quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Agora ninguém mais nega: A Década de 1970 está de volta!!!

O tempo realmente é incrível... há 4 anos atrás eu era um alarmista. Há 3 anos atrás eu era irresponsável. Há 2 anos atrás eu era "daqueles que torcem para dar tudo errado". Ano passado eu era "aquele cara é radical demais". Pois bem, ano que vem é 2015, o ano do ajuste. Quantas vezes alertei? Quantas vezes disse que estávamos revivendo OS MESMOS ERROS cometidos na década de 1970?

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Ou então você pode apenas ler o texto abaixo... onde eu alerto com todas as letras sobre o problema. Você também pode ler o professor Roberto Ellery dando o mesmo alerta. Ou ainda pode ver o mesmo alerta sendo dado pelo pesquisador Mario Jorge Cardoso de Mendonça. Resumindo, falta de aviso não foi. Abaixo transcrevo minha entrevista publicada no dia 31 de julho de 2012.

Pergunta 1) O Brasil está revivendo o final da década de 1970? Será que em breve estaremos revivendo a década de 1980 (apelidada de década perdida)? Por quê?

Sachsida) Sim. Temos hoje um governo que tem as mesmas ambições, e que utiliza os mesmos métodos errados, empregados pelos gestores de política econômica do final dos anos 1970. Tal como no final da década de 1970, os gestores da economia brasileira se recusam a realizar os ajustes macroeconômicos necessários. Tal como no final da década de 1970 temos o governo como o grande promotor do crescimento econômico. Seja escolhendo setores, e favorecendo-os com generosos subsídios do BNDES, seja escolhendo indústrias e favorecendo-as com desonerações fiscais, o governo tenta a todo custo dizer para onde deve ir a economia. Essa política de dirigismo estatal não funcionou antes, e irá fracassar novamente agora. É estranho que o Brasil adote hoje políticas que já fracassaram no passado e espere por resultados diferentes.

É uma ilusão acreditar que o Brasil não necessita de recursos externos. Existe aqui algo diferente da década de 1970. Hoje uma desvalorização cambial, no primeiro momento, favorece as contas públicas brasileiras. Isto ocorre por dois canais: 1) as reservas internacionais que o Brasil mantém diminuiriam a dívida pública em reais; e 2) a inflação resultante ajudaria a equacionar o problema fiscal. Adicionalmente, o setor público não está tão endividado em dólares como ocorria ao final da década de 1970. É com base nisso que alguns analistas argumentam que a dependência externa brasileira não é tão severa. Contudo, se esquecem de que, num segundo momento, as incertezas decorrentes desse ambiente trariam o caos de volta à economia brasileira. Também devemos ressaltar o óbvio: de onde vem a poupança para financiar o investimento brasileiro? Certamente não é do setor público. A poupança interna privada também não é suficiente. Isto é, boa parte do investimento nacional se realiza por meio de poupança externa. Poupança essa que denota a grande dependência que temos dos recursos externos.

Tal como a década de 1980 foi conhecida como década perdida, temo que as políticas econômicas atuais do governo brasileiro (muito semelhantes às políticas adotadas ao final da década de 1970) nos joguem numa crise de proporções equivalentes no futuro. Existem hoje vários problemas que podem complicar razoavelmente o desempenho de longo prazo do Brasil. Em particular, quero ressaltar a questão demográfica, uma verdadeira bomba relógio que o governo insiste em não desarmar.


Pergunta 2) Qual o maior risco do cenário externo para a economia brasileira?

Sachsida) Existem hoje dois grandes riscos para o Brasil: a) uma queda no preço das commodities; e b) um aumento na taxa de juros internacional. Uma queda no preço das commodities afeta negativamente os termos de troca nacionais, em resumo, nos deixa mais pobres. Note que ao longo do tempo é normal a oscilação dos termos de troca. Assim como hoje tal oscilação nos favorece, um dia tal tendência irá se inverter. Nada de errado com isso. Errado é deixarmos em segundo plano o importante papel que as commodities representaram no desenvolvimento econômico brasileiro recente.

Cedo ou tarde a inflação irá ressurgir nos EUA e na Europa. Quando isso ocorrer tais países irão aumentar a taxa de juros, que hoje se encontra num patamar mínimo histórico. O aumento das taxas de juros internacionais será o começo do suplício da economia brasileira. Devemos aproveitar enquanto a taxa de juros internacional ainda é baixa para realizarmos os necessários ajustes macroeconômicos. Infelizmente, a recusa em fazer isso, aliada ao aumento dos gastos do governo, terá consequências nefastas para nossa economia quando do aumento da taxa de juros internacional.


Pergunta 3) O governo parece estar usando política tributária para controlar a inflação. Você acredita que isso seja verdade? Se for verdade, concorda com isso? Por quê?

Sachsida) Sim, o governo vem adotando mecanismos exóticos de combate à inflação. Essa equipe econômica é tão ruim que é bem provável que eles não tenham notado que as desonerações tributárias iriam reduzir a inflação medida pelo IPCA. Contudo, uma vez que o fruto proibido foi provado o governo parece ter gostado da ideia e insiste nela. O exemplo mais gritante foi a questão da CIDE, onde o governo clara e intencionalmente usou política tributária para conter a inflação.

Usar política tributária para combater inflação é uma ideia medíocre. Apoiar isso requer um alto grau de analfabetismo econômico.

Um comentário:

amauri disse...

Bom dia Adolfo!
No item 3 voce falou sobre desoneracao. Fazendo isto o preco ao consumidor tende a nao subir. Mas a desoneracao nao diminui a arrecadacao? Como ele equilibra? aumentando a emissao de moeda?

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