terça-feira, 28 de maio de 2013

Endividamento alto, juros baixos, desemprego baixo, renda alta... será que alguém notou a combinação?

Caros Amigos,

Prestem atenção para o desastre:

1) A taxa de desemprego está num mínimo histórico
2) A renda está num patamar elevado (basta verificar o salário dos funcionários públicos, o salário mínimo, e o salário real médio da economia)
3) A taxa de juros está num dos menores níveis de que se tem notícia.

Pergunto: se tiver que arriscar você diria que o cenário acima iria melhorar ainda mais??? É evidente que o cenário acima só tende a piorar. Mas notem agora a notícia que está no O Globo: "Endividamento das famílias bate recorde: 43,99% da renda".

Resumindo: o mercado de trabalho está aquecido, os juros estão baixos, e o endividamento das famílias bate recorde. Ou seja, quando a taxa de juros subir, e o mercado de trabalho desaquecer, o estrago vai ser feio...

Em 2005 as famílias deviam às instituições financeiras 18,4% do que ganhavam durante o ano; em março de 2013 este valor foi de 44%. Alguém acha esse tipo de crescimento (numa época que inclui períodos em que a economia brasileira patinou) normal? Isso aponta para uma taxa de crescimento dessa variável próximo de 10% ao ano!!!

Se retirarmos o endividamento referente a compra da casa própria, temos que em março de 2013 as famílias brasileiras deviam às instituições financeiras 30,5% de sua renda anual. Isso numa época em que tudo são flores na economia brasileira, numa época em que nossa taxa de poupança (e não nosso endividamento) deveria estar subindo. Afinal, economizasse na bonanza para se gastar nos tempos difíceis... acreditem ou não, estamos torrando o dinheiro durante a bonanza, o que irá acontecer quando os tempos difíceis chegarem?

6 comentários:

Anônimo disse...

O que irá acontecer quando os tempos difíceis chegarem?

Eu como um bom austero, devo estar bastante líquido para aproveitar as oportunidades deixadas pelos consumistas.

Anônimo disse...

Adolfo, então por que no tópico anterior você disse que o povo deveria se endividar comprando imóveis nestes preços escandalosos se a tendência da economia é de deterioração?

Adolfo Sachsida disse...

Caro Anonimo das 8:10,

Releia o post que você cita. Você vera que meu argumento eh simples: no caso dos imóveis, quem se endividar recebera subsídios (vantagens) do governo.

Adolfo

Anônimo disse...

Adolfo, bom dia.

Gostaria que você comentasse sobre a questão da taxa de desemprego em nível mínimo histórico.

A título de comparabilidade, cito o seguinte (em números aproximados):

- Brasil = População em torno de 200 mm, sendo 27 mm empregados;
- Austrália = População em torno de 23 MM, sendo 11 mm empregados.

Sei que tem a questão da PEA, mas não é, no mínimo, ridículo comemorarmos esses números? Pois, enquanto temos em torno de 14% da população trabalhando formalmente, a Austrália (que é um país desenvolvido) tem em torno de 48%.

Obrigado,

Igor

Anônimo disse...

continue com os podcasts, Sachsida!

samuel disse...

Aquele dinheiro maldito tomado aos bancos em 2008/2009 durante a "marolinha" na primeiro refinanciamento foi para esses 40% Na próxima virada de refinanciamento o endividamento atual vai para 80%. Ninguém neste blog tomou dinheiro emprestado de banco brasileiro? As taxas de juros e os serviços bancários brasileiros são absurdamente altos. A taxa ao ano em NY aqui é ao mês. A taxa de juros no Brasil introduz um desequilíbrio além do suportável pela economia. É preciso ainda acrescentar que, nesta leva de dívidas o financiamento inicial fora para uma dívida acumulada a 167% a.a. Somente agora no refinanciamento é que as taxas baixaram para 2,5/2.0 % a.m., isto é; 36,1%/28,88 ª.a
Hoje fui ao setor jurídico da prefeitura acertar atrasos do ISS. A dívida de $ 2.000,00 foi para $4.000,00, financiados a taxas de 14,44% a.a + multa + honorários advocatícios (o acordo é administrativo, não judicial). Sobre este montante em X meses ainda SERÁ aplicada a correção monetária pelo índice da prefeitura. As entidades econômicas perderam a noção do funcionamento da economia. A empresa precisa lutar duro para, depois dos impostos ter 10% de lucro. E as entidades socando 36%,100%. É um “despachurro” generalizado.

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