sábado, 11 de janeiro de 2014

Por que a Inflação não caiu com o aumento da taxa de juros? PARTE II


Apenas para complementar meu post anterior, e vendo os comentários do Roberto Ellery, notei que não tinha incluído um fator na análise passada: as expectativas de inflação.

Verdade que os repasse do BNDES para as empresas mina a política monetária, afinal se as empresas podem se financiar por uma taxa de juros subsidiada, fica difícil aceitar que parte dos investimentos responda a taxa de juros fixada pelo BACEN. De qualquer maneira, no post passado eu já havia alertado de que não adianta aumentar juros e crédito ao mesmo tempo. Assim, acho que eu já havia endereçado esse ponto.

Por outro lado, no post passado eu acabei me esquecendo de incluir as expectativas de inflação na análise. TODOS os meus estudos que envolvem a Curva de Phillips sugerem que as expectativas de inflação são fundamentais para explicar a evolução da inflação. E, como parece evidente a todos, as expectativas de inflação no Brasil pioraram. Em outras palavras, precisamos de uma taxa de juros mais alta para manter o mesmo nível de inflação que teríamos se as expectativas não estivessem deterioradas. Obrigado ao Ellery por me lembrar desse ponto importante, foi um lapso de memória não ter incluído as expectativas de inflação no post anterior.

Desnecessário dizer que a piora nas expectativas de inflação podem ser atribuídas integralmente ao papel que o BACEN desempenhou nos últimos anos. Afinal, frases do tipo "convergência não linear" ou "política monetária neutra no horizonte relevante" costumam assustar os não alienados.

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