segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

2015 mês a mês

Janeiro: pacotaço de tarifas públicas (energia, transportes, combustível, etc.). Anúncio de aumento nos impostos, e primeiras tentativas de redução no gasto público. Mas o grosso do ajuste será via tarifas e impostos (e contando com a ajuda da inflação). Teremos saudades do famoso "não era por 20 centavos..."

Fevereiro: descobriremos que em tempos de crise um mês curto, e com um tremendo feriado no meio, é péssimo para os negócios... será o primeiro golpe do ano nos pequenos empresários que dependem de suas vendas para garantir o giro de mercadorias.

Março: para tentar amenizar os efeitos da crise o Banco Central vai aumentar a oferta de crédito. Incrível como o BACEN insiste em querer combater a inflação aumentando juros mas aumentando o crédito ao mesmo tempo. Irá descobrir rapidamente que esse incremento no crédito não irá resolver problema algum.

Abril: desemprego começa assustar o brasileiro, renda real em queda, e inflação em alta. Isso mesmo: se você acha que desemprego e inflação não podem subir ao mesmo tempo terá uma surpresa desagradável.

Maio: Inadimplência começa a subir de maneira mais forte. Governo tenta estimular ainda mais o crédito, mas novamente não funciona.

Junho: o Banco Central Americano (FED) aumenta a taxa de juros, começa a contagem regressiva para o desastre na economia brasileira.

Julho: As empresas que tomaram empréstimos em dólar, ou que dependem de insumos em dólar, começam a ter dificuldades financeiras. Petrobras a beira de um colapso. Mais desemprego, mais queda na renda real, e mais inflação.

Agosto: BACEN disputa com o mercado para manter a taxa de câmbio fixa... e perde. Para os que acham que nossas reservas nos garantem será uma surpresa desagradável.

Setembro: Com o aumento da TR, a queda na renda real, e aumento do desemprego, sobe a inadimplência no mercado imobiliário. Bolsa de Valores continua a patinar.

Outubro: é a hora de quem tiver dinheiro aproveitar para fazer ótimos negócios no mercado imobiliário. Bolha imobiliária se revela ao brasileiro. Bolsa de valores com problemas sérios, várias empresas a beira do precipício. Contas públicas em frangalhos. Vários esqueletos fiscais darão o ar da graça. Será o outubro negro da economia brasileira. Joaquim Levy é demitido do Ministério da Fazenda, em seu lugar entra Nelson Barbosa.

Novembro: Caixa Econômica Federal em apuros necessitará de ajuda do Tesouro (isto é, dos contribuintes). Além disso, os recursos do FGTS serão insuficientes para suprir as obrigações desse fundo.

Dezembro: será a vez dos estados e municípios darem o cano no pagamento de salários e de outras contas correntes. Várias estatais em dificuldades financeiras. Enfim, finalmente alguém vai descobrir que deixar tudo para "restos a pagar" não resolve o problema, apenas o esconde. Enfim, ficará claro que a contabilidade criativa, e a política fiscal irresponsável adotada pelo governo central, fez escola nos estados, nos municípios e nas empresas estatais. Várias caixas pretas aparecerão ao longo do ano na CEF, na Petrobras, e no BNDES. E, claro, nos estados e municípios.

Será um ano longo e ruim.


8 comentários:

Anônimo disse...

Tá doido, Sachsida? Os imóveis cairão de preço por muitos meses. Nem de longe 2015 será o ano de comprar...

SF disse...

Devido a sua seriedade e erudição levarei em consideração seus prognósticos na minha atividade durante 2015. Só discordo qto a bolsa. Acredito que surpreenderá.

Anônimo disse...

Cenário catastrófico, mas factível. Entretanto, como somos o país do "meio sucesso", acho que capengaremos até 2016 com água na base das ventas para então começarmos a respirar de novo. E depois seguiremos nessa mediocridade que nos acompanha desde aquele longínquo ano de 1500. Triste isso, sobretudo para quem tem filhos pequenos e para aos quais esperava entregar um Brasil grande!

samuel disse...

O anônimo abaixo tem razão qto a bolha imobiliária. Como apontado pelo economista blogueiro, HAVERÁ contudo o mês em que fica evidente que "The floodgates will be cracking!"

Juliano disse...

Haverá também grande crise em relação aos cidadãos idosos, já que novas pensões em caso de morte serão reduzidas pela metade, enquanto os gastos domésticos não se diminuem da mesma forma.

Quem contribuiu a vida toda pelo teto do INSS daria direito a uma pensão bem próxima do salário mínimo.

ricardson moreira disse...

Sachsida,

qual a sua avaliação sobre o risco de o governo Dilma confiscar a renda dos brasileiros (poupança/conta corrente)? Em caso afirmativo, isso poderia acontecer neste ano?

Victor disse...

Até o momento acertou mais do que errou. Talvez a análise tenha sido até um pouco otimista

Claudio disse...

Concordo com o Victor. Vivo visitando esse post para comparar com a realidade.

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