quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

O Salário Mínimo, os Empacotadores, e o Aumento de Impostos

O salário mínimo aumentou para R$ 788, certamente é um dos valores mais elevados de sua história. Esse é o efeito que todos veem. Contudo, atrelado a tal aumento ocorrem vários outros movimentos na economia que muitas vezes passam despercebidos, esses são os efeitos que o grande pensador francês do século XIX Frédéric Bastiat chamava de efeito que não se vê.

Onde estão os empacotadores de supermercado? Lembram-se deles? Ficavam ali empacotando nossas compras, nos ajudando, mas atualmente não se tem notícias deles. Ocorre que empacotar compras no supermercado é uma profissão que demanda muito pouco conhecimento. No passado tais vagas eram ocupadas por pessoas com baixa qualificação profissional. Com o aumento do salário mínimo passou a ser muito oneroso para o supermercado manter pessoas com baixa qualificação recebendo salário mínimo. O resultado foi a demissão em massa dos empacotadores. Muitos deles obrigados a sair do setor formal da economia (protegidos pela legislação trabalhista) para o setor informal. Tal como ocorreu aos empacotadores, aconteceu também a uma série outra de profissões que empregavam pessoas de baixa qualificação recebendo mensalmente um salário mínimo. O aumento do salário mínimo tornou oneroso para as empresas manter tais ocupações, resultando em perdas de emprego e obrigando vários desses trabalhadores a se refugiarem no setor informal da economia, ou então a recorrerem a algum programa governamental de transferência de renda, tal como o Bolsa Família. Esse é o efeito que Bastiat chama de efeito que não se vê.

Outro efeito que não se vê, decorrente do aumento do salário mínimo, é a necessidade do aumento de impostos. Apenas para dar uma ideia, cada R$ 1,00 de aumento no salário mínimo implica em aproximadamente um gasto anual extra de R$ 300 milhões nas contas da previdência. Esse último aumento do salário mínimo (elevando seu valor para R$ 788) implica num gasto anual adicional para o governo federal de aproximadamente R$ 19 bilhões. Notem que as últimas medidas econômicas anunciadas pelo governo (perda de direitos trabalhistas e previdenciários aliado a aumento de impostos) visam justamente reduzir o déficit público (que na sua maior parte é causado justamente pelo déficit previdenciário, que por sua vez é fortemente impactado pelo reajuste do salário mínimo). Perda de direitos trabalhista e previdenciário e aumento de impostos é outro dos efeitos que não se vê decorrentes do aumento do salário mínimo.

Quando a crise chegar, e ela chegará forte a partir do meio do ano, o aumento do salário mínimo mostrará outro de seu efeito que não se vê: o aumento na taxa de desemprego das pessoas menos qualificadas. Elas serão as mais prejudicadas e boa parte delas será obrigado a recorrer ao setor informal ou ao Bolsa Família.

Em economia mais importante do que os efeitos do que se vê são os efeitos do que não se vê. Perda de emprego dos menos qualificados, aumento da informalidade no mercado de trabalho, perda de direitos trabalhistas e previdenciários e aumento de impostos, são alguns efeitos deletérios que o aumento exacerbado do salários mínimo tem sobre a economia.

Quando o salário mínimo sobe acima da produtividade da economia tal aumento não é sustentável, é artificial. Para manter esse salário mínimo artificialmente elevado o governo é obrigado a recorrer a outros expedientes (tal como o ajuste fiscal). Além disso, o próprio mercado faz outros ajustes (aumentando por exemplo o grau de informalidade no mercado de trabalho). Aumentar o salário mínimo de maneira artificial (acima da produtividade) pode ser bom para políticos que se beneficiam do efeito do que se vê, mas é péssimo para a sociedade que é obrigada a pagar pelo efeito do que não se vê.

9 comentários:

Anônimo disse...

Excelente artigo.

Jorge Rebolla disse...

Neste ano deve ocorrer aumento dos empregos informais, mas de 2004 a 2013, segundo o IBGE ocorreu redução na taxa de informalidade. Bem como do desemprego. Como explicar esta contradição, tendo em vista que para você o reajuste do salário mínimo está além do crescimento da produtividade na economia? Será que os números divulgados pelo IBGE sofrem manipulações?

ANTONIO CARLOS Hindo disse...

Jorge, quando o IBGE divulga o índice de desemprego, ele está colocando ali no seu relatório, apenas as pessoas que estão na idade produtiva, porém que não estejam procurando emprego ! Exemplo : um pipoqueiro pai de família de 35 anos de idade, cadastrado no bolsa família, ganha 2x ( do governo e da informalidade ). Veja você, que esse pipoqueiro hipotético responde ao IBGE que não está procurando emprego, pois ganha de duas "fontes" de renda. Essa seria uma das explicações do porquê, um país em " pleno " emprego, pode gerar um PIB tão medíocre !

Anônimo disse...

Caro Jorge,
Dois efeitos podem estar ocorrendo; o primeiro é a redução daqueles que procuram emprego seja porque mesmo que precariamente podem sobreviver com auxílios do governo ou estão defasados no sentido que suas habilidades não são mais necessárias. O segundo efeito é uma característica do mercado de trabalho de ser um indicador "atrasado", i.e, apesar da economia não apresentar bom desempenho, os empregadores mantêm seus funcionários em virtude dos custos de demissão e contratar novamente.

José Eustáquio disse...

Adolfo,
Não adianta discutir com o pessoal de esquerda que é bom ter emprego de empacotador, de um lado, e que o aumento do salário mínimo é ruim. Este tipo de emprego deve acabar e ser substituído por empregos de melhores condições. Quanto ao aumento do salário mínimo, o ponto é mostrar que o atual momento é outro, e o que acontece é justamente a forma populista de enganar os mais ignorantes. Que o salário mínimo deve aumentar, ninguém discutirá, a idéia é saber quando isso é possível.
Abraços, estou chegando, e conte comigo, Jose Eustaquio

Anônimo disse...

eu ja cortei a faxineira. eu mesmo limpo minha casa agora. da pena! ela fica ligando pedindo serviço mas nao da.

SF disse...

Discordo Adolfo.
Acredito que quanto maior for a renda do cidadão maior a riqueza da nação.
É triste ver o quanto somos pobres. Tão miseráveis que achamos que a merreca que é o salário mínimo seja grande coisa.
Na escravidão era melhor!

Karoline Dutra disse...

Tipo de artigo que ao final bato palmas! muito bom!!

Anônimo disse...

oi tudo bem sou um aposentado de 81anos só recebo uma aposentadoria tenho q pagar o aluguel pagar conta de luz de agua comprar o gàs e fazer compras de comida graças a Deus tem uma igreja q me da uma cesta basica meu irmao me ajuda com o aluguel como me virar neste pais de merda quem tem duas tres aposentadorias td bem mas eu q só recebo uma và la me sacrifiquei uma vida inteira pra depois receber só uma aposentadoria não tenho direito hà nada só tenho direito de pagar minhas contas quem dera tivesse o direito de uma diverssao quem me dera mas só tenho direito de comprar os meus remédios quando hà gente da valor pra um trabalhador honesto pra q?pra chegar no fim da vida nesta situaçao me desculpe ai eu dou valor pros assaltantes q invadem e pegam o q é de direito deles porq nao vao ter nunca direito ha nada mas fazem o q acham melhor diante de tanta injustiça

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