terça-feira, 23 de abril de 2013

Tem Algo de Podre no Reino do BNDES

Vamos direto ao ponto: o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse que a política de campeões nacionais foi encerrada pois “chegou até onde poderia ir”. Resumindo, tal política teria sido encerrada pois atingiu seu limite, não havendo outros setores que poderiam se enquadrar nessa definição. Vejamos, o BNDES considera frigoríficos (JBS e Marfrig), laticínios (Lácteos Brasil), a Oi, e o que quer que seja produzido nas empresas de Eike Batista (se alguém descobrir por favor me avise) como campeões nacionais, cá entre nós, com um rol de campeões desses não é difícil encontrar outras empresas, ou outros ramos, para o BNDES apoiar.

Me parece evidente que o real motivo do BNDES ter abandonado a política de campeões nacionais foi outro. Também não adianta argumentar que essa política gerou prejuízos ao banco. Afinal, desde o começo, um grande número de especialistas já criticava essa estratégia (que aliás já havia sido implementada e fracassado na década de 1970). Além disso, com os recorrentes aportes e ajuda governamental às empresas de Eike Batista, fica difícil argumentar que “apenas” alguns bilhões de prejuízo são suficientes para fazer o governo mudar de idéia. Também não adianta argumentar que o BNDES mudou de estratégia por medo da instalação de alguma CPI. O governo goza de esmagadora maioria no Congresso, se nem a Delta é investigada não será o BNDES que irá ser.

Em minha opinião, algum sinal amarelo acendeu no BNDES. Se eu tiver que arriscar, diria que o dinheiro está acabando. Fizeram as contas e notaram que não há muito mais recursos. Talvez o Tesouro já esteja com dificuldades de manter o ritmo dos aportes; ou talvez essa seja uma estratégia para diminuir o fluxo de investimentos agora para poder aumentá-los durante a campanha presidencial do ano que vem. Não importa o motivo, mas parece que finalmente a ficha caiu no BNDES: os recursos são escassos.

A política de campeões nacionais do BNDES foi um grande equívoco. Tal erro custou bilhões de reais aos contribuintes brasileiros. Mas não foi isso que levou o BNDES a terminar com esse programa. Tem algo de podre no reino do BNDES.

4 comentários:

Anônimo disse...

"Os recursos são escassos"

Essa é uma frase que deveria estar cunhada na cabeça de todo gestor, gerente, economista, diretor de empresa, presidente da república, enfim, de qualquer ser humano que tenha algum tipo de responsabilidade social intrínseca ao seu cargo.

É impressionante como as pessoas que MAIS precisam saber disso NUNCA se lembram disso.

Pobre Paulista.

Anônimo disse...

Aproveito para parabeniza-lo pelo certificado! verdadeiro e ganho por méritos já vistos por todos e não como a comenda recebida pelo apedeuta em Portugal...
Quem sabe parte da explicação esteja neste artigo de 26/03/2013,

http://www.ibracon.com.br/ibracon/Portugues/detNoticia.php?cod=1092

e ainda ressalto a verdadeira situação da Petrobras, que agora algum gênio tenta desonerar os usineiros voltando ao etanol para diminuir a importação de gasolina...( o petróleo é segurança nacional..mas deixaram o etanol de fora..)
Sempre a história do cobertor...
Lembrando que não existe almoço grátis...alguem sempre paga a conta....

Anônimo disse...

O problema é que isso pode ser transferido para Caixa.

Agora existe a CaixaPar, e a Caixa administra o FI-FGTS...

Outro dia mesmo, a holding do JBS captou R$ 500 MM do FI-FGTS, clean.

O BNDES e a Caixa dão dinheiro subsidiado ou de qualidade de crédito duvidosa para empresários escolhidos a dedo, com o meu, seu, nosso dinheiro.

samuel disse...

Aqueles que com essa grana sacada do futuro do Brasil conseguiram ir para o exterior (caso do Bco Garantia), esses estão na boa. Os que ficaram no Brasil (caso do Eike) irão pro brejo junto com o país. There is no hope, brothers!

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