terça-feira, 8 de julho de 2014

O Que é a Nova Matriz Econômica?

Durante o governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso estabeleceu-se o tripé econômico: responsabilidade fiscal, sistema de metas de inflação, e taxa de câmbio flutuante. Sem sombra de dúvidas, o tripé econômico deu estabilidade e confiança ao crescimento da economia brasileira. Quando falo de crescimento, falo no sentido de longo prazo, me refiro ao crescimento sustentável de longo prazo.

O tripé econômico não era a pedra filosofal, não transformava chumbo em ouro, mas garantia estabilidade econômica enquanto outras reformas iam sendo realizadas. Em 27 de maio de 2010 eu escrevi uma carta ao futuro presidente do Brasil. Nela lia-se:

"Assim, os signatários dessa carta deixam claro que antes que mudanças sejam propostas no tripé econômico, outras reformas devem ser realizadas: reforma tributária, reforma fiscal, reforma trabalhista e reforma da previdência são temas muito mais urgentes para o debate nacional. De maneira alguma dizemos que o tripé econômico atual seja isento de imperfeições. Alegamos apenas que reformas muito mais urgentes devem ser implementadas antes que mudanças no tripé econômico atual sejam levadas a cabo".

Infelizmente o governo da Presidente Dilma Roussef ignorou a sugestão acima. Verdade seja dita, o segundo governo Lula já vinha abandonando o tripé econômico. Em seu lugar implementou-se a "Nova Matriz Econômica". A Nova Matriz Econômica era caracterizada por: expansão fiscal (estímulos), crédito abundante a juros subsidiados, e taxa de câmbio controlada. A rigor era o abandono, na prática, do tripé econômico. Substituiu-se a responsabilidade fiscal pela expansão fiscal. No lugar do sistema de metas de inflação, optou-se por uma tremenda expansão de crédito público, a juros subsidiados, o que forçou a adoção de medidas heterodoxas - controles diretos de preços (gasolina e energia, por exemplo) e desonerações tributárias - no combate a inflação. Por fim, a taxa de câmbio flutuante foi substituída por um sem número de intervenções no mercado cambial, tentando gerar aquilo que o governo chamou de taxa de câmbio competitiva (seja lá o que for isso).

O resultado da Nova Matriz Econômica é claro: crescimento baixo, inflação alta, e situação insustentável das finanças públicas. Mas o pior legado dessa experiência fracassada é outro: deixou-se de lado as reformas estruturais necessárias ao país. Na época do tripé econômico havia a estabilidade necessária, a previsibilidade adequada, para a realização das grandes reformas: tributária, previdenciária, trabalhista, abertura econômica, desburocratização, entre outras, que garantiriam um desempenho de longo prazo a economia brasileira. Hoje o governo deixou essa discussão de lado, abandonou o tema na crença de que o problema do Brasil é de demanda. Infelizmente para nós, o problema brasileiro é de oferta (e não de demanda como os técnicos do governo parecem ter acreditado). Isto é, a solução para os problemas do Brasil passam necessariamente pelo aumento de nossa produtividade. Isso só pode ser conseguido por meio das grandes reformas econômicas que nosso país precisa.

Para terminar proponho o teste da paternidade: hoje todo mundo quer assumir a paternidade do Plano Real. O PT não vai a televisão dizer que foi contra o plano real. Várias personalidades querem puxar para si a ideia desse plano, mesmo sem nunca dele terem participado. Daqui há 10 anos quem irá assumir a paternidade da Nova Matriz Econômica??? Não é necessário ir tão longe assim, hoje mesmo um dos pais dessa ideia já diz abertamente que o filho não é dele.

Um comentário:

Anônimo disse...

Pai (Luiz_Gonzaga_Belluzzo)
Mão (maria da conceição tavares)
Maternidade CEPAL.

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