sexta-feira, 14 de setembro de 2012

O ano do ajuste de contas será 2015

A taxa de juros internacional está num dos patamares mais baixos da história. Um dia ela irá subir. O preço das commodities está num dos níveis mais altos da história. Um dia ele irá cair. Para complicar as coisas, estes dois fenômenos são correlacionados. Isto é, um aumento da taxa de juros internacional tem o potencial de abaixar o preço das commodities. Um dia a taxa de juros internacional irá subir e o preço das commodities irá cair, quando isso ocorrer o Brasil será jogado numa recessão.

O cenário internacional é excelente para o Brasil fazer as grandes reformas macroeconômicas, mas em vez disto estamos aproveitando esse momento para aumentarmos o consumo. Quando o correto seria aproveitar essa folga para fazermos os ajustes que nossa economia tanto precisa: ajuste fiscal, reforma tributária, reforma das leis trabalhistas, reforma previdenciária, abertura econômica, diminuição dos entraves burocráticos, etc.

Internamente o governo está fazendo de tudo para complicar sua situação: do lado fiscal tem aumentado os gastos públicos. O Brasil deve ter sido o primeiro país do mundo a anunciar um ajuste fiscal que aumenta gastos, em vez de diminuí-los, em relação ao ano anterior. Do lado monetário, já ficou claro que uma inflação de 6% ao ano não é preocupação.

Existe uma bolha imobiliária em formação aqui, graças novamente as políticas fiscais e monetárias expansionistas do governo. Existe um problema demográfico seríssimo que o governo insiste em ignorar. Em 2013 os gastos públicos para a copa do mundo terão que sair do papel, piorando ainda mais as contas públicas. Em 2014, como sempre acontece em ano de eleições, o gasto público dará um salto. Inclua nesse cenário a avalanche de medidas provisórias e intervenções governamentais na economia de todo tipo, inclusive as do BNDES, que aumentam o gasto público e favorecem setores eleitos pelo governo em detrimento do restante da sociedade.

Em 2015, primeiro ano do novo governo eleito, será o momento de pagar a conta da irresponsabilidade fiscal e monetária do passado. Economizem dinheiro, pois quando a crise chegar quem tiver liquidez (dinheiro em caixa) vai conseguir fazer excelentes negócios. A partir de 2015 o Brasil amargará o mesmo tipo de cenário que já enfrentou no começo dos anos 1980. Infelizmente, parece que os gestores da economia brasileira nada aprenderam com as lições recebidas ao final da década de 1970.

11 comentários:

Anônimo disse...

Professor,

Mais um ótimo artigo.

Aproveito para fazer duas perguntas:

1ª - O QE3 do governo americano pode agravar ainda mais isso, certo?
2ª - O debate sobre industrialização é explicado em sua maior parte pelo cambio ou pela produtividade? Ou por outra companete?

Abraço!
Marcos

Eu disse...

Onde eu posso ter acesso a dados e verificar essa correlação do commodities e da taxa de juros?

Gabriel disse...

Onde eu posso encontrar as informações para fazer essa correlação entre a taxa de juros e os commodities?

Diego disse...

Para completar, as equipes econômicas heterodoxas estão com a moral cada vez maior no governo.

Pode ter certeza que quando a Crise do Brasil chegar, vulgo "crise do neoliberalismo", essa turminha vai ter uma porção de idéias geniais para agravar a situação.

Diego disse...

Para completar, as equipes econômicas heterodoxas estão com a moral cada vez maior no governo.

Pode ter certeza que quando a Crise do Brasil chegar, vulgo "crise do neoliberalismo", essa turminha vai ter uma porção de idéias geniais para agravar a situação.

Thyago disse...

Pois é, já foi comentado no podcast.

Uma análise interessante... A questão da política tributária \ inflação também considero pertinente.

Anônimo disse...

Como apelidariam este novo choque?

Renato disse...

Excelente análise. Eu só acrescentaria o seguinte: o PT não vai largar o governo enquanto não terminar de falir o País. "Nunca na história deste País" teremos uma "herança tão maldita" quanto a gerada pela política econômica do PT.

Paulo Simões Diniz disse...

Adolfo, alguns amigos estão questionando a relação entre taxa de juros e preço de commodities. Seria interessante vc fazer um comentário extenso sobre esta relação para os não economistas.

Leonardo Aparecido Silva disse...

Quais atitudes devermos tomar, desde já, para que não nos tornemos vitimas da incompetência governamental? De que forma nos precaver?

Anônimo disse...

Pois é, agora é 2015 (no momento desse comentário) e aí está a previsão se tornando realidade.

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