segunda-feira, 9 de abril de 2012

O mais recente pacote econômico do Governo Dilma

Abaixo segue meu artigo publicado no Ordem Livre.

Em 2011, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 2,7%. As projeções para 2012 também não são animadoras. Preocupado com tal cenário, a equipe econômica do governo lançou um novo pacote de medidas econômicas para estimular o crescimento. O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, acredita que com tais medidas o PIB pode crescer 4,5% neste ano.

As medidas adotadas pelo governo procuram estimular setores específicos, ao mesmo tempo em que desestimulam outros. Por exemplo, a indústria de eletrodomésticos foi premiada com subsídios, ao passo que os importadores serão punidos com mais impostos. De maneira geral, o pacote do governo Dilma segue o padrão adotado por seu antecessor: premia setores escolhidos por critérios político-econômicos com o dinheiro do resto da população.

Não satisfeito em financiar o BNDES, o Tesouro vai agora também ajudar a desonerar a folha de pagamento das empresas. Esse tipo de operação é lamentável. Em vez de escolher setores que receberão subsídios (à custa do resto da população), seria muito melhor uma medida que desonerasse a folha de pagamento de TODAS as empresas (e não somente das amigas do rei). Deve-se ressaltar que é absurda, e perigosa do ponto de vista econômico, a enorme gentileza do Tesouro Nacional (isto é, nós os pobres mortais) nas transferências para o BNDES (isto é, grandes empresários).

Vamos deixar claro, o novo pacote de benesses governamentais, feito com o dinheiro do contribuinte brasileiro, equivale a dizer que TODO contribuinte brasileiro irá transferir recursos para as indústrias beneficiadas com esse pacote. Como, na média, o contribuinte brasileiro é mais pobre que os empresários e trabalhadores dos setores beneficiados, temos que os mais pobres irão transferir recursos para os mais ricos.

Para finalizar, que tal verificarmos um fato óbvio? Qual foi a taxa de crescimento do PIB per capita brasileiro nos últimos 30 anos? Ou então nos últimos 20 anos? Ou então nos últimos 15 anos? Faça a conta e você verá que o PIB per capita brasileiro tem crescido, em média, 1% ao ano. Isto é, fica evidente que o problema brasileiro não é conjuntural (como as medidas do governo parecem sugerir). O problema brasileiro é estrutural, reside nos baixos índices de produtividade e competitividade do Brasil. Infelizmente, para esse governo, quando dizemos que “precisamos melhorar a nossa competitividade”, ele não entende que “ precisamos diminuir os impostos e abrir e desburocratizar a economia brasileira”. Esse governo confunde melhorar a competitividade com desvalorizar o câmbio, e essa será nossa ruína.

2 comentários:

William dos Reis disse...

O problema da falta de competitividade dos produtos brasileiros não se resolve com medidas paliativas e tão pouco protecionistas. Os nossos produtos não são competitivos quando comparados aos de outros mercados, sobretudo os emergentes, por conta da excessiva e complexa carga tributária, das obsoletas leis trabalhistas e de um sistema judiciário que não acompanha a evolução de um mundo globalizado.

Tudo isso junto torna o custo de produção muito alto no Brasil, onerando as empresas que, não conseguindo produzir para atender a demanda, aumentam ainda mais seus preços pressionando a inflação.

Injetar mais crédito através do BNDES e reduzir as taxas cobradas pelos Banco do Brasil e Caixa Econômica, vão fazer com que haja ainda mais pressão sobre as empresas para atender a demanda e consequentemente os preços se elevarão ainda mais. A solução para o Brasil é uma reforma estrutural completa sim Adolfo; e para isso é preciso que se tenham políticos corajosos que pensem nos interesses do Brasil no longo prazo em detrimento de interesses particulares no curto prazo.

Não podemos continuar na mesma estrada que sempre percorremos, sendo que os tempos são outros e a globalização nos obriga a mudarmos a rota para alcançarmos o nível de atividade de outros países e assim conquistarmos a tão falada competitividade. Por fim, não podemos falar de competitividade em economias que tendem ao protecionismo, já que seu principal elemento é a concorrência.

Grande Abraço,

William dos Reis
http://www.reflexoeswilliam.blogspot.com.br/

Anônimo disse...

Voltamos rapidamente aos anos 70... O próximo passo será a re-edição da Lei de Informática. Na TV PHA será o novo Amoral Nato e nos mostrará as "conquistas da tecnologia 100% nacional". Triste Brasil, sempre fazendo tudo errado e achando que é potência emergente. Ñesta última semana saiu uma notícia que poucos prestaram a devida atenção: Dobrou a inadimplência nos financiamentos de veículos. Já vejo a demagogia lubrificando as engrenagens e fico pensando quando a Caixa e o BB vão assumir estes financiamentos, com mais um super-prejuízo para todos nós.

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