segunda-feira, 17 de março de 2014

O que está acontecendo com os economistas? Será que os prêmio nobel estão emburrecendo???


Uma das coisas chocantes do meio acadêmico é que vários dos ilustres acadêmicos pregam uma coisa na academia, e outra na prática. Friedman já alertava que alguns pesquisadores, tão zelosos da importância da liberdade na academia, eram os primeiros a quererem cercear a liberdade quando iam trabalhar para o governo.

Krugman é o exemplo mais famoso do comportamento acima, mas não é o único. O Bernanke professor de universidade provavelmente teria reprovado o Bernanke presidente do Banco Central americano (FED). Dificilmente o acadêmico Bernanke teria aprovado o quantitative easing do Bernanke presidente do FED.

No passado, um grupo de economistas assinou uma carta absurda contra a política econômica de Thatcher. Essa carta quase pôs a perder as reformas de Lady Thatcher. Quando ficou evidente que esses "gênios" tinham errado, nenhuma palavra de desculpas. Samuelson é outro que, apesar de sua genialidade, era incapaz de compreender o mecanismo de preços. Chegando a dizer que o PIB da União Soviética ultrapassaria o dos Estados Unidos em 1990. Solow, outro gênio, em conjunto com Samuelson, apoiou o congelamento de preços do governo Kennedy.

Quando você pensa que isso ficou para trás, adivinhem o que acontece? Sete prêmios nobel de economia apoiam o aumento do salário mínimo nos Estados Unidos. Desnecessário dizer que Solow está entre eles... tudo que eles ensinam na academia parece ser posto de lado novamente. O aumento proposto de salário mínimo, de US 7.25 para US$ 10.10 até 2016 é digna de economistas do calibre de Guido Mantega.

O pior é que em sala de aula todos são unânimes em afirmar que o governo não deve tentar controlar preços... eu entenderia economistas pós-keynesianos defendendo esse tipo de ideia (afinal, dentro de sala de aula, eles sugerem modelos condizentes com isso). Minha crítica aqui se refere a contradição de se ensinar uma coisa e fazer outra.

Em sala de aula os prêmio nobel ensinam o óbvio: aumentar o salário mínimo aumenta o desemprego entre os menos qualificados e os mais jovens. Isto é, o aumento do salário mínimo piora a situação das pessoas mais vulneráveis da economia. E é exatamente isso que esse aumento de salário mínimo fará: piorará a situação dos mais necessitados.

 

9 comentários:

Doutor Coronel Manelim Mueller Rojão disse...

Sinceramente, achei sua opinião muito rasa. Para uma discussão mais profunda vale a pena ler aqui:http://mansueto.wordpress.com/2013/12/30/o-debate-do-salario-minimo-aqui-e-la-fora/

Anônimo disse...

Da uma lida no Card and Krueger (1994) e me diz onde vc acha que eles erraram. A maior parte das pessoas que defendem o aumento do salario minimo nos eua estao se baseando em argumentos similares aos do C&K (isso inclui algum dos premios nobel). Um aumento pequeno do salario minimo tem efeitos pequenos no desemprego e ganhos grandes de bem estar pros que ficam empregados. Nos EUA, a proporcao de pessoas q ganha salario minimo eh muito pequena e esta associada a tecnologias muito especificas, principalmente fast food e supermercados, que teria demanda por mao de obra mais inelastica que outros setores da economia. Se vc imaginar que esses setores tem pure profit, um aumento do salario minimo pode representar ganho de bem-estar. Empiricamente, foi isso que eles acharam. O debate eh bem mais profundo do que o seu "eh obvio que piora". Se vc quiser, te passo meia duzia de modelos (decentes, nao pos-keynesianos) que nao afirmam que aumentar salario minimo eh uma pessima ideia.

E respondendo sua pergunta, os premio Nobel estao envelhecendo e, naturalmente, se afastando da fronteira. Perguntar para o Solow, que publicou seu trabalho relevante na decada de 50, sobre labor economics e esperar a mesma resposta do Shimer ou do Card eh burrice. Se eu conseguir chegar a idade do Solow vivo esta bom.

Anônimo disse...

Stiglitz (project syndicate by soros) tb não surpreende.

Anônimo disse...

Não vejo contradição alguma. O que a teoria liberal diz, e aparentemente todos concordam com isso, é que mais liberdade econômica trás necessariamente mais progresso. Ora, se eles sabem disso e defendem controle de preços, está mais do que óbvio que estes senhores não estão nem um pouco preocupados em progresso econômico, pois assim os pobres ficariam mais ricos e o status quo da classe deles seria abalado...

Anônimo disse...

olha que lega, sachsida
Brasil poderá ser avalista de dívida da Argentina
Garantia seria dada para dívida com fundos dos EUA

http://www.jb.com.br/economia/noticias/2014/03/17/brasil-podera-ser-avalista-de-divida-da-argentina

Caio disse...

Lamentavel, quando as pessoas mais brilhantes de um ramo do conhecimento contradizem o mais elementar, os princípios de economia, o sujeito leigo fica sem saber se a economia como é ensinada hoje esta ultrapassada ou se os laureados estao falando bobagem. Nessas horas a gente tem que ser um pouquinho arrogante e acreditar em nos mesmos, ou ainda, acreditar no conhecimento por seu proprio merito, independente de quem bota seu nome a favor ou contra. Sempre fui cetico com 'herois'. Nesse caso to contigo, mal li metade de um livro de introducao a economia e ja sei que isso ai nao faz o menor sentido.
Sachsida, voce esta me deixando preocupado com a profecia desse ajuste fiscal por inflaçao caso o PT ganhe em 2014! Como um investidor com a maior parte do patrimonio investido em titulos publicos federais, preocupa-me a possibilidade de um calote, seja escancarado, ou com inflação.
Esses ultimos 5 anos foram pessimos para todos os investidores, nada rendeu bem, nada! È bolha imobiliaria, bolsa de valores caindo, juros liquidos praticamente zerados ou ate negativos. O governo esta acabando com a economia.
Se a coisa piorar mais ainda, , pelo amor de deus, avisa a gente, para dar tempo de ir correndo nos EUA para abrir uma conta e tranferir tudo!
Abraços.

Anônimo disse...

Krugman, em evento patrocinado pela Carta Capital (ou seja, com nosso dinheiro, já que ela recebe dinheiro público), veio ao Brasil falar que a situação do Brasil é boa e não há o que temer. kkkkkkkk

Anônimo disse...

Aparentemente o QE do Bernanke foi até menos do que ele recomendou o Japão fazer no final de 90 inicio dos 00. Por que voce acha que o professor Bernanke não iria aprovar o QE?

Anônimo disse...

Sachsida, escreva sobre a ligação do Governo brasileiro e o câmbio entre o real e o peso argentino, me parece que há anos o preço tem sido +/- fixo pra prejuízo dos brasileiros. E o produto mais importado do Brasil pela Argentina é o petróleo. A PTbrás não estaria sendo usada pra subsidiar a ditadura Argentina aceitando os números do governo argentino??!!

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