quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Como roubar US$ 50 milhões....

O texto abaixo foi escrito em 6 de fevereiro de 2012. Acho que vale a pena reler.

Poucos sabem, mas uma de minhas linhas de pesquisa refere-se a economia do crime. Tenho um bom número de artigos publicados nessa área. Após muito estudo, notei que existe uma maneira facílima do governo desviar 50 milhões de dólares para mãos privadas (sejam elas de partidos políticos ou de indivíduos).

Operacionalmente, o golpe funciona da seguinte maneira:

Passo 1) Escolher uma ditadura que passa por graves problemas de acesso a financiamento externo. Esses países precisam não só de recursos, mas também de legitimação internacional. Sendo assim, seus governantes estão prontos a aceitar uma ampla gama de acordos não-ortodoxos.

Passo 2) Emprestar US$ 500 milhões para tais ditaduras a critério de ajuda humanitária, ou apoio a obras de infra-estrutura, ou a qualquer outro item de difícil fiscalização para quem esta fora do país. As condições do empréstimo seriam de pai pra filho, desde que 10% do empréstimo fosse mandado (em dinheiro) de volta a um representante escolhido do governo que originalmente emprestou os recursos.

Passo 3) Garantir diplomatas de confiança, que transportem o dinheiro e os entreguem para as pessoas que farão a partilha. Não devemos esquecer que malas diplomáticas não estão sujeitas a fiscalização. Algo em torno de 50 milhões de dólares, 5 milhões por mala, implicam em 10 viagens para resolver o “problema”.

Passo 4) Dividir o dinheiro em despesas que não aparecem facilmente, por exemplo, gastos de campanha eleitoral. E, então pega-se o dinheiro doado legalmente para a campanha eleitoral e desvia-se para o partido (ou para o próprio bolso). Pronto, o dinheiro agora esta legalizado. Ou então, inventa-se que tal companhia doou mais do que realmente doou. Eh bom pra companhia (que tem pouco ou nada a perder) e legaliza-se o dinheiro do mesmo jeito.

Claro que não estou acusando ninguém. Claro que esse exemplo é teórico e não se refere a nenhum país em particular. Estou apenas explorando uma possibilidade teórica para que se desviem grandes volumes de recursos públicos. Sendo assim, esse é mais um motivo do porque devemos evitar de ter governantes indo visitar ditaduras. Além disso ser uma afronta aos direitos humanos, é também uma imensa janela para a corrupção.

Um comentário:

Julek disse...

Caro Adolfo, veja este exemplo que aconteceu esta semana na Ucrânia, uma notícia surpreendente, já que o farsante em questão agiu sem a cooperação do governo da Espanha ou da empresa que dizia representar, e mesmo assim deve ter levado algum.

http://www.eleconomista.es/empresas-finanzas/noticias/4437284/11/12/Un-falso-representante-de-Gas-Natural-firma-un-contrato-de-850-millones-con-el-Gobierno-ucraniano.html

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