terça-feira, 23 de julho de 2013

Igreja e Estado: A Questão do Casamento

Vamos deixar uma coisa clara de início: não sou filósofo e não sou teólogo. Logo existe uma boa chance de estar falando besteira. Contudo, creio que vale a pena discutir a idéia: a Igreja Cristã precisa mudar o nome do casamento religioso.

Para a Igreja o casamento refere-se a união entre um homem e uma mulher com finalidade de constituir família. No passado, dada a presença da Igreja em diversas regiões afastadas e a incapacidade do Estado, o casamento religioso passou a ter força civil. Isto é, tinha validade frente ao Estado, proporcionando direitos e deveres aos envolvidos. O que começou como UMA AJUDA da Igreja ao Estado, hoje se transformou em algo desnecessário.

Qualquer região hoje, por mais afastada que seja, pode perfeitamente realizar um casamento civil sem a ajuda da Igreja. Contudo, durante o processo acima mencionado, confundiu-se o casamento religioso com o casamento civil. Hoje o Estado regula o casamento civil segundo leis próprias. O exemplo mais vistoso disso é a permissão estatal para o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Em relação ao termo "casamento" a Igreja já perdeu essa batalha, não adianta insistir. O Estado já deixou claro que pessoas capazes, por vontade própria, podem se unir em casamento. Logo é questão de tempo para termos um casamento entre dois homens e quatro mulheres... por que não? Seguindo a máxima de que pessoas capazes, por vontade própria, podem se unir isso é uma consequência óbvia. Em breve teremos também pais casando com filhos. Afinal, novamente aplica-se a máxima: desde que sejam pessoas capazes, por vontade própria, elas tem o direito de se unir em casamento. E cada vez mais o termo "casamento" no sentido religioso se afastará do sentido estatal.

Assim, creio que o melhor mesmo para a Igreja seja mudar o nome "casamento". Usar um termo distinto, algo como, matrimônio cristão ou qualquer nome equivalente. Se a Igreja quer preservar o sacramento do matrimônio da influência do Estado, creio eu ser essa a alternativa a ser adotada. Desnecessário dizer que essa é mais uma prova que a separação de poderes entre Igreja e Estado foi feita para preservar a Igreja do Estado, e não o contrário.

5 comentários:

Anônimo disse...

Bom, disse besteira sim hehe :-). Quem tem que mudar o nome "casamento" é o estado e não a igreja. O termo casamento está na palavra de Deus e portanto não pode ser alterado. Simples assim.

Pobre Paulista

JV disse...

O Estado que deve parar de usar o termo casamento e mudar para união civil ou coisa parecida. (não sou casado no religioso)

Luiz Augusto Silva disse...

Na verdade a questão é um pouco mais grave. Não se trata somente de mudar o nome. Até porque quem se apropriou indevidamente do nome foi o Estado. O casamento sempre foi algo religioso entre um homem e uma mulher, já bem antes da Igreja sequer existir.

A coisa mais grave que a Igreja faz hoje nesse sentido é EXIGIR que os católicos se casem no civil. Isso mesmo: hoje, no Brasil em geral, e acho que em boa parte do mundo, não se pode casar na Igreja sem casar no civil, a não ser por dispensa do bispo.

A Igreja deveria, ao contrário, promover um boicote ao chamado casamento civil e proibir, ou ao menos desestimular fortemente, que os fiéis aderissem a essa palhaçada. Ainda mais que hoje praticamente não se perderia direito algum, pois ficaria configurada, de qualquer maneira, a união estável.

Anônimo disse...

Dr. Adolfo falou uma pequena bobagem, mas o comentarista Luiz Augusto também. 1) O Estado moderno, tal como conhecemos hoje, só apareceu por volta do século XV. A Igreja Católica já tinha 1.500 anos... Antes disso, muito antes, desde os faraós, as funções civis e religiosas de imbricavam na mesma estrutura de autoridade: o rei (ou cargo equivalente) era também o sumo sacerdote (há algumas exceções). Então, o casamento religioso existe muito antes da união civil. 2) O casamento, para os católicos, é um sacramento, sinal eficiente da presença de Deus, e tem o nome de matrimônio. O erro do Luiz Augusto: a Igreja Católica não exige o casamento civil, a lei faculta que a celebração do matrimônio (religioso) seja reconhecida também no campo civil, mas isso não dispensa da pesquisa do estado civil dos interessados (que é feita de forma análoga à religiosa). É possível casar no civil e deixar para casar na Igreja anos depois, e vice-versa.
Sds.,
de MarceloF.

jaspion disse...

Adolfo, você disse muita besteira. Antes de existir o estado, o casamento já existia.

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