quinta-feira, 9 de julho de 2015

Uma pergunta sobre produtividade: A Estrutura de Salários Importa?

Tenho vários colegas que tem no tema produtividade sua principal linha de pesquisa. No Brasil dois dos maiores especialistas sobre o tema, Roberto Ellery Jr. e Victor Gomes, são meus amigos e co-autores de longa data. Esse post deixa uma pergunta para os experts no tema: a estrutura de pagamento de salários importa para a produtividade? Pelo melhor de meu conhecimento, nunca vi nenhum artigo ou pesquisador levantar essa questão.

Vou ser mais específico. Em economia costuma-se dizer que em equilíbrio o salário real é igual a produtividade marginal do trabalho. Ou em palavras simples: você ganha o que você produz. A consequência óbvia disso é que aumentos reais de salários só são possíveis na presença de aumentos na produtividade. Aumenta-se a produtividade e os salários aumentam. Mas imagine agora que a estrutura salarial impeça que um aumento de produtividade seja transferido para salários, o que ocorreria com o estímulo do trabalhador?

No clássico “Os Embalos de Sábado a Noite” John Travolta chega em casa todo feliz, pois seu patrão lhe concedeu um aumento de salário. No Brasil tal aumento seria impossível. A legislação trabalhista brasileira torna aumentos individualizados de salários virtualmente impossível. Um empregador que queira dar um prêmio a determinado trabalhador enfrentará dificuldades semelhantes. Em resumo, premiar individualmente um trabalhador (mas não os demais) na mesma empresa é legalmente inviável no Brasil.

O que isso gera nos estímulos ao trabalhador brasileiro? Qual o ganho de ser pro-ativo? Qual o ganho em ser voluntarioso? Se as coisas dão errado o voluntarioso é demitido, se dá certo ele nada ganha. Sim, claro, ele pode ser promovido. Mas promoção não é aumento de salário. Ser promovido significam novas funções, novas responsabilidades, e um salário mais elevado. Contudo, não é a esse movimento que me refiro. Me refiro a possibilidade do trabalhador individual receber um prêmio salarial (aumento salarial ou bônus) permanecendo na mesma posição na empresa (e sem que os demais recebam esse prêmio).

Me parece que a estrutura salarial brasileira impede a bonificação individual fundamental para que o aumento de produtividade do trabalhador X se traduza em aumento de salário do próprio trabalhador X. Ora se o aumento de produtividade de João não se traduz em aumento de salário para João, então exatamente por que João deve se esforçar mais? Mas se João não se esforça mais, Pedro também não se esforçará, nem tampouco Maria. Essa estrutura da legislação trabalhista brasileira me parece minar completamente os ganhos de produtividade.

Se o salário do trabalhador individual não aumenta quando este se torna mais produtivo, qual o estímulo que ele teria para incorporar os ganhos de produtividade na sua rotina de trabalho? Acho que a estrutura salarial brasileira, por meio de uma arcaica legislação trabalhista, impede o trabalhador individual brasileiro de incorporar ao seu salário os seus ganhos de produtividade. Tal fato me parece uma importante explicação para a baixa produtividade brasileira. Deixo agora a palavra com os especialistas: em que magnitude a legislação trabalhista brasileira atrapalha o aumento da produtividade, e o consequente aumento do salário real do trabalhador brasileiro?

3 comentários:

ANTONIO CARLOS Hindo disse...

Isso não é novidade não ! Nós vivemos num verdadeiro "cubanato", onde se vc trabalhar ou não trabalhar ganha exatamente o mesmo tanto por mês ! De onde vem isso? Do FUNCIONALISMO PÚBLICO ! Não há margem para aumentar a remuneração dos trabalhadores da iniciativa privada legalmente, pois todos sabemos que o empresário paga 1 salario para o empregado e 1 salario para o governo ....

Rud Kroll disse...

Valeu Sachsida.... Eu como advogado também nunca entendi quais as vantagens do principio da isonomia e equiparação salarial numa verdadeira economia de mercado no qual sempre fui ferrenho defensor.

Chutando a Lata disse...

Lembrando-me de Marshall, uma boa estória econômica tem sempre dois lados: oferta e demanda. Creio que se você se voltasse à demanda por trabalho talvez encontrasse uma boa resposta. Vejo que muitos com boa formação não encontram boas oportunidades no mercado.

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