quinta-feira, 25 de junho de 2015

O que nos espera no segundo semestre?

Por algum motivo que desconheço alguns analistas tem dito que o segundo semestre de 2015 será de recuperação. Então, apenas para deixar claro: o segundo semestre de 2015 será pior do que o primeiro.

Tal como tenho alertado há muito tempo, 2015 será o ano do ajuste. E, repito, o ajuste severo se dará no segundo semestre. A queda na produção e o aumento no desemprego se farão mais evidentes no final do ano.

Tenho visto técnicos do governo, e analistas da imprensa, reclamarem de que o Congresso Nacional não tem ajudado no esforço de ajuste fiscal. ERRADO! Quem não tem ajudado no ajuste fiscal é Dilma e a equipe econômica. Levy diz que 2015 é apenas uma “ressaca”, outros ministros dizem que o ajuste é temporário, Dilma estimula a população a consumir mais... bom quando o próprio governo minimiza a crise, exatamente por que o Congresso deveria se preocupar?

A equipe econômica e Dilma deveriam ser honestos. Deveriam reconhecer a magnitude da crise, as enormes dificuldades que nos esperam, deixar claro o tamanho monumental do sacrifício que deverá ser feito para corrigir os erros econômicos passados. Quando fizerem isso, quando admitirem que estamos a beira do caos econômico, então poderemos cobrar mais seriedade no ajuste fiscal por parte do Congresso. Mas se o próprio governo é o primeiro a dizer que a crise é apenas uma “ressaca”, exatamente por que o Congresso deveria adotar medidas drásticas?

Se preparem, o segundo semestre de 2015 será bem pior do que o primeiro. O ajuste mal começou, e com a postura atual do governo ele tem tudo para piorar ainda mais. Vou dar um exemplo: a indexação do salário mínimo é uma bomba que vai explodir as contas públicas ano que vem. O que o governo tem feito para desarmá-la? Cada R$ 1 real de aumento no salário mínimo impacta as contas públicas em aproximadamente R$ 300 milhões/ano. Um aumento de R$ 80 reais no salário mínimo ano que vem será o tiro de misericórdia nas contas públicas.

6 comentários:

Jorge Nogueira Rebolla disse...

R$ 300.000.000,00 x 80 = R$ 24.000.000.000,00
Vinte e quatro bilhões de Reais representam aproximadamente o quê da arrecadação tributária? 1%? Mais ou menos o mesmo que 1% de aumento na taxa Selic sobre o valor dos juros da dívida pública federal, cerca de R$ 2,5 trilhões.

Agora um raciocínio prosaico: se R$ 1 de aumento no salário mínimo impacta em R$ 300 milhões as contas públicas, teríamos uma economia neste ano nas despesas de R$ 236.400.000.000,00 se o SM não existisse ou o seu valor fosse igual a 0, ou seja, mesmo zerando o salário mínimo o impacto global seria inferior a 4% do PIB... conta de padeiro qualquer um faz, não é mesmo?

Anônimo disse...

Jorge Nogueira

Ta sertinho a conta, um real de aumento vai resolver todos os problemas economicos do país e nao vai fazer nem cocegas nos gastos publicos.

Parabens cara ja pensou em ser ministro?

Anônimo disse...

236400000000 é pouco pra vc? Por causa desse seu pensamento de bosta que o país tá com as contas públicas nesse estado

Anônimo disse...

Um ponto importante é que não estamos falando do aumento do salario mínimo OU da selic. Mas de ambos. E talvez um aumento mais de 1% na Selic. E menos arrecadação. E mais gastos com seguro desemprego, etc, etc, etc.

Anônimo disse...

Caro Adolfo,
Infelizmente, eu discordo de você. Digo infelizmente porque não acredito que o ajuste será feito neste segundo semestre. Vamos ver a situação piorar muito (neste ano, ano que vêm, quem sabe em 2017) antes que façamos qualquer tipo decente de ajuste! É uma tragédia. E a culpa é exclusiva do executivo (estão tentando também colocar a culpa do não ajuste na oposição! É inacreditável!).
Um grande abraço!

ANTONIO CARLOS Hindo disse...

Adolfo, vc sempre esteve certo , e tenho que admitir que está também agora ! Tenho acompanhado seus vídeos há alguns anos e vejo que acertou em td que falou! No meu ponto de vista o problema do Brasil se resume em um único ponto FUNCIONALISMO PÚBLICO ! Enquanto o sonho dos nossos jovens for o de ser funcionário publico ; enquanto o serviço público remunerar muito acima do privado com bem menos produtividade; enquanto pagarmos de previdência para 1 milhão de pessoas do serviço público o que se paga para 100 milhões do privado , nós seremos uma MERDA pior do que a Grécia em muito pouco tempo ! Como Arminio Fraga comentou " nós estamos apenas no início da grave crise que está por vir "

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