segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A Contabilidade Criativa do Banco Central

Muito tem se falado da contabilidade criativa do Tesouro Nacional. Lá débito se transforma em crédito, menos vira mais, contas desaparecem da rubrica gasto e reaparecem magicamente na rubrica investimento... nada de novo nisso. Mas praticamente ninguém comenta sobre a contabilidade criativa que hoje ocorre no Banco Central do Brasil.

Em primeiro lugar, a inflação de 2012 ficou aproximadamente 0,3% menor por causa da mudança na forma de cálculo do IPCA. Nada contra tal mudança, mas essa redução de inflação NÃO FOI obra da política monetária do BACEN. Em segundo lugar, as desonerações tributárias responderam por, pelo menos, outros 0,3% da redução da inflação em 2012. Tivesse a forma de cálculo de 2011 permanecido em 2012, e na ausência de isenções tributárias, teríamos no ano passado uma inflação ao redor de 6,3% (em vez de 5,7%). Esse tipo de informação deve ser contraposta ao BACEN, que insiste em pegar para si reduções de inflação que obra sua não foram.

Em terceiro lugar, o BACEN atualmente aplica um "Kansas City Maneuver" na sociedade. Ele, por um lado, aumenta a taxa SELIC (dando a impressão de uma política monetária restritiva). Mas, por outro lado, o próprio BACEN aumenta a liquidez da economia por meio do apoio a expansão do crédito (o que caracteriza uma política monetária expansionista). Não bastasse isso, por vezes ocorre da taxa de juros no mercado interbancário ser reduzida!!! O que de maneira alguma pode estar em linha com uma política de aperto monetário.

Enfim, hoje o BACEN joga para a galera... finge que combate a inflação aumentando a taxa selic, mas ao mesmo tempo joga mais dinheiro no mercado (via expansão do crédito e redução na taxa de juros interbancária). Essa não é a maneira de se combater inflação.

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