quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Verdadeiro IPCA de 2012 ficou ao redor de 6,44%

De acordo com o IBGE a inflação medida pelo IPCA fechou 2012 em 5,84%. O governo esta comparando este número com a inflação de 2011 (que ficou em 6,5%) para afirmar que a inflação desacelerou. Contudo, o IPCA de 2012 NÃO É DIRETAMENTE COMPARÁVEL ao de 2011. Isso ocorre pois o IBGE mudou a metodologia de cálculo do IPCA. Estimativas preliminares indicam que, com base na metodologia antiga, o IPCA de 2012 ficaria em torno de 0,3% mais alto.

Também deve-se lembrar que o governo usou e abusou de desonerações tributárias com o CLARO OBJETIVO de reduzir a inflação. Sem tais desonerações a inflação medida pelo IPCA teria ficado algo em torno de 0,3% mais alta. Isto é, a verdadeira inflação medida pelo IPCA ficou ao redor de 6,44% em 2012. Valor muito próximo ao de 2011, e que comprova uma vez mais o pouco interesse que o Banco Central tem demonstrado em combater a inflação.

Quando o preço da banana aumenta isso reflete um aumento da escassez relativa da banana em relação a outros bens. Quando o governo diminui o imposto da banana, para tentar anular o aumento de preços original, ele não muda o fato básico de que a escassez relativa de banana aumentou. O que o governo faz é apenas mascarar tal aumento, impedindo que a sociedade ajuste seu consumo a nova realidade.

Usar de política tributária para combater a inflação é equivalente a varrer a sujeira para debaixo do tapete, equivale a tentar enganar a sociedade. Quando os preços dos bens aumentam, isso denota a perda de poder de compra da moeda (inflação). Ao diminuir os impostos para tentar anular o aumento de preços o governo não altera o fato básico de que o poder de compra da moeda caiu.

Um exemplo ilustra bem esse fato. Suponha que 5 reais fossem suficientes para comprar pão e água por um mês. Suponha agora que com a inflação eu seja obrigado a gastar 7 reais para comprar o mesmo conjunto de bens. Então o governo usa política tributária, reduzindo os impostos sobre a água e o pão, de tal maneira que eu volte a gastar apenas 5 reais. O IPCA irá então dizer que não ocorreu inflação, mas esta ocorreu. Afinal, no primeiro momento eu comprava NÃO APENAS pão e água. Comprava também uma série de serviços do governo que estavam embutidas no imposto pago. Ao usar política tributária para combater a inflação o governo evitou o aumento do preço do pão e da água, mas não evitou a perda de valor da moeda. Afinal, o conjunto de bens que passei a comprar, mesmo após as desonerações tributárias, foi reduzido.

Desnecessário dizer que esse truque tem o perverso efeito de: a) enganar a população; e b) dificultar que ajustes nas cestas de consumo (decorrentes do aumento original de preços) sejam realizados pelos consumidores.

4 comentários:

Anônimo disse...

Uma ressalva:

Desnecessário dizer que esse truque tem o perverso efeito de:

EMPOBRECER O PAÍS!
Pois agora, com inflação (mesmo mascarada), o conjunto de bens disponíveis é reduzido na economia.

Isso pode ajudar a explicar o perverso resultado do PIB brasileiro.

O governo desvaloriza a moeda (nossa riqueza), acelera inflação, e depois não sabe porque a economia patina.

É evidente que sem estes dois (desvalorização e inflação) a riqueza disponível da sociedade é muito maior.

Agora, vai explicar isso pra nossa GOSPLAN...

Anônimo disse...

Mais um post excelente e esclarecedor...

Acompanho seu blog há algum tempo e sou grato pela qualidade das informações...

Estou cada vez mais deixando de ler a grande mídia, devido a enorme manipulação/mascaramento de dados e blogs como o seu nos ajuda a enxergar a realidade.

Obrigado,

Igor

Anônimo disse...

Concordo plenamente com a ideia que o governo está brincando com a inflação mais do que deveria.

Agora permita-me discordar dos 2 pontos:
- Quanto à revisão da metodologia, a POF leva em conta a cesta representativa de acordo com pesquisa acerca dos gastos da população. Entende-se então que a metodologia atual deve refletir melhor a cesta atual do que a metodologia em vigor até 2011. Portanto o índice oficial tende a refletir melhor a inflação vigente do que um índice construído com a POF passada. Extrapolando um pouco, não acredito que você veja alguma utilidade no IPCA de 2012 construído com a POF de 2002-2003.

- Sobre as desonerações, concordo que a intenção do governo foi de esconder sujeira. Também concordo com as analogias feitas. Mas as desonerações certamente tem impacto fiscal que... tem efeito não desprezível na inflação. E aí, esse efeito tá na conta?

Enfim, admiro seu blog e compartilho de muitas ideias suas. Só proponho humildemente essas questões para reflexão.

Obrigado

Anônimo disse...

Prezado Adolfo,

A desoneração em si não é ruim.
A questão é que ela deveria vir acompanhada de medidas visando a redução dos gasts correntes do governo.
O problema fundamental é que o governo gasta demais (e estão se elevando os gastos), não investe em infraestrutura e ao tentar ser onipresente, espanta o capital privado para a execução dos investimentos fundamentais para criarmos condições de crescimento sem criação de seguidos pacotes.
Apoc

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