segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Pobres pagam a conta de uma inflação mais alta

Quando os preços começam a subir muito, e a inflação a sair de controle, essa conta inevitavelmente afeta de maneira mais severa o segmento mais pobre de uma sociedade. Os ricos sempre podem tentar indexar seus vencimentos, algo bem mais difícil aos pobres. Os bancos oferecem dezenas de alternativas aos mais ricos, alternativas essas que nem sempre estão abertas aos mais pobres. Resumindo, os custos associados da inflação recaem pesadamente sobre o segmento mais pobre da população.

O IPCA de novembro fechou em 0,60%, acumulando 5,01% no ano. A inflação oficial (e manipulada) de 2012 deve ficar próxima de 5,6%. Digo manipulada pois devemos nos atentar a dois fatores que, artificialmente, diminuíram a inflação de 2012: a mudança na metodologia do IPCA, e o uso de política tributária para combater a inflação. Se levássemos esses dois itens em consideração o IPCA de 2012 seria superior a 6%. Mesmo com desempenho tão medíocre o governo celebra o “sucesso” do combate a inflação.

Que tal darmos uma olhada em outros índices de inflação? O IPCA calcula a inflação para famílias que recebem entre 1 e 40 salários mínimos. Realidade essa bem distante da esmagadora maioria da população brasileira. Vamos então verificar o que aconteceu com o INPC (que mede a inflação para famílias de renda entre 1 e 5 salários mínimos). O INPC acumula no ano uma alta de 5,42%. Se separarmos isso por região geográfica veremos que os pobres de Belem (7,2%), Salvador (6%), Recife (6%), e Rio de Janeiro (6,4%) já estão enfrentando perdas significativas em seu poder de compra. Exatamente por que o governo está comemorando o “sucesso” do combate a inflação?

Vamos olhar agora o que aconteceu com o custo da cesta básica. De acordo com o DIEESE, o custo médio da cesta básica aumentou em todas as 17 capitais pesquisadas. Até novembro de 2012, o custo médio da cesta básica havia aumentado em 19,6% em Natal, 18,7% em João Pessoa, 18,4% e em Fortaleza. Em São Paulo o custo da cesta básica aumentou 8,3% até novembro. Resumindo, o pobre está sofrendo com a alta de preços. Exatamente o que o Banco Central está fazendo para combater a inflação?

4 comentários:

Arthur disse...

Acredito que você esteja sendo muito simplista na sua analise.

A inflação é causada por um aumento de demanda, que geralmente é causado por um aumento nos rendimentos nominais.

Sem estudar a evolução na distribuição e crescimento nos rendimentos nominais, é impossivel falar se os pobres estão se beneficiando da politica monetária ou não.

A politica monetária controla a inflação atravez dos rendimentos nominais.

Alem disso apesar dos efeitos de mudança de metodologia poderem ser considerados "artificiais" (apesar da metodologia antiga não ter nada de "natural") os efeitos das reduções tributárias do governo não podem.

Se o governo baixa tributos e os preços caem, os preços cairam. A inflação mede os preços ao consumidor. Se o governo aumentasse os tributos e os preços subirem, os preços ao consumidor subiram, a inflação mede isso.

Acredito que é um alvo tolo, exatamente por causa desse tipo de efeito. O BC deveria controlar a demanda agregada, e tem um alvo que muda com efeitos de oferta. Se você não gosta do alvo, defenda outro alvo, mas não adianta tentar falar que o alvo não está onde ele realmente está

Anônimo disse...

Em setores beneficiados por isenções fiscais e desonerações tributárias, podem estar ocorrendo ganhos salariais acima dos ganhos de produtividade. Isso tem vida curta.
De um lado os setores com folga tributária, empregam mais, pois podem até produzir e vender mais e mais caro.
De outro, quem está empregado, pode estar produzindo aquém do que poderia e recebendo além do que deveria. E consumindo produtos mais caros do que seriam.
A política está toda voltada para estímulos fiscais e isenções de tributos, que aumentam a demanda por bens, forçando os preços para cima.
No resultado agregado, o produto está crescendo menos que a inflação.
Exatamente provocando o efeito de penalizar os mais pobres, sim, via aumento de preços.
Os efeitos da elevação nos salários ainda estão sendo mitigados pelo crédito longo, em parcelas que "cabem no bolso".
Não durará muito tal estratagema.

Anônimo disse...

o PT diz ser a favor dos mais pobres no entanto:


- deixa a inflacao exploder e isso afeta o mais pobre

- nao simplifica a lei trabalhista para que o mais pobre tenha emprego estavel dentro da lei

- nao diminui impostos para que o mais pobre tenha mais dinheiro no bolso

- nao libera importacao para diminiuir preco de produtos para os mais pobres

-transfere riqueza do mais pobre atraves de impostos via BNDES para os ricos aumentando a desigualdade

ISSO E PARTIDO DE ESQUERDA???

Anônimo disse...

nesta semana tomei uma compra de supermercado de um ano atrás, exatamente, incluindo: alimentos, higiene e limpeza.

Refiz a compra no mesnmo supermercado, em Natal/RN, e o aumento foi de 22,35%

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