domingo, 9 de abril de 2017

Considerações Sobre o Ataque Americano a Síria

O governo Sírio fez uso de gás sarin para matar civis, incluindo crianças e bebes. Em resposta a isso os Estados Unidos lançaram ataques aéreos a uma base militar Síria. Será que os EUA agiram certo?

Durante a campanha presidencial americana Trump se mostrou reticente com intervenções na Síria. Ao contrário de Hillary que defendia uma intervenção mais dura, Trump parecia acreditar que a Síria era um problema russo (daí a preferência do governo russo por Trump). Antes de atacar a base militar síria o governo americano frisou que isso era decorrência direta do ataque a gás realizado pelos sírios.

O mundo não é um local seguro, e desde que existem superpotências uma delas sempre age como policial do mundo. Entre um policial russo, chinês, ou americano, fico com o último. Quando os EUA se recusam a seu papel de policial é a Rússia ou a China que assume essa postura. Não existe a opção de ninguém é policial. O ataque americano à base militar síria é um recado claro de que existe um limite que não deve ser ultrapassado.

De quais opções o governo Trump dispõe? Ele pode silenciar ou pode agir. Ficar em silêncio equivale a aceitar a supremacia russa naquela região. Isso certamente evita uma guerra hoje, mas e depois? Será que os russos irão parar por aí? Eles já tomaram a Criméia e aparentemente não tem desejo algum de parar por aí. O que viria depois? Talvez nada. Essa é a aposta dos isolacionistas: acreditam que se o governo americano ficasse de fora disso os russos assumiriam o controle numa área que tradicionalmente já é sua área de influência, isto é, ficaria tudo na mesma e a paz no mundo estaria assegurada.

Ao escolher agir o governo americano mostra que os russos não tem carta branca, isso pode gerar uma retaliação russa e jogar o mundo numa guerra entre superpotências. Sim, isso pode acontecer. Contudo, mostra também aos russos que o governo americano não tem medo de ameaças e está pronto a intervir. Por vezes, o porrete é a única linguagem que alguns respeitam. Ao mostrar sua força os americanos limitam os russos (e chineses) e garantem a paz no mundo, essa é a aposta dos que defendem a intervenção americana.

Tanto o silêncio como a intervenção americana podem levar a resultados catastróficos, não existe resposta fácil ou segura. Bons argumentos podem ser usados tanto para justificar os ataques americanos na Síria como para ser contra eles. De minha parte acredito que Trump acertou: uma resposta firme, mas localizada, mostrando que existe uma linha que não deve ser cruzada por ninguém, nem pelos sírios, nem pelos russos, e nem pelos chineses e norte-coreanos.

Um comentário:

roberto da silva rocha disse...

A Rússia não tomou a Criméia. Retomou. Respeitou o referendo popular da população crimeriana que ficou proibida de se comunicar em russo imagine, uma população de 90% de russos..Por favor, o mundo não precisa de um país como a polícia, porque a polícia está vinculada à lei e a lei do mundo é a comunidade das nações representada pela ONU, a qual a polícia do mundo desdenha e zomba dela, a UNU... Por outro lado, suponhamos, apenas para argumentar, que em virtude da enorme pressão sobre a interferência da Rússia possivelmente nas eleições para presidente dos EUA favorecendo o candidato vencedor, então, suponhamos que Putin e Donald tenham feito um acordo para parecer que existe uma disruptura entre a política externa de ambos governos, então, Putin combina com Trump quebrar as expectativas do Ocidente para com as relações entre eles. Assim o plano engenhoso é executado, e Trump e Putim podem posar agora de inimigos ou adversários políticos muito sério.

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