domingo, 9 de setembro de 2012

Como Ex-Aluno da UnB digo: Quero uma universidade que valorize a Excelência!!!

Nos Estados Unidos é muito normal que ex-alunos participem do dia a dia das universidades. Infelizmente, no Brasil essa saudável tradição não é tão presente. Aqui minha vida acadêmica se resume a três universidades: 1) Universidade Estadual de Londrina, onde me graduei em economia; 2) Universidade de Brasília onde concluí meu mestrado e doutorado; e 3) Universidade Católica de Brasília onde trabalhei por um bom tempo.

Tenho um enorme carinho pela UnB. Universidade que me acolheu e que se fez presente em minha vida. Por isso, observo com muita tristeza a intromissão de um partido político na eleição para reitor da UnB. O que o PT quer com a UnB? Por que um partido político está apoiando uma chapa específica? Isso é tão escandaloso, tão anti-democrático, que a própria chapa que recebe o apoio petista tem vergonha desse apoio e tenta escondê-lo a todo custo.

Como ex-aluno tenho orgulho de dizer que me formei na UnB. Como ex-aluno fico escandalizado com um partido político querendo influir numa eleição para reitor. Notem: não há nada de errado numa pessoa filiada a determinado partido político disputar eleições dentro da universidade. O que está errado é um partido político mobilizar sua máquina para tentar afetar a democracia interna da UnB. Pior ainda, quando esse partido é o mesmo da Presidente da República e do Governo do Distrito Federal. Isto é, não estamos falando de qualquer partido. Estamos falando de um forte o bastante para influir em eleições dentro da UnB.

Como ex-aluno da UnB eu digo: quero a EXCELÊNCIA, quero o mérito acadêmico de volta a Universidade de Brasília. A UnB é maior do que partidos políticos. A UnB é uma casa do saber, um recinto onde o pesquisa deve estar acima de interesses políticos.

12 comentários:

Anônimo disse...

Valeu Adolfo!!! A Unb está correndo sérios riscos, caso a Marcia Abrahão seja eleita. Acredito que se isto ocorrer, teremos mais quatro anos de retrocessos em todos os níveis.

Daniel disse...

Só existe um caminho para que o sistema universitário brasileiro entre nos trilhos da excelência e da meritocracia: a completa e irrestrita privatização, bem como a cessação imediata de qualquer fundo público para instituições privadas.

O conhecimento em alto nível - aquele oferecido pelas instituições de ensino superior - é um serviço demandado pelos consumidores. Ele incrementa a perspectiva de renda de quem o adquire. É uma "bem de capital", ou "fator de produção", como queiram. Não existe nenhuma justificativa para a provisão estatal. O argumento de que "é bom para a sociedade" não passa de propaganda política de quinta categoria. A produção de sapatos também é boa para a sociedade (experimente andar descalço pelas ruas num dia quente).

Num mercado livre e desimpedido as firmas que melhor proverem o ensino superior serão as que mais se destacarão. O lucro nada mais será a contrapartida monetária do reconhecimento do público. Elas buscarão constantemente a qualidade, o bom atendimento e a excelência, sem falar na política de meritocracia interna e no uso racional dos recursos. Nada disso é mera especulação teórica. Isso acontece com qualquer empresa que opera em mercados livres e desimpedidos.

Sem a completa reestruturação do sistema universitário, o que resta àqueles que lutam pela melhoria da qualidade e pelo desaparelhamento político das Universidades é esperar que um dia políticos e funcionário públicos, milagrosamente, passem a atuar como empresários. Se existe utopia, essa é uma.

sds.

Daniel Marchi

Anônimo disse...

Caro Daniel,

Concordo que a privatização seria a melhor solução para as universidades. Porém esta medida não está na pauta de nenhum dos principais partidos políticos do Brasil. Desta forma é lícito supor que, se vier a ocorrer, ainda está longe o dia em que as universidades serão privatizadas.

Até lá fazer o que? Sentar e chorar? Existem exemplos de universidades públicas muito bem sucedidas em outros países. Por que não tentar seguir estes exemplos e tentar conseguir o melhor com as condições presentes?

Daniel disse...

Caro Anônimo (?!)

