sábado, 22 de novembro de 2014

Minha Opinião Sobre a Nova Equipe Econômica

Na Fazenda sai Guido Mantega (o pior e mais duradouro ministro da fazenda da história). Em seu lugar entra Joaquim Levy. Não há dúvidas de que a mudança é para melhor. Levy foi o responsável direto por um dos ajustes fiscais mais duros da história de nosso país (o de 2003). Certamente sabe o que deve ser feito, se irá fazer o que deve é outra história. Assino embaixo dessa indicação, acho que Dilma escolheu bem. Mas, acho que Levy não chega a completar um ano de governo, se for fazer o que tiver que ser feito sua vida no ministério será breve e tumultuada. Deixo aqui ao ministro meu apelo: não vamos usar a inflação para fazer o ajuste fiscal!!!! Não vamos aumentar ainda mais a carga tributária para fazer o ajuste!!! Vamos fazer o ajuste da maneira que deve ser feito: passo a passo, mas com reduções inequívocas de despesas, ao longo de quatro anos.

No Planejamento sai Miriam Belchior (ao lado de Mantega um dos piores quadros do governo atual), e entra Nelson Barbosa. Novamente, não restam dúvidas de que é uma melhora. Barbosa é de longe mais capacitado do que sua antecessora. Minha crítica aqui é outra: dos 12 anos de governo petista, Barbosa ocupou cargos chave em 10 deles. Isto é, ele é diretamente responsável pelas políticas econômicas atuais. Sim, é verdade que ele teve desentendimentos no governo anterior, mas tenho sérias dúvidas a respeito da profundidade de tais desentendimentos. Por exemplo, quando ele saiu do governo a contabilidade "criativa" já era um fato consumado, as políticas de estímulo a demanda e expansão do crédito já estavam consolidadas, os desmandos (e futuros desastres) do setor elétrico já estavam feitos, etc. Ou seja, Barbosa é diretamente responsável por boa parte das críticas atuais a política econômica do governo. Não assino embaixo dessa indicação.

No Tesouro sai Arno Augustin e entra Carlos Hamilton. Novamente é uma melhora. Hamilton é muito superior a Augustin (que em minha modesta opinião foi o pior secretário do Tesouro de todos os tempos). Mas tenho aqui uma ressalva: não vou aliviar para Carlos Hamilton. Ele fez parte da diretoria do BACEN que jogou no lixo o regime de metas de inflação, e que destruiu boa parte da credibilidade do Banco Central brasileiro. Claro que ele pode argumentar que não foi culpa só dele. Mas Hamilton fez parte de momentos bisonhos da história do BACEN, momentos em que termos como "convergência não-linear", "política fiscal neutra no horizonte relevante de tempo", etc., passaram a integrar as atas do COPOM. Não assino embaixo dessa indicação.

No Banco Central permanece Tombini. O que disse para Hamilton vale ainda mais para Tombini. Fez um péssimo trabalho no controle da inflação, recorrendo várias vezes ao controle de preços (combustíveis, energia, preços administrados) para evitar uma inflação ainda pior. Se apropriou de desonerações tributárias para o controle de preços, foi responsável direto por uma tremenda expansão do crédito (que em breve mostrará seu custo no mercado imobiliário), enfim, a inflação está alta, a credibilidade do BACEN em baixa. Esse é o legado de 4 anos de Tombini a frente da instituição. Não assino embaixo dessa indicação.

4 comentários:

Ricardo Totti disse...

As garras de uma recessão bate novamente a nossas portas, creio eu que está equipe econômica será mais um joguete nas mãos do partido do atual governo, estamos a deriva num mar de lama de corrupção e de incapacidade. Da sociedade em solimitar que os ajustes sejam feitos antes que o navio da economia vá a pique. Anos difíceis virão.

Mauricio Brito disse...

Adolfo, lembrando apenas, na questão relativa à Contabilidade Criativa, que ele, Nelson, deixou o ministério em razão das divergências com o secretário da STN, Arno Augustin. E criticou publicamente a decisão do Arno de sacar recursos do Fundo Soberano para compor o superavit primário.

maria disse...

E o Joaquim Levy vai aceitar? Por que o Trabuco era a primeira opção? Quem vais aceitar fazer parte de um governo cuja casa já caiu?

Dawran Numida disse...

É uma piada, lógico. Mas, uma boa resposta para as agruras atuais na economia, que não são de hoje, diga-se, decorrem do fato de ninguém acreditar que Aécio não venceria as eleições.
Todo o resto é desdobramento dessa matriz: o Brasil estava preparado para Aécio.
Assim, sem Aécio, nada vai funcionar.

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