quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Proibir o UBER é o mesmo que probir avancos tecnológicos. Diga SIM ao UBER


Novas tecnologias sempre enfrentam uma resistência em seu início. Isso ocorre pois a nova tecnologia tende a tirar uma ampla gama de pessoas e empresas de sua zona de conforto. A nova tecnologia imediatamente causa um aumento de bem estar dos consumidores. Afinal, não fosse assim a nova tecnologia não ganharia espaço no mercado. A nova tecnologia só ganha consumidores pois estes a preferem em relação a antiga. Por outro lado, os fornecedores da tecnologia antiga perdem dinheiro, empregos e espaço no mercado. Daí a revolta de determinados setores quando são obrigados a enfrentar a concorrência de uma nova tecnologia.

Imaginem a quantidade de desemprego que foi gerada pela locomotiva a vapor. Milhares de carroceiros perderam seus empregos, pois agora era mais eficiente o despacho das mercadorias pelo trem (e não mais por carroças). Essa é o efeito que se vê. Mas existe um outro efeito que não se vê: ao baratear o custo de transporte a locomotiva a vapor tornou viável um rol enorme de outros empregos e de outras atividades econômicas.

De maneira similar, softwares de edição de texto desempregaram os datilógrafos. Acaso alguém sugere que softwares de edição de texto sejam proibidos? O restaurante self-service foi uma inovação que desempregou milhares de garcons. Acaso alguém quer proibir tais restaurantes?

Toda nova tecnologia gera custos (desemprego, fechamento de empresas) em determinado setor, esse é o efeito que se vê. Mas, ao mesmo tempo, essa nova tecnologia cria dezenas de milhares de novas oportunidades que até então eram tecnicamente, ou financeiramente, inviáveis. Esse é o efeito que não se vê.

Com o UBER não é diferente. Essa nova tecnologia representou um ganho imediato de bem estar aos consumidores. Afinal os consumidores não são obrigados a usar o UBER, se o usam é porque lhes é vantajoso. Ao mesmo tempo, vários taxistas acabam se sentindo prejudicados pois parte de seus antigos clientes migram para o UBER. Ora, se isso for motivo para proibirmos o UBER deveríamos proibir igualmente o computador, o restaurante self service, bem como qualquer inovação tecnológica.

O caminho a ser perseguido não é proibir o UBER, pelo contrário, deve-se sim estimular a competição e o uso de novas tecnologias. Que tal os taxistas se reunirem e criarem outro aplicativo para competir? Que tal liberarmos o mercado de transporte público para que esse receba cada vez mais competição? Barrar o uso lícito de novas tecnologias é economicamente ineficiente, e moralmente absurdo. Qual a justificativa moral para criarmos uma reserva de mercado para os taxistas? Já pensou se a moda pega. Cada sindicato, cada setor, cada trabalhador e cada empresário da economia exigiriam o mesmo benefício para si mesmo. Tal comportamento levaria, ao longo do tempo, a uma estagnação tecnológica que por sua vez se traduziria numa sociedade cada vez mais pobre, e mais avessa a novas tecnologias.

O UBER é apenas a ponta do iceberg. A revolução na tecnologia da informação permite um rol amplo de inovações. Por exemplo, em breve teremos os donos de redes hoteleiras reclamando do airbnb, um aplicativo que permite o aluguel de residências (e certamente diminui a demanda por quartos de hotéis).

Barrar o UBER, ou o airbnb, ou qualquer outra tecnologia, é condenar uma economia ao atraso e tornar os consumidores reféns dos produtores que detém a tecnologia antiga.

Um comentário:

Anônimo disse...

Adolfo,
Acompanho seu blog e raramente discordo de seus argumentos.
Contudo, neste post sobre o UBER fiquei decepcionado.
Acredito que tens capacidade de ir muito mais além e avaliar os reais impactos do UBER.
Entendo que o UBER não é disruptivo e não tem nada de inovador (e não estou sozinho)
O Uber é uma corretora de contratos de transporte que usa uma plataforma eletrônica. Igual à qualquer radiotáxi que substituísse o telefone pelo celular.
O Uber é oferta de taxi irregular e não transporte privado, uma vez que a plataforma esta acessível a todos.
Para entender, basta traçar um raciocínio analógico com a venda de ações. Se você entrar numa corretora e sair com ações de uma empresa que você ão tem nenhum relacionamento direto e pessoal, é uma venda "pública" de valores mobiliários e, portanto, regulada pela CVM.
O táxi não é público por ser uma concessão, do contrario, é uma concessão por ser público.
Enfim, meu ponto é que hoje a única real novidade do Uber é baixar o custo do serviço por uma via errada, passando parte do custo e do risco para a sociedade.
Com o preço do Uber, só existem motoristas porque estes não pagam NADA de IRPF e nem de seguro de transportador. Se estes dois elementos fossem agregados, o custo ficaria muito próximo ao do táxi.
Além disto, a realidade é que o perfil do motorista do Uber é aquele que está fazendo 16 horas por dia de trabalho, elevando muito o risco de acidentes.
Meu ponto é, o Uber está se aproveitando do imediatismo do consumidor em querer um preço baixo, em conjunto com uma grande massa de desempregados que precisam de receita e, com isto, expõe ao risco tanto os passageiros quanto a própria existência do transporte público individual.
Ao se desmontar a estrutura de táxi, basta que o pais cresça um pouco para que a mão de obra do Uber vá para outra atividade que pague melhor. Teríamos um problema sério.
Seria interessante abordar sobre este foco a questão.
Esquecer um pouco o mantra tecnológico que é mais cortina de fumaça.
O transporte público deve ser pensado no longo prazo e não no curto prazo.
Parabéns pelo site !

Google+ Followers

Gadget

Este conteúdo ainda não está disponível por conexões criptografadas.

Follow by Email