Até lá os professores que querem mudar o status quo podem sentar e escrever um documento/estudo mostrando a superioridade do sistema privado em relação ao público. A peça pediria a imediata separação do estado da educação, ou seja, a privatização de todo o sistema universitário. Os que acreditam na universidade livre de propaganda política, voltada efetivamente para o ensino superior, assinariam o documento. Um site na internet e a publicação da peça em grandes jornais seriam ações de grande efetividade.

Sobre universidades públicas bem sucedidas. Universidades públicas são financiadas diretamente por impostos (muitas delas, em outros países, cobram mensalidade, é verdade); recebem aporte dos mais variados fundos públicos; não são regidas pelo sistema de lucros e prejuízos; seus gestores não estão incentivados a reduzir custos. Uma instituição, qualquer que seja, que possua tais características jamais pode ser classificada como "bem sucedida".

Qualquer atividade que as pessoas são OBRIGADAS a financiar é mal sucedida, por definição. A não ser que seja provado que a tomada à força de recursos das pessoas representa um arranjo social superior à livre escolha. Não tenho condições de provar isso.

sds.

Daniel Marchi

Anônimo disse...

O Daniel acha que ensino e sapatos é a mesma coisa?

Mein Gott!!!!

Daniel disse...

Não Anônimo, não acho que ensino e sapato são a mesma coisa. Se você não percebeu, a produção de sapatos foi mencionada como algo importante, no qual os políticos também poderiam pegar carona e sair por aí dizendo que ela deveria ser gerida pelo estado.

No caso específico do Brasil, não me resta dúvida que os sapatos são muito mais importantes que o ensino. Sapatos não deturpam as mentes, não acovardam os jovens e não fazem doutrinação marxista 24h por dia.

sds.

Daniel Marchi

Anônimo disse...

Daniel,

Esta tua estratégia lembra a estratégia da esquerda radical. Assim como você eles acreditam que a universidade só pode ser boa se induzir uma mudança na sociedade que crie as condições para que esta se torne boa. A partir de um princípio geral eles determinam que a universidade nunca será boa a não ser que este princípio seja revogado da sociedade.

Respeito este tipo de idealismo, mas não creio que se chegue a muito longe com idealismo. Sou pragmático, se eu puder aproximar uma pública federal da UCLA ou mesmo da USP acredito que estarei fazendo muito, muito mesmo. Abrir mão desta possibilidade para tentar uma utopia seria uma péssima escolha.

Abraço,

Anônimo (?!)

Daniel disse...

Anônimo (?!)

Verdade. Esse negócio de concorrência e livre-iniciativa na educação superior é pura utopia.

Esperemos que um dia o governo seja pilotado por sábios abnegados, interessados na excelência e na meritocracia.

Boa sorte para todos nós.

sds.

Daniel Marchi

Daniel disse...

Apenas complementando, um dos problemas da universidade pública é que ela está sempre sujeita à presença de parasitas. A USP (Ribeirão Preto), por exemplo, está infestada deles.

Notícia do G1
USP interdita pista de atletismo por infestação de carrapatos

http://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2012/09/usp-interdita-pista-de-atletismo-por-infestacao-de-carrapatos-em-ribeirao.html

Anônimo disse...


"No caso específico do Brasil, não me resta dúvida que os sapatos são muito mais importantes que o ensino. Sapatos não deturpam as mentes, não acovardam os jovens e não fazem doutrinação marxista 24h por dia."


(Mein Gott) ^2



Anônimo disse...

Daniel,

Você consegue citar um país onde exista livre mercado na educação superior?
Não falo de existir universidades privadas, falo de: "a completa e irrestrita privatização, bem como a cessação imediata de qualquer fundo público para instituições privadas".

Daniel disse...

Caríssimo Anônimo

Não, não saberia citar um país cujo governo não tenha colocado todo o sistema universitário sob seu cabresto.

Obs.: Felizmente há algum tempo me livre de qualquer tipo de historicismo ou determinismo geográfico. Entendo que a razão humana é plenamente capaz de diagnosticar erros e, a partir de então, tentar corrigi-los. O fato de um determinado curso de ação não existir no local A ou B não diz nada sobre a inviabilidade do mesmo. Se assim fosse ainda estaríamos na Idade da Pedra, ou pior. Melhorias requerem inovações; inovações requerem algum tipo de ousadia e "desvio" do status quo.

sds.

Daniel Marchi

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