quarta-feira, 11 de julho de 2012

Entrevista com Alexandre Schwartsman: a década de 1970 está de volta?

Num esforço desse blog para tornar claro os perigos inerentes da política econômica adotada atualmente em nosso país, estou entrevistando uma série de especialistas em economia brasileira. Todos respondem ao mesmo conjunto de três perguntas.

Neste post, entrevistamos nosso segundo convidado: Alexandre Schwartsman. Ele mantém um dos melhores blogs de economia do Brasil: A mão visível. Schwartsman é certamente uma das maiores autoridades sobre economia brasileira. Tem experiência como ex-diretor do Banco Central e muita experiência no setor privado. O Sachsida agradece a gentileza da entrevista.



1) O Brasil está revivendo o final da década de 1970? Será que em breve estaremos revivendo a década de 1980 (apelidada de década perdida)? Por que?

Resposta) Em alguma medida, sim, mas não chegamos lá (ainda?). Em comum, a tentativa de manter a demanda doméstica como motor do crescimento quando o mundo se torna um lugar mais complicado, assim como uma tendência à intervenção mais direta na economia. Institucionalmente, porém, se tornou mais difícil retomar a grau de intervenção que havia à época. Só para lembrar, havia 3 orçamentos (fiscal, monetário e estatais, sendo que apenas o primeiro passava pelo Congresso). É verdade que o BNDES virou um orçamento monetário, mas mais sujeito a controle do que havia então.


2) Qual o maior risco do cenário externo para a economia brasileira?

Resposta) Queda adicional de preços de commodities, revertendo os ganhos de termos de troca. Isto requer a contração da demanda doméstica relativamente ao PIB para compensar a perda, mas não me parece que o governo esteja disposto a fazer isto, seja pelo lado fiscal, seja pelo lado monetário. Ao mesmo tempo parece assustado com a possibilidade de desvalorização adicional da moeda. Com menos espaço de crescimento receio que a reação de política econômica agrave o quadro.


3) O governo parece estar usando política tributária para controlar a inflação. Você acredita que isso seja verdade? Se for verdade, concorda com isso? Por que?

Resposta) Sim. Embora a redução do IPI tenha outras motivações, teve efeitos temporários sobre a inflação que estão sendo brandidos como prova de controle inflacionário. Mais importante foi a decisão de aumentar o preço dos combustíveis no limite do que foi possível compensar com a queda da CIDE.

Obviamente este tipo de política afeta a manifestação da inflação, mas não suas raízes, a saber, um ritmo de expansão da demanda incompatível com a capacidade produtiva da economia. Enquanto os ganhos de termos de troca permitirem, o ajuste se dá pelas importações, com efeito moderado sobre o balanço de pagamentos, mas, a mesmo tempo, muito menos efetivo quando se trata de bens não-comercializáveis.

2 comentários:

Anônimo disse...

Shiváááá

paulo araújo disse...

Caro professor Adolfo

Excelente iniciativa. Boa diversidade na escolha dos entrevistados. E tudo isso somado à clareza em linguagem acessível para quem não é do ramo da economia.

De minha parte, vou divulgar entre a minha minúscula rede de amigos

Parabéns!

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