quarta-feira, 23 de maio de 2012

O Novo Pacote Econômico do Governo, ou Ainda bem que a JBS Friboi não produz carros!!!

Num país sério um Ministro da Fazenda deveria explicar porque ele lança um pacote de medidas de recuperação da atividade econômica, dado que ele mesmo afirma que não há problemas com a atividade econômica. Mas enfim, nessa dialética desenvolvimentista que caracteriza a pior equipe econômica de todos os tempos, nada é tão ruim que não possa ser piorado.

O Governo lançou um pacote de estímulos que diminui impostos, e aumenta o crédito, para determinados segmentos do mercado automotivo e de bens de capital. Cabe ressaltar que no tocante a impostos a redução vale até agosto desse ano. Então vamos ver porque esse pacote também não vai funcionar:

1) O problema do Brasil não é conjuntural, é estrutural. Medidas conjunturais não irão resolver o problema básico da economia brasileira: alta carga tributária, baixa produtividade, legislação trabalhista inadequada, etc.
2) O problema do Brasil não é de demanda, é de oferta. O pacote do governo parece acreditar que é possível consumir sem produzir antes.
3) O pacote é tão ruim, mas tão ruim, que nem mesmo na indústria automobilística irá ajudar. Acontece que muitas pessoas iriam comprar carro até o final do ano, mas com o estímulo tributário elas irão antecipar a compra. Isto é, o número total de veículos vendidos no ano vai se alterar pouco.
4) Geralmente na compra de um veículo novo você usa seu veículo usado como entrada. Como o preço de carros novos irá cair, o preço dos usados TAMBÉM irá cair. Logo, é bem provável que a diferença final que o consumidor deve inteirar se reduza pouco.
5) Uma pessoa que pretendia reformar a casa esse ano, e trocar de carro ano que vem, pode perfeitamente inverter suas prioridades. Comprando o carro agora e deixando a reforma para depois. Isso implica que o estímulo ao setor automobilístico terá sido obtido a custa de perdas em outros setores da economia.

O pacote do governo para ajudar MAIS UMA VEZ o ineficiente setor automobilístico brasileiro só não é pior porque o JBS Friboi não produz carro.... mas como disse antes, para essa equipe econômica, nada é tão ruim que não possa ser piorado.

6 comentários:

amauri disse...

Boa tarde Adolfo!
Mas no caso automobilístico não está sobrando veículos? Neste caso o credito deve diminuir o estoque. Não defendo o credito fácil. Mas está atitude gera votos para s próximas eleições municipais, aumenta o PIB. Aumento de PIB com redores de endividamento e inadiplencia não vale nada. abs

Gian disse...

Pior que a da Zélia??

Marcelo Cerri disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcelo Cerri disse...

Adolfo,

Parabéns e muito obrigado pelo Blog! Há uns meses que venho lendo seus textos e têm me ajudado muito a entender o funcionamento do mercado e a lógica (ou falta de lógica) das políticas econômicas no Brasil.

Amauri,

A indústria automobilística está com os estoques cheios, mas isso é fruto de um erro de análise de mercado dessas indústrias. Numa economia de mercado essas empresas simplesmente reduziriam os preços e a quantidade de carros fabricados até que os estoques ficassem regularizados. É de lucros e prejuízos que é feito o capitalismo. No entanto nosso governo intervencionista acha que alguns setores devem ser protegidos da possibilidade de ter prejuízo ou quebras. Esses setores são premiados pela sua incompetência. O governo não deveria premiar erros como está fazendo. Infelizmente, existem políticas que aparentemente geram resultados positivos, como redução do desemprego e elevação do PIB no curto prazo, mas que, por trás do que vê, têm como efeito final a destruição de riquezas. É o caso do exemplo da reforma da casa que o Adolfo usou. Quando nós compramos um carro por causa de políticas de estímulo, esse recurso deixa de ser usado em outros setores mais eficientes. Isso não só é um roubo de uma indústria para outra, como impede que o país desenvolva indústrias competitivas. Isso é o que os estudiosos da Escola Austríaca de Economia chamam de “malinvestments”. Além disso, o que o Adolfo colocou no item 2 é de suma importância: a crença keynesiana de que o consumo gera riqueza, a negação da Lei de Say. Esse é um ponto que gostaria muito de ouvir a opinião do Adolfo.

Abs

"O" Anonimo disse...

Lei de Say?

Marcelo Cerri disse...

Caro "O" anônimo,
No meu ponto de vista, todo keynesianismo, toda essa onda intervencionista dos governos é baseada na falsa refutação da Lei de Say. Ludwig von Mises explica muito bem no texto abaixo:

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=159

Google+ Followers

Gadget

Este conteúdo ainda não está disponível por conexões criptografadas.

Follow by Email