terça-feira, 13 de outubro de 2015

Monica de Bolle e a Questão da Dominância Fiscal

A discussão do momento é o artigo de Monica de Bolle sobre dominância fiscal. Geralmente gosto das opiniões dela, mas aqui me manifesto contra. Monica sugere literalmente o abandono do regime de metas de inflação, a adoção de uma banda cambial, e até mesmo a adoção de controle de capitais.

Creio que o que Monica tem em mente é uma âncora cambial similar a adotada no Plano Real. Isto é, enquanto o lado fiscal da economia não é sanado adota-se a taxa de câmbio como instrumento para o controle da inflação. Monica certamente tem um ponto: o lado fiscal da economia está descontrolado. Contudo, me parece que sua solução não é a mais adequada por pelo menos três motivos.

Em primeiro lugar, a âncora cambial tem um custo. Qual seja, manter o câmbio controlado só é possível com o uso maciço das reservas ou com uma taxa de juros mais elevada ainda. Monica confia nas reservas, eu não. Segundo ela o Brasil teria ainda U$ 370 bilhões para garantir uma banda cambial. Pessoalmente tenho várias dúvidas quanto ao montante real de reservas que o Brasil efetivamente tem. Além disso, se os ataques especulativos do passado nos ensinaram algo, é que mesmo que o Brasil tivesse tais reservas elas não seriam suficientes para aguentar por muito tempo. Exatamente por esse motivo Monica acrescenta que controles de capitais poderiam ser adotados nesse cenário. Acredito que essa é a pior das sugestões que ela já fez. Sinalizar para a adoção de controle de capitais agora é desastre certo. Tal sinalização jogaria muita volatilidade no mercado e a ideia dela se aproximaria perigosamente da famosa, e fracassada, banda diagonal endógena (de triste lembrança).

Em segundo lugar, temos a regra básica de equilíbrio internacional: se o Banco Central controla câmbio (como sugere Monica), então é o mercado que estipula a taxa de juros. No cenário atual, fixar o câmbio provavelmente jogará a taxa de juros nas alturas (exatamente como aconteceu durante o período do câmbio fixo no Plano Real). Isto é, a adoção da ideia de Monica levaria ao resultado inverso do pretendido por ela. Em vez da taxa de juros cair, a taxa de juros subiria. Piorando ainda mais a situação fiscal de nossa economia.

Em terceiro lugar, resta a pergunta óbvia: exatamente por que o mesmo governo que nos trouxe a essa situação nos tiraria dela? Exatamente por que o mesmo governo que abandonou a responsabilidade fiscal (com o regime de metas de inflação) retornaria com sua responsabilidade na ausência do regime de metas? Isso simplesmente não é crível. E, sem tal credibilidade, o argumento da âncora cambial não se sustenta.

Certamente não existe solução fácil para o momento atual. Contudo, creio que abandonar (mais ainda) o sistema de metas de inflação seja um passo na direção errada.

3 comentários:

Rud Kroll disse...

Controle de capitais neste cenario ?.....vixeee....Isso indica que o governo está querendo a todo custo defender o cãmbio....isso significa que vem mais coisa ruim e mais merda por ai....sei não ....um controle de capital passageiro podeira funcionar se tivermos lastros macroeconomicos solidos e instituições boas....temos isso Sachisida ?

Rud Kroll disse...

e outra coisa que eu estava pensando aqui ....esse controle de capitais pode vir inclusive em forma de mais impostos....na argentina por exemplo, cobram uma taxa por ferias no exterior....

marcocabral33 disse...

http://www.valor.com.br/politica/4268750/governo-dilma-precisa-abandonar-ajuste-fiscal-imediatamente-diz-lula

O QUE ACHA DISSO ADOLFO?

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