segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

No mundo governos caem ao aumentar impostos, no Brasil os analistas aplaudem

Ao redor de 1775 a Inglaterra tentou aumentar impostos em sua colônia nas américas. Isso foi a gota d’água que resultou numa guerra que levou a independência dos Estados Unidos. No Brasil de antigamente, Tiradentes foi esquartejado por ter se revoltado contra o quinto (um imposto de 20%). Margareth Thatcher caiu ao tentar implementar o pool tax (uma espécie de imposto por pessoa). Resumindo, em qualquer parte do mundo aumento de impostos é uma atividade arriscada para quem está no governo.

Por algum motivo absurdo, o Brasil de hoje é o contrário: os governantes vão a televisão anunciar aumentos de impostos e saem aplaudidos!!! Um vexame a cobertura do Jornal Nacional sobre o aumento de impostos hoje: eles anunciaram o aumento e foram para outra matéria, nenhuma crítica, nenhum comentário, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo. A Globo News também não se saiu melhor.

Conversando com alguns colegas economistas, e pedindo que os mesmos se posicionassem contra o aumento de impostos, foi outra decepção, a maioria de meus colegas respondia: se não aumentar impostos não tem como fazer o ajuste fiscal. Quando retrucava dizendo que no Brasil aumento de impostos implica em aumento de gastos do governo no longo prazo eles concordavam, mas mesmo assim continuavam com a ideia de mais impostos.

Repito: em 2000 a carga tributária no Brasil era de 30% do PIB, devemos ter terminado 2014 com uma carga tributária de 37% do PIB. Resumindo, a carga tributária aumentou 7 pontos percentuais do PIB, acaso nossa situação fiscal melhorou? Repito, no Brasil, aumento de impostos não ajuda a melhorar a situação fiscal, pelo contrário, aqui aumento de impostos serve apenas para financiar o aumento de gastos públicos no futuro.

Aumentar impostos é uma maneira de evitar a discussão real que deve ser feita em nosso país: precisamos de reformas. As contas públicas estão em frangalhos porque o Estado brasileiro gasta muito e gasta mal. Essa é a discussão real que deve ser feita, nosso país precisa de reformas macroeconômicas (reforma tributária, reforma na legislação trabalhista, reforma na previdência, abertura econômica, redução da burocracia, etc.). Aumentar impostos é varrer a sujeira para debaixo do tapete, pode até parecer que a casa está limpa, mas a sujeira está lá. Cedo ou tarde teremos que limpar essa bagunça, quanto mais tempo levarmos para isso, maior será o custo das necessárias reformas.

4 comentários:

Eraldo Simões disse...

ACHO QUE É UM TIRO NO PEITO!!!

EMBORA COM AUMENTO DE ALÍQUOTA, A QUEDA NA ATIVIDADE ECONÔMICA VAI FAZER CAIR TAMBÉM A ARRECADAÇÃO.

AO MEU VER ( NÃO SOU ECONOMISTA ) ERA HORA DE CORTAR GASTOS E ATÉ ALIVIAR A CARGA TRIBUTÁRIA PARA GIRAR A RODA DA ECONOMIA.

AVOA SELIC!!!!!

Eraldo Simões disse...

Acho que vai ser um tiro no peito!

A queda da atividade econômica, mesmo com alíquota maiores vai fazer a arrecadação cair.

Não sou economista, mas penso que deveria haver corte de gastos e redução da carga tributária para girar a roda da economia.

Uma outra coisa é que o governo vai precisar de dinheiro e para conseguir vai precisar lançar títulos, só que para tanto vai ter que oferecer taxas mais atrativas. jogando de vez uma pá de cal na economia.

AVOA SELIC !!!

Marcelo Vasconcelos disse...

Mudanças de verdade mesmo na economia, só com desemprego.

Os chineses são sábios. A palavra crise tem o mesmo anagrama de oportunidade.

Até lá, vamos vivendo com esse pouso de galinha.

ANTONIO CARLOS Hindo disse...

Adolfo, como cortar gastos, se culturalmente o sonho do brasileiro é viver do Estado ( ser funcionário público ) ?

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