quarta-feira, 15 de maio de 2013

Será que os liberais se odeiam?

Uma piada antiga diz que um comunista só odeia verdadeiramente outro comunista. A história do comunismo provou isso: toda vez que um dos grupos sobe ao poder procura exterminar o grupo comunista rival. Trotsky é o exemplo mais óbvio, mas certamente não o único.

Para minha desagradável surpresa, já há algum tempo, tenho notado que entre os diversos grupos liberais ocorre o mesmo. Um verdadeiro festival de ofensas entre grupos liberais distintos, às vezes um querendo se demonstrar "mais puro" do que o outro. As críticas feitas por libertários ao Partido Novo são apenas um desses exemplos. Outro foi o volume enorme, e ofensivo, de críticas que recebi de liberais quando comecei a formular o "Café da Tarde". Quando fiz uma passeata em favor do liberalismo, também não notei nenhum apoio. Parecia até que alguns grupos liberais torciam pelo fracasso da passeata (que foi um sucesso parando o Pier 21).

Parece que os diversos grupos liberais lutam pelo monopólio "do verdadeiro" liberalismo, buscam o domínio desse feudo, se sentindo ameaçados por iniciativas mais concretas de grupos rivais. Esse não é o caminho, o liberalismo não é uma religião, nossos livros não são bíblias. Existe amplo espaço para o debate, e os que discordam de nós não são bandidos ou mau caráteres!!! No liberalismo existe espaço para a divergência.

Em vez de nos destruirmos uns aos outros, deveríamos estar usando essa energia para combater os inimigos da sociedade aberta. Para combater o petismo, o comunismo, e o socialismo. Deveríamos nos apoiar, nos auxiliar no combate nessa luta que por si só já é dificílima. Infelizmente, toda vez que algum de nós tenta uma iniciativa mais concreta - seja um livro, um movimento popular, ou um partido político -, as piores críticas, e as mais ofensivas, partem justamente de dentro do movimento liberal.

Atitudes concretas são fundamentais para o sucesso da divulgação das idéias liberais. Quanto mais dessas iniciativas ocorrerem, mais as idéias liberais serão difundidas. Deixemos aos nossos poderosos inimigos a tarefa de nos combater, e concentremos nossas energias no apoio a causa liberal: liberdade individual, propriedade privada, e sistema de preços via mercado.

9 comentários:

João disse...

Creio que alguns trechos do seu próprio texto já servem para explicar esse sectarismo, precisamente quando você se refere aos "inimigos da sociedade aberta". Eu me considero socialista e sempre defendi a liberdade e a democracia. E tenho vários amigos liberais e conservadores com quem debato livremente sobre qualquer tema. E não tenho inimigos. A propósito, também sofro com o mesmo incômodo "à esquerda". Para mim, a resposta é que o radicalismo é uma característica humana independente dos ideais que cada um defende.

Anônimo disse...

Adolfo, tb jah tive essa impressao. Parece que arde uma fogueira das vaidades. Pessoas q compartilham ideias semelhantes nao apoim umas as outras.

Estranho, nao.

Augusto

Carlos disse...

Também já reparei nessa sua observação. Acredito também que essa "rivalidade" não se restringe a política, basta que observemos o caso das religiões.
A algum tempo achava que as religiões evangélicas odiavam a Igreja Católica, mas logo vi que o verdadeiro ódio é entre as mais de 33000 denominações evangélicas que existem no mundo. Uma simples busca no youtube mostra o ódio entre as principais denominações protestantes, como o pastor Silas Malafaia odiando o bispo Macedo, o bispo macedo odiando o "apóstolo" Valdomiro, o folclórico Marco Feliciano odiando todo mundo e etc.
Este problema está em todas as esferas do pensamento humano.

Jean Santos disse...

Falou e disse.

Daniel disse...

Vaidade: o veneno que está matando os liberais.

Anônimo disse...

Sabe o que eu estou começando a pensar Adolfo? que se trata de uma questão cultural. Para mim, só resta essa opção. Não duvidaria se as primeiras sociedades verdadeiramente liberais (isto é, onde reina o livre mercado, propriedade e 'et cetera') surgiriam fora do Brasil: na Europa, especialmente na Austrália, Nova Zelândia e o norte da America. Infelizmente é cabível fazer a comparação entre o liberal brasileiro e o estrangeiro. A triste verdade é a falta de união entre os liberais brasileiros, o próprio Lobão falou isso no podcast do instituto Mises. Triste verdade. Mas ainda bem que a tecnologia está afastando o estado, como o Bitcoin... abraços

David Matos

SF disse...

Adolfo, suas palavras são sensatas. Mas o ego, inerente ao processo individualista e auto centrado que é o liberalismo, não vê a todos como inimigos. O que você sente é a falta de algo realmente humano, generoso e sincero - ou seja - a antítese do que prega! A um liberal não importa demitir alguém, destruir famílias e tantas coisas doentias feitas em nome do lucro. Não espere árvores floridas se você acredita em espinheiros!

Anônimo disse...

O que me parece é que há um corrente de liberais que despreza os liberais que não sejam ateus, nem abortistas, nem aprovem a liberação das drogas, e do casamento gay.

Anônimo disse...

O que me parece é que há um corrente de liberais que despreza os liberais que não sejam ateus, nem abortistas, nem aprovem a liberação das drogas, e nem o gayzismo.

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