terça-feira, 24 de abril de 2012

A Catástrofe ainda pode ser evitada

A conjuntura econômica internacional atual é extremamente favorável ao Brasil. Os preços das mercadorias que o Brasil exporta estão em alta, e a taxa de juros internacional está num dos patamares mais baixos da história. O que o Brasil deveria fazer? Simples, aproveitar tal cenário para fazer fortes ajustes nas contas públicas. Deveríamos aproveitar essa oportunidade, onde temos gordura para queimar, para cortar severamente o gasto público, e com tal brecha reduzirmos a carga tributária brasileira.

Com os juros internacionais em baixa, existe espaço para a taxa de juros doméstica ficar em patamares favoráveis. Com juros domésticos mais baixos, fica mais fácil conseguir superávits fiscais que efetivamente reduzam a necessidade de financiamento do setor público. Precisamos aproveitar esse momento para reduzir a dívida pública. Precisamos aproveitar esse momento para reduzir a carga tributária. Precisamos aproveitar esse momento para fazermos as mudanças estruturais de que este país precisa.

Vou ser bem claro: os juros internacionais não ficarão neste patamar para sempre. Os termos de troca não serão favoráveis ao Brasil para sempre. O cenário internacional é um cenário de curto prazo. Devemos aproveitar a chance para nos prepararmos para o que vem depois. E o que vem depois? Depois virá a inflação nos EUA, e com ela virão os aumentos das taxas de juros internacionais, e com tal aumento virá também a consequente redução da atividade econômica mundial, com redução da vantagem brasileira na questão dos termos de troca.

Meus amigos, é a volta da década de 1970!!! Será que é tão difícil aos dirigentes desse país notarem isso??? Irá acontecer com o Brasil exatamente o que já nos aconteceu na década de 1980: tão logo os EUA aumentem a taxa de juros, o Brasil será jogado numa terrível recessão. Nós já passamos por isso antes, não é possível que os dirigentes econômicos da nação não estejam percebendo o que irá nos acontecer em breve.

Meus amigos, eu entrei no mercado de trabalho nos anos 1990. Vou dizer o que não havia: não havia emprego. Tenho colegas que entraram no mercado de trabalho nos anos 1980, vou dizer o que não havia: não havia emprego. As décadas de 1980 e 1990 foram terríveis, e tudo aconteceu da mesma maneira que está ocorrendo agora: as taxas de juros internacionais estavam baixas, o Brasil não fez os ajustes, a inflação voltou, as taxas de juros internacionais subiram, e o Brasil se estagnou. Será que iremos passar novamente por isso?

6 comentários:

Demetrio Carneiro disse...

Adolfo vc fala em termos de lógica, mas essa turma pensa a economia em outro termos. Claro que seria ótimo, por exemplo liberar realmente o câmbio, pegar toda essa grana disponível do Fundo Soberano e liquidar parte da dívida. Mas o sonho do Mantega é o câmbio "flutuante desde que controlado" e vai por ai à fora. É capaz mesmo que venhamos a entrar futuramente numa recessão. Ai eles vão dizer que a culpa é dos países desenvolvidos etc. O resto a gente já conhece.

amauri disse...

Bom dia Adolfo!
É certo o que LI:
"para financiar os gastos públicos o governo ou recorre a empréstimos (FMI por exemplo) ou imprime dinheiro (inflação) ou aumenta impostos (ainda tem margem?) ou vende títulos da divida publica ou reduz drasticamente os gastos públicos. Com o financiamento do governo nas obras da Copa e da Olimpíada, não fica difícil? abs

Dawran Numida disse...

Infelizmente, ao que parece, eles vão insistir na mesma política, tendo por pressuposto uma piora mais profunda na Europa, Japão, China e EUA.

Caso esse pressupostos não venha a concretizar-se, não terão alternativas a não ser elevar os juros novamente.
Pois os preços estarão pressionados pela liquidez e pelo crédito para bens duráveis de consumo.
É o que dá para perceber por ora.

José Carneiro da Cunha disse...

A única diferença é que no passado não tínhamos o super Mantega contra o baixo astral com planejador central.
Como esse grande candidato ao Nobel disse, estamos ensinando ao mundo que podemos sim controlar o cambio, e todo o resto.

Abs

José Carneiro

Anônimo disse...

Qual a real intenção do governo em baixar as taxas de juros? Essa de beneficiar o povo não é a real.

Ginno

Anônimo disse...

Meus caros,
Este argumento de estarmos repetindo a década de 70 é totalmente falacioso. Eu também cai neste canto de sereias e me arrependi profundamente.
O maior campeão de todos os tempos de uma libertadores foi o CRUZEIRÃO EXPORTAÇÃO de 76 (em 13 jogos, 11 vitórias, 1 empate e 1 derrota). Além dos números arrassadores (que não vou citar aqui), existem diversos episódios épicos sobre esta conquista.
Ano passado, o mesmo CRUZEIRÃO EXPORTAÇÃO parecia que ia repetir a dose. Mesmo pegando o grupo da morte (CRUZEIRÃO, campeão argentino, campeão paraguaio e o time que eliminou o Corintia), a campanh foi espetacular e terminamos como melhor equipe do torneio na primeira fase. Na segunda fase, ganhamos por 2x1 na casa do adversário (o mal fadado Once Caldas). Fomos eliminados em casa (como o Cuca é pé-frio!!!!).
Assim, NÃO VENHAM ME FALAR QUE ESTAMOS REPETINDO A DÉCADA DE 70!!!! Definitivamente, NÃO É VERDADE!!!!!
Agora, infelizmente, nestas questões econômicas todas, estamos igualzinho (e nosso atual II PND são as obras que estão sendo feitas para a Copa do Mundo - caríssimas e com baixíssimo retorno econômico e social).
Saudações

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