quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Inflação x Reformas Econômicas: a Escolha é sua

Amigos, este post é apenas para registro histórico. Já cansei de avisar, a situação fiscal brasileira é péssima. A situação fiscal do governo federal é horrorosa, mas os estados e municípios conseguem a proeza de estarem em situação pior ainda. O estado do Rio de Janeiro é apenas a ponta do iceberg. Rio Grande do Sul e Minas Gerais já despencaram do precipício, é questão de tempo para sentirem o impacto. Paraná e Distrito Federal estão na beira do precipício, e os outros estados não estão em situação melhor. Com os municípios é questão de tempo para chegarem no mesmo patamar.

Vocês leitores não veem, mas o desastre está ali e tem nome: folha de pagamento de ativos e inativos. Em breve, na maior parte de estados e municípios, o número de funcionários aposentados será superior ao de funcionários na ativa. Em resumo, com o tempo, por causa das aposentadorias, a rede pública terá menos professores, menos médicos, menos policiais, e mesmo assim o custo da folha de pagamento continuará a subir. Tem outro detalhe: vários estados e municípios criaram fundos próprios de previdência. Desnecessário dizer que boa parte deles está em situação calamitosa e beira a insolvência. Essa conta vai sobrar também para o contribuinte.

A carga tributária brasileira já está acima de 33% do PIB. Isto quer dizer que a cada 3 (três) dias de trabalho 1 (um) você trabalha para pagar o Estado. Essa carga tributária já é elevada para padrões de países em desenvolvimento, e é alta também se compararmos com os benefícios recebidos de volta. Em resumo, o espaço para aumentar ainda mais a carga tributária parece ser pequeno.

O Brasil precisa escolher, não há para onde fugir, ou fazemos as reformas necessárias (tributária, previdenciária, abertura econômica, desburocratização e facilitação para abertura de empresas, e redução dos custos de contratação) ou teremos a inflação de volta.

Sobre as reformas deixo claro que alguns direitos adquiridos precisam ser revistos. Não dá para pagarmos aposentadoria de R$ 50 mil por mês para juízes aposentados de 60 anos de idade. Não dá para pagarmos aposentadorias de R$ 70 mil por mês para políticos aposentados. Não dá para uma professora de 50 anos de idade, gozando de boa saúde e em pleno vigor físico e mental, se aposentar na rede pública de ensino. Não dá para mantermos subsídios bilionários para empresários que no passado fecharam acordos com o governo. Não dá para mantermos desonerações tributárias, setores específicas, que custam bilhões de reais aos cofres públicos.

Como economista eu escolha as reformas. Como pai de família eu escolho as reformas. Como cidadão brasileiro eu escolho as reformas. E você? O que escolhe? Não adianta fugir, não adianta divagar, a escolha é somente essa: ou fazemos uma ampla reforma (incluindo uma revisão de determinados direitos adquiridos) ou a inflação irá voltar e ajustar as contas públicas. Em 2018 é você que, ao votar, irá fazer essa escolha.



Um comentário:

Anônimo disse...

Sachsida, sou servidor público. Estou longe da aposentadoria oficial (faltam 25 anos, com as regras atuais), mas já não conto com ela. Troquei meu regime de previdência e contribuo apenas sobre o teto do INSS. Ganho bem, vivo uma vida frugal e economizo boa parte da minha renda mensal. Tenho colegas que ganham muito mais e não têm nada. Financiam tudo para manter um padrão de vida superior ao que a renda comporta. Já fiz o alerta a eles, mas parece que só descobrirão tarde demais. Meu Estado (RS) está quebrado, mas, como o órgão em que trabalho possui orçamento próprio, ninguém sentiu o impacto ainda.

No ano passado, o atual governo encaminhou à Assembleia Legislativa proposta para que o duodécimo fosse repassado aos poderes de acordo com a arrecadação efetiva, o que, além de ser lógico, seria justo em relação aos servidores do Poder Executivo, que têm a remuneração parcelada devido à crise do Estado. Agora, tente adivinhar qual foi o posicionamento dos sindicatos dos servidores do Executivo. Foram contra a proposta, por questões ideológicas (o governo é do PMDB), prejudicando milhares de servidores.

Quanto aos municípios, há vários deles que não conseguem recolher as contribuições previdenciárias e acabam parcelando as dívidas junto aos regimes próprios de previdência. Outros, para manter o equilíbrio atuarial, precisam aumentar as alíquotas de contribuição. Só que as alíquotas são pequenas durante as gestões atuais e vão aumentando ao longo do tempo, deixando o abacaxi para ser descascado pelos futuros gestores. Ou seja, estão pedalando com a previdência dos servidores, o que não acabará bem.

O que eu vejo é que muitos servidores e sindicatos não estão preocupados com a situação financeira pela qual passa o País. Preocupam-se apenas em tornar o Estado mais inchado e manter os benefícios dos servidores, alardeando na imprensa que o ajuste fiscal resultará em piores serviços públicos à população (e tem como piorar?). Esses mesmos servidores e sindicatos não lutam efetivamente contra os privilégios da classe política. É como se mantivessem um acordo para que servidores e políticos permaneçam sendo beneficiados pelo dinheiro do cidadão, apesar da crise.

Poderia fazer um vídeo com a sua visão para a situação do Brasil até 2022? Gosto do seu blog e sempre passo aqui para ver o que tem de novo, mas o mais legal é ver você no youtube.

Um grande abraço!

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