domingo, 18 de novembro de 2012

Brasil, Crescimento Econômico, Conjuntura e Reformas Macroeconômicas


No dia 11 de junho de 2012 escrevi o texto abaixo. Acho que vale a pena reler.

A década de 1980 é conhecida como a “década perdida”. Utilizando dados do Ipeadata* podemos verificar que, entre 1980 e 1989, o PIB real per capita creceu em média 0,1% ao ano. Entre 1990 e 1999, o crescimento médio desse indicador (comumente adotado para verificar a evolução da riqueza de um país) foi de 0,7% ao ano. Entre 2000 e 2009, o PIB real per capita cresceu em média 1,9% ao ano. No período 1980-2011, tivemos um crescimento médio do PIB per capita real da ordem de 0,93% ao ano.

Os dados do parágrafo acima mostram o óbvio: nos últimos 30 anos o Brasil não conseguiu manter um crescimento sustentável, acima de 2% ao ano, ao longo de uma década. Você pode escolher períodos distintos, e pode também usar outro conjunto de dados, mas, como regra geral, o resultado é sempre o mesmo: o crescimento da riqueza no Brasil, nos últimos 30 anos, dado nosso patamar de renda, foi medíocre.

O fraco desempenho econômico de 2011, aliado ao mau começo de 2012, despertou a atenção da mídia. Mas eles nada mais são do que uma confirmação dos últimos 30 anos. O problema do Brasil não é conjuntural. Certamente que uma conjuntura internacional desfavorável piora o cenário interno. Mas não nos enganemos, o verdadeiro problema brasileiro é estrutural.

Enquanto o governo insistir em combater a crise com medidas de estímulo à demanda estaremos fadados ao fracasso. Somente uma ampla reforma trabalhista, que diminua os custos do trabalho no Brasil, aliada a uma reforma tributária que desonere o investimento e o capital, e que sobretudo promova a abertura da economia brasileira à competição internacional, pode tirar nosso país da armadilha da pobreza em que está estagnado nos últimos 30 anos. É evidente que a carga tributária brasileira precisa ser reduzida, e para tanto é fundamental que o governo brasileiro passe a gastar menos, estimulando sempre a iniciativa privada e dando garantias jurídicas para que os grandes investimentos em infraestrutura possam ser realizados.

Por fim, faço aqui um alerta: o novo código florestal brasileiro pode ser um tremendo problema de longo prazo para o Brasil. De maneira simples, objetiva e direta: existe um risco gigantesco de redução das áreas disponíveis para agricultura e pecuária no Brasil. Redução permanente de fatores de produção é sem dúvida alguma um choque negativo de longo prazo. O novo código florestal tem o potencial de afetar negativamente o crescimento econômico de longo prazo do nosso país.

*: PIB per capita (preços 2011) – R$ de 2011 (mil) - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) – GAC_PIBCAPR

4 comentários:

Leonardo Aparecido Silva disse...

E agora, como escaparmos dessa armadilha, que o Brasil entrará?

Leonardo Aparecido Silva disse...

E agora, como escaparmos desta armadilha que o Brasil está montando?

Leonardo Aparecido Silva disse...

E agora, o que devemos fazer para escapar dessa armadilha?

Anônimo disse...

Sachsida,
Fico extremamente feliz em saber que ainda temos pessoas honestas e "livres" no nosso país. As mentiras que movem a massa é degradante, sempre acompanho o seu Blog.
Parabens

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