saúde pública (pois crianças ficam doentes e se machucam com frequência), e reduzem também os gastos públicos com educação básica e fundamental.

Em segundo lugar, ocorre um aumento do percentual da população em idade de trabalho. Esse fato aumenta a capacidade de produção de um país. Além disso, aumenta também a taxa de poupança doméstica. Afinal, com mais pessoas produzindo sobra-se um excedente maior para ser poupado. Em terceiro lugar, nos primeiros estágios do dividendo populacional, a população idosa ainda não aumentou de maneira significativa, o que também gera bônus no mercado de previdência.

Dessa maneira, o dividendo populacional é uma chance única para um país aproveitar: aumenta-se a produção, mais pessoas trabalham, poupa-se mais, e reduzem-se os gastos sociais. Infelizmente, esse fenômeno só ocorre uma vez. No Brasil esse dividendo já está ocorrendo em algum tempo. Contudo, as estimativas sugerem que a partir de 2020 esse dividendo populacional passe a se reverter. Isto é, ao invés de dividendo teremos um passivo populacional.

As baixas taxas de poupança doméstica, aliadas ao baixo crescimento econômico e as dificuldades associadas ao equilíbrio das contas públicas, sugerem que o Brasil está jogando fora as oportunidades associadas ao dividendo populacional. Em breve, tal dividendo se transformará em ônus. E teremos que pagar um preço alto por termos desperdiçado tão importante oportunidade.

7 comentários:

Anônimo disse...

Vai ser legal é a aposentadoria de donas de casa, agricultores entre outras classes que nunca contribuíram r vão se aposentar.

Urban Demographics disse...

Com menor ou maior intensidade e velocidade, essa dinâmica tem afetado e vai afetar todos países. O Brasil não é um país "privilegiado" nesse sentido. Aliás, nem estamos tão mal assim!

http://urbandemographics.blogspot.com.br/2012/03/vanishing-workforce.html

JV disse...

Muito estranho, menos crianças significa também uma economia voltada a elas muito diminuída. O exemplo dos pediatras, outrora abundantes mas sacrificados, hoje raros e tratados a ouro. Outro dado é que seguro de saúde para crianças é muito mais barato que de pessoas acima de 60 anos de idade, mesmo produtivas.

Anônimo disse...

Meus caros,
Só um ponto terrível nesta discussão. Aqui, há tempos, fala-se da suposta crise da previdência e como isto seria um problema comum a muitos países (não estaríamos sozinhos, portanto). O problema (que seria engraçadíssimo caso eu não fosse brasileiro) é que nossa previdência está em crise em pleno bonus demográfico!!!! Já os outros países apresentariam uma crise previdenciária porque estes já haviam adentrado na fase com uma grande população idosa e uma taxa de dependência alta (devido a isto)!!!!
Não é engraçado? Não sei se as pessoas que apontavam isto eram só estúpidas ou agiam de má-fé, mas o fato é que NÃO DEVERÍAMOS OBSERVAR UMA CRISE PREVIDENCIÁRIA NOS TEMPOS ATUAIS. E se agora está assim, VAI PIORAR MUITO QUANDO NOSSO ABONO POPULACIONAL PASSAR!!!!
E durma-se com um barulho destes.
saudações

Anônimo disse...

eu estou pronto para aderir ao fundo de previdência que criarem para o judiciário da união. sei que serei roubado, mas a questão é quanto me roubarão. contribuir com 11% da minha renda, sabendo que não haverá aposentadoria integral no futuro, ou contribuir sobre 11% do teto do inss?

Daniel disse...

Prezados, deixe eu compartilhar algo com vocês:

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1256

Estudo a escola austríaca por hobby, mas não sou lunático, nem fanático, gosto de Hayek, de Mises, mas não os venero. Primo pela lógica e pelos fatos acima de tudo.

Havia visto este post neste site que se diz "austríaco", mas antes de austríaco o site é "anarco-capitalista" e obscurantista, vende pílulas mágicas para os jovens e pouco trabalha teoria.

O post em questão é uma afronta à razão. Interpreta Friedman de maneira completamente equivocada, é analfabeto em relação ao escopo dos métodos quantitativos na economia, e ainda fala algo trivial como se fosse A teoria econômica: se a demanda aumentar preços aumentam.

Todavia, como sabemos, preços são definidos por oferta e demanda... então, supondo uma oferta perfeitamente elástica por exemplo, aumento de demanda não implica em aumento de preços. Fora do ambiente concorrencial também é fácil pensar em inúmeros exemplos em que aumento de demanda não implique em aumento de preços.

Eu e outro indivíduo tentamos mostrar esse fato para os lunáticos mas fomos censurados (eles não divulgam todas as respostas que escrevemos, deixam aparecer apenas aquelas respostas que lhes convém) e a conversa se deu como se conversássemos com asnos arrogantes. Os sujeitos não sabem um conceito sequer de lógica, falam tudo sem qualquer preocupação, não sabem sequer definir seus conceitos... veja o próprio Fernando, que achava que estava "deduzindo" logicamente do "irrefutável axioma da ação humana" quando na verdade apenas estava dando o exemplo. O sujeito não sabe a diferença entre dedução e anedota e arrogantemente impede os outros de mostrar um erro...

Enfim, gostaria de compartilhar isso aqui neste blog (e em outros) pois como lá eles não publicam os comentários fica difícil se expressar.

Desculpe-me o dono do blog pelo importuno.

Muito obrigado pela atenção.

Daniel

Anônimo disse...

Se o país está bom nessas estimativas e em 2020 irão cair. Temos um grave problema com a população brasileira.

Vagner

